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Por Que Não Acontece O Que Desejamos – Por Kesava Kasimir Das


Por que não acontece o que desejamos

Todos nós temos direito a uma vida melhor, bem sucedida e digna; uma vida que nos permita ter aquilo que vai nos permitir alcançar a satisfação plena em todos os sentidos da existência.

Desde que nascemos até que abandonamos o mundo, nossos esforços, nossas atividades e nosso trabalho estão focados na obtenção dessas coisas, na cristalização desses sonhos. Muitas vezes nem sabemos o que é aquilo que na verdade desejamos, pois acontece que, quando obtemos algumas coisas almejadas, outras aparecem em nosso coração e, assim, a cadeia de desejo ilimitado avança no decorrer do tempo.

Os Puranas (livros antigos de conhecimento e de historia) explicam que, na verdade, muitas vezes “sabemos o que não queremos, mas nem sempre sabemos o que queremos“, pois na gama e na seleção dos desejos nos encontramos com um grande número de propostas e, como ignoramos que somos almas espirituais, ali os desejos sutis e grosseiros se “enfrentam” com os eternos desejos e necessidades da alma. E, geralmente sem saber o que foi, entramos em crises de diferentes índoles.


Nossas verdadeiras necessidades

Os Vedas (os livros mais antigos de conhecimento espiritual) nos explicam que, na verdade, as reais necessidades da alma são: alcançar uma existência eterna, ter pleno conhecimento de tudo e ser realmente bem aventurada. Esses três aspectos se manifestam através de diferentes desejos que, disfarçados, enganam a alma e suas reais necessidades.

Mas vamos falar agora sobre as necessidades imediatas do ser que, situado na plataforma material, anseia diversos tipos de enfeites neste mundo; essa é nossa “realidade”, e devemos saber lidar com ela. Não há erro nenhum em desejar coisas materiais, ao contrário, tudo depende do estado de consciência com o qual desejamos essas coisas, ou seja, o propósito final.

Os sábios védicos sempre nos lembram de que a meta da existência humana é alcançar a plena auto-realização espiritual. Essa tarefa é uma tarefa para guerreiros e guerreiras de luz; só nesse nível estaremos plenamente satisfeitos, então, como o grande sábio Srila Prabhupada disse, “utilidade é o princípio”; se aquilo que almejamos obter está em concordância com nossa evolução espiritual então será bem vindo, isso é o primordial.

Se você sabe como utilizar as coisas materiais para seu bem estar material e espiritual, se consegue essa harmonia na qual nenhuma das duas, materiais e espirituais, prejudicam a outra, então pode seguir em frente. O grande sábio Rupa Goswami utilizou um termo sânscrito definido como Yukta-vairagya, que significa a capacidade de utilizar as coisas materiais na evolução espiritual.


Primeiro merece, logo deseja

Materialmente falando, muitos ficamos frustrados quando percebemos que não estamos conseguindo aquilo que almejamos. Achamos que nossas vidas são um completo fracasso e por isso renegamos até mesmo Deus. Mas não fazemos nada para remediar o problema.

Uma vez um sábio disse: ”Primeiro merece, logo deseja”. Se agora estamos como estamos deve haver algum motivo para isso. Diz-se que tudo depende da acumulação de punya, ou seja, atividades piedosas; são elas que nos permitem ter algumas coisas e nos privar de outras. Os punyas se baseiam nas atividades bondosas para o bem dos demais e de nos próprios, atividades piedosas no âmbito material e espiritual.

Se temos suficiente punya, poderemos obter a maioria das coisas que desejamos; aliás, elas aparecem quase como por arte de magia. Por outro lado, se não estamos conseguindo as coisas que almejamos, devemos saber que é pela grande falta de punya; isso pareceria fatalismo, mas se acreditamos em vidas passadas, devemos então analisar porque para alguns é mais “fácil” do que para outros a obtenção das coisas materiais.


Nos libertando do mau karma

Mas nada está perdido para aqueles que são pessoas determinadas e piedosas. Primeiro, devemos saber que precisamos adotar uma disciplina espiritual que nos ajude a nos libertar do mau karma, pois o contrário do punya é, vikarma ou atividades ímpias. Tendo uma disciplina genuína e um guia fidedigno, vamos nos libertar do mau karma e alcançar a mudança de vida.

Devemos, dentro da senda da vida e mesmo da auto-disciplina, aceitar que precisamos polir certas porosidades que o vikarma passado nos pôs. Nunca deveríamos nos queixar, e sim saber defrontar-nos com esse polimento, que é exatamente como quando se faz uma espada: primeiro se tira o metal bruto, depois se malha muito até conseguir dar forma, e o que vem depois é passar o esmeril grosso, logo o menos grosso e, quando se passaram vários deles, se chega ao mais fino e por fim ao pó de polir. O que muitos de nós imaturamente queremos é que nos passem o pó de polir sem haver passado os outros esmeriles; aí então nos queixamos da vida, sem haver permitido inteligentemente a passada dos outros esmeriles.

Em outras palavras, problemas vamos encontrar, mas eles são como os esmeriles que vão nos ajudar a manifestar o brilho que a espada manifesta depois de todo um processo de fabricação. O que vai nos ajudar nesse processo é ter essa disciplina e buddhi-yogam (a inteligência espiritual), que nos permite compreender os mistérios da vida que, por outra linha, não é possível entender. O buddhi vem quando seguimos certas regras espirituais e purificamos nossa consciência.


Como viver a vontade neste mundo

Os problemas são só oportunidades e, para tirar proveito deles devemos estar preparados, pois só assim isso é possível. Por isso se apresentam oportunidades que perdemos por falta de preparação.

Devemos nos convencer de que nada cai do céu, devemos desenvolver buddhi-yogam através da disciplina espiritual que nos permite fortalecer os músculos do bom senso e a criatividade tal como os esportes permitem fortalecer a saúde a e rapidez dos praticantes e os leva ao sucesso.

Uma coisa totalmente em descuido é a falta de interesse em propósito e metas bem definidas na vida; em outras palavras, sem ter o conhecimento de que todos temos uma missão na vida é impossível viver à vontade. Mas tudo ali começa com a auto-estima espiritual, aprender a se amar como ser espiritual, como alma, eterna parcela de Deus e sabendo que possuímos dons e qualidades maravilhosas que não estamos sabendo utilizar por falta de disciplina e buddhi-yogam. Sem saber enxergar o amor nesse plano não poderemos ir adiante em nada na vida e abandonamos este mundo sentado numa cadeira de ouro, sem descobrir quem somos.


Obtendo as bênçãos da Deusa da Fortuna

Se queremos falar de pensamento positivo e criatividade, que são muito importantes para conseguir as coisas que almejamos, primeiro temos que resolver quem somos e saber caminhar dentro de uma genuína disciplina. Pensamento positivo funciona quando temos uma auto-estima espiritual saudável e forte.

No Bhagavad-Gita, o livro que mostra a essência do conhecimento védico, podemos ver que é possível mudar o karma, e se você mudar seu karma através da disciplina espiritual, o conhecimento trascendental e as atividades piedosas poderão obter aquilo que deseja (sabendo bem o que desejar), mas se ficar esperando que as coisas mudem sem você fazer nada, pode esperar pela eternidade que nada positivo vai acontecer; as pessoas acostumam adorar a Deusa da Fortuna para ganhar prosperidade, mas nos Vedas diz-se que a Deusa da Fortuna só abençoa as pessoas que se esforçam com determinação, e não aquelas que dependem dos milagres do céu. Faça algo, aja!!! Mas deve agir com buddhi e determinação.


Mesmo nos livros da filosofia taoista diz-se o seguinte:

“Os homens de hoje são totalmente diferentes; eles preparam a sua sopa com vinho e conduta inadequada tornou-se a regra... Através do uso descuidado eles esgotam as originais influências inatas dos homens; eles não fornecem à alma o cuidado apropriado no tempo certo. Eles esforçam-se por levar prazer ao coração, porem eles conduzem a sua vida de forma contrária aos objetivos de verdadeira felicidade. Quando os homens de hoje acordam ou vão a dormir não é de acordo com um plano consistente. Devido a isto eles devem restringir os seus movimentos e ações a metade de um século”.


O néctar pelo qual estamos sempre ansiosos

Então devemos saber e conhecer como agem as leis do karma e da piedade espiritual e agir com persistência, conhecendo porque estamos aqui e inspirados pelos nossos deveres – Dharma – poderemos agir em akarma (ações sem reações materiais). Dharma significa também “aquilo que mantém a existência da alma”, e o cumprimento dos deveres nos leva a uma vida superior e à obtenção dos mais íntimos desejos da alma. Tal como o grande mestre do Agnihotra, Sri Vasant, disse:

“Você se encontra num vale profundo, devido à operação da lei do karma, da lei do ‘colheis o que semeias’. Faça uso da mesma lei para depurar-se e ascender. Você deve começar a fazer o esforço. Você dá um passo e a luz em seu interior derrama graça, dando dez passos por você.”

Os Vedas nos enfatizam que há uma prática autorizada para cada era, e nesta era nossos esforços, dharma, desejos e missão devem harmonizar-se com a disciplina chamada Sankirtana–yajña, o sacrifício pessoal por meditar e cantar o mais grande dos mantras, o maha-mantra, que é o mantra que tem o poder de libertar dos piores karmas e satisfazer plenamente nossos desejos, saboreando o néctar eterno pelo qual estamos sempre ansiosos. Só ali, nessa plataforma é que as coisas acontecerão como desejamos, pois só ali saberemos muito bem quais são os maiores e mais íntimos dos desejos que, ao contrário de nos escravizar, nos levaram a alcançar a mais grande meta da vida: desenvolver amor puro por Krishna.

Por Kesava Kasimir Das

 

 
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