Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna - ISKCON | Fundador-Acarya: A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

  
 
 

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Arigos Filosóficos - Krsna é sempre bondoso

Krsna é sempre bondoso

Não importa há quanto tempo conhecemos a consciência de Krsna, existem pontos básicos que são os primeiros a se aprender, e não devem nunca ser os primeiros a se esquecer.

Alguns destes pontos são: que não somos este corpo (Bg. 2.22); que o mundo material não é nosso lugar original; que estamos atados aos modos da natureza: bondade, paixão e ignorância; que lutamos arduamente contra nossos sentidos (Bg. 2.60 e 67; 15.7), sempre ávidos por prazeres (instantâneos, de preferência); que destes sentidos o mais voraz é a língua (como é citado na canção Sarira abdya-Jal); e que a mente, como disse Arjuna (6.33-34) ao dizer que é mais fácil controlar o vento, é tão difícil de ser subjugada.

Pois bem, quando então aprendemos que este mundo é cheio de misérias (10.3, sig. de Prabhupada parag. 7), a boa notícia que se recebe em contrapartida é que podemos sair das garras deste mundo pegando carona nas atividades de bhakti-yoga (7.14). O serviço devocional nos conduzirá a desenvolver amor puro por Krsna, visto que esse mesmo processo limpa a poeira acumulada em nossos corações (Sri Siksastaka 1).

Ao caminharmos mais um pouco vamos então descobrindo alguns pontos também básicos e primordiais a respeito da Suprema Personalidade de Deus. Estes pontos compreendem que Ele é o Brahmam, o espírito (Bg 2.2 e 13.13). Outro aspecto de Deus é o Paramatma (Bg 13.14 ao 18), e assim como dois pássaros numa árvore, atma e paramatma ocupam um corpo material (Svetasvatara Upanisad 4.7 e Bg 2.22), onde um age e o outro observa tais ações...

Mais adiante conhecemos o aspecto Bhagavam (Bg intro-3 e 9; 10.1-2), pleno de seis opulências, a saber, poder, riqueza, fama, beleza, conhecimento e renúncia. Ouvimos então sobre muitas atividades e ensinamentos de Krsna e ao nos aprofundarmos em algum conhecimento, podemos perceber que Krsna é sempre bondoso...

Esta percepção se dá tanto em relação às mudanças ocorridas em nossa vida ao adotarmos a consciência de Krsna, e como ela se torna promissora, como também pelas inúmeras promessas feitas pelo próprio Senhor Krsna em todas as escrituras védicas. Sim, nossa vida se torna promissora, pois gradualmente vamos nos tornando uma pessoa melhor, abandonando hábitos ruins contra nos mesmos e também aos outros, e então podemos aprender a parar de cometer atividades que podem nos tornar prisioneiros deste mundo, deste ciclo de nascimentos e mortes, para sempre. E, mais do que ficarmos preocupados com nossa “própria pele”, atingimos também a consciência de querer dar a todos o presente inigualável da consciência de Krsna. É como provar uma preparação tão saborosa, que logo temos o desejo de que nossos bem querentes também se sirvam desta fatia. Ou como recentemente ouvi o exemplo de gurudeva (Purushatraya Swami), em um namahata na casa de Ananda-Maya e prabhu Dasananda: “conhecer Krsna é como conhecer uma pessoa tão interessante, que logo queremos espalhar para todos os nossos amigos, olha conheci uma pessoa... e quero muito que você a conheça também”. Isso é consciência de Krsna, um processo simples que pode nos livrar das situações mais complexas deste mundo cheio de surpresas, desagradáveis em sua maioria.

E para reforçar a bondade de Krsna cito então algumas referências, versos que devem ser lidos para entusiasmar nossa prática: Bhagavad gita: 2.22- 65 ao 67; 4.8 ao 11; 6.47; 7.1 e 14; 8.7-8; 9.17-18-22 e 29; 11.8; 18.58-64-65 e 73. Isso se tratando apenas de Bhagavad gita.

E a maior bondade de Krsna, da qual podemos nos beneficiar neste mundo material, é a de se relacionar com Sua forma pessoal, através da Deidade, no templo. É muito importante que tenhamos convicção de que não há diferença entre O próprio Krsna e a Deidade no templo, e precisamos conversar e investigar sobre esse assunto tanto quanto seja necessário. Podemos ler em diversas escrituras sobre o assunto, tais como Sri Isopanisad e o próprio Bhagavad gita (10.33 ao 35; 11.54).

Este é o ponto que gostaria de trazer à reflexão dos leitores: a importância de servir e manter a Deidade no templo, bem como toda a parafernália necessária para seu bem estar. Lembrando que Krsna é Bhagavam e também transcendental a este mundo, o propósito da Deidade no templo é simples e de extrema importância para nós almas condicionadas, pois é através destas Deidades que podemos desenvolver nosso serviço direto à Suprema Personalidade de Deus.

Se somos candidatos interessados em desenvolver amor por Deus, podemos então, nos perguntar agora, neste momento: Como venho tratando Deus? Ele é extremamente bondoso, e para checar nosso amor, manifesta-Se como a Deidade no templo, e coloca-Se sob nossos cuidados, para ser tratado como uma criancinha que inocentemente depende extremamente da boa vontade de sua mãe.

Esta mãe pode agir de várias maneiras: sendo generosa e carinhosa, provendo tudo ao seu filhinho. Ser simplesmente mantenedora, dando comida e higiene nas horas necessárias. Ser negligente, relacionando-se com seu filhinho somente quando lhe interessa... Vale dizer que isso também vale para os papais, é claro!

Krsna, a Suprema Personalidade de Deus, é tão misericordioso, que se coloca como dependente de nós em atividades básicas de manutenção, como comer, vestir-se, banhar-se... e nós o que damos a Ele? Por certo que se O negligenciarmos, Ele nada perderá; e nós?

Podemos cuidar muito pomposamente de nossas deidades em casa, mas o fato é que, querendo ou não, as Deidades do templo estão manifestas e também precisam de nós. Como podemos nos posicionar diante de Srila Prabhupada? Estaria ele satisfeito de simplesmente estarmos cuidando pomposamente de nossas “deidades particulares”? Claro que essa resposta todo mundo tem à luz da consciência... Sadhu sanga sadhu sanga... yatha varundhe sat-sanga... (SB 11.12.2).

Às vezes imaginamos muitas maneiras de agir, mas os sastras nos advertem: srut smrti puranadi / pancaratra vidhim vina / aikantiki harer bhaktir / utpatayaya kalpate. Ademais, também podemos nos apoiar no Bg 18.65.

Neste caso diríamos, analogamente, que nada mais simples do que recorrermos aos membros da administração do Templo; não precisamos nos desgastar, tentando imaginar do que precisam o Senhor Jagannatha e seus associados, podemos simplesmente perguntar. Muitas vezes eles precisam de coisas muito simples, assim como é o serviço devocional que Krsna viabiliza de diversas maneiras, simplesmente para que até quem não tem um tostão possa praticá-lo (Bg capítulo 12; 9-26-27).

E também diríamos que, acima das concordâncias e discordâncias administrativas, está um fator muito maior, e precisamos abandonar o hábito de longa data de deixar que assuntos materiais grosseiros sejam obstáculos em relação à meta da vida. A criança não pode morrer de fome enquanto pai e mãe não chegam a conclusão se darão leite de vaca ou de soja, eis a questão; enquanto isso, ela precisa tomar um dos dois, e com certeza se for prasadam estará bem alimentada com qualquer um! A consciência de Krsna tem que ser o nosso ponto onde se desfazem as diferenças e neutralizam-se as particularidades em prol de um bem muito mais do que maior, transcendente, não é mesmo?

A prática de querer o bem estar da Deidade deve, com certeza, fazer parte de nosso sadhana.

Que esta seja uma reflexão que não custe muitos ciclos de nascimentos e mortes!!! :-)

Obrigado pela oportunidade de pregar e servir, que Krsna esteja sempre muito presente na vida de todos nós!

Texto:
Gopali Devi Dasi

 

 
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