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Arigos Filosóficos por Giridhari Das (HDG)
A Missão -
Parte 1 - Introdução
Os
Vedas nos explicam o conceito fundamental de que a vida eterna, com
desejos, emoções e ações,
existe em sua forma puramente divina. Experimentamos desejos,
emoções e ações agora, porém com o ranço do egoísmo e a contaminação
da matéria inerte, o que os torna insatisfatórios, limitados ou
mesmo desagradáveis. Deus nos oferece diferentes técnicas para nos
livrarmos destes defeitos e, assim, a cada passo, nos aproximarmos
do estado divino de ser. Dentre elas, a bhakti-yoga possui uma
característica especial: o processo não é diferente do objetivo. Ou
seja, ao praticarmos bhakti-yoga estaremos praticando a vida
puramente divina e eterna, mesmo que ainda sob o jugo do egoísmo e
apego material. A teoria por trás da técnica é muito inteligente:
uma única coisa não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo.
Ao praticar a consciência de Krishna, não há como, ao mesmo tempo,
manter a consciência egoísta mundana. São estados mentais opostos.
Podemos, enquanto imaturos, em um instante estar em consciência de
Krishna e no próximo cair para a consciência mundana, mas nunca
estaremos nos dois ao mesmo tempo. O que nos traz avanço em bhakti,
portanto, é nos ocuparmos cada vez mais em bhakti. E ocupar-se em
bhakti significa ocupar-se em todos os níveis onde atuamos: desejos,
emoções e ações.
O termo “sadhana” significa a prática regular para se atingir um
objetivo (“sadhya”). Os praticantes de yoga costumam seguir um
programa de práticas regulares (japa, estudos, adoração da Deidade,
disciplinas morais, limpeza, etc.) que os ajudam no processo de
purificação do egoísmo e apego material. Mas nunca devemos esquecer
que tais práticas possuem um objetivo final. Assim, a prática (“sadhana”)
é um meio para nos ajudar a chegar ao objetivo (“sadhya”). E, como
citado anteriormente, o objetivo final é estar plenamente situado em
uma vida de desejos, emoções e ações puramente divinas. A
consciência de Krishna, portanto, não é nem nunca foi plenamente
atingida apenas por seguir-se certas práticas durante alguma parte
do dia. O “néctar pelo qual sempre ansiamos”
é experimentado a partir do ponto onde dedicamos significativa parte
de nossa vida à consciência de Krishna. O sadhana é indispensável,
porém insuficiente. Sem sadhana caímos novamente para a plataforma
animal e desperdiçamos nossa vida humana. Só praticar sadhana, no
entanto, nos faz correr o risco de perder o entusiasmo pela vida
espiritual e vê-la se tornar penosa, podendo assim nos levar a
perder o gosto pela consciência de Krishna, que significa que
novamente desenvolveremos crescente apego ao mundo material ilusório.
Mais do que perder o gosto por sadhana, sem a ocupação em um
programa completo de vida divina, poucos sequer desenvolvem
suficiente determinação para manter uma prática de sadhana firme.
Assim, enquanto o sadhana for uma ferramenta para manter e atingir
um estado de bem-aventurança real e diário, será muito mais atraente
e fácil de ser mantido.
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