ABV - Associação Bhaktivedanta Vaishnava. Fundador-Acarya: A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

  
 
 

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:: Aula de Goura Purnima com Chandramukha Swami

Neste extático Goura Purnima, Chandramukha Swami prestigiou-nos com um pouco de seu enorme saber transcendental, ministrando a palestra do Bhagavad Gita. Todos estavam ansiosos por vê-lo, a sala do templo estava lotada, e devotos que não conseguiram entrar ficavam apinhados nas janelas da sala  esperando absorver o néctar do conhecimento transcendental que emanava lá de dentro. 

Maharaj Chandramukha cantou o Jaya Radha Madhava, elevando a atmosfera espiritual na Sala do Templo, sendo acompanhado entusiasticamente por todos os presentes. O verso escolhido fora o 4.9 do Bhagavad Gita como Ele É, que em sua tradução para o Português ficou: 


“janma karma ca me divyan
evam yo evtti tattvatah
tyaktva deham puner
janma nati eti so' rjuna” 
 

janma – nascimento; karma – trabalho; ca – também; me – de Mim; divyam – transcendental; evam – assim; yah – qualquer um que;  vetti – conhece; tattvatah – em realidade;  tyaktva – deixando de lado; deham – este corpo; punah – outra vez; janma – nascimento; na – nunca; eti – alcança; mam – a Mim; eti -alcança; sah – ele; arjuna – ó Arjuna 
 

Tradução: Aquele que conhece a natureza transcendental do Meu aparecimento e atividades, ao deixar o corpo não volta a nascer neste mundo material, mas alcança Minha morada eterna, ó Arjuna. 

SIGNIFICADO:
A decida do senhor de Sua morada transcendental já foi explicada no sexto verso. Aquele que pode compreender de verdade o aparecimento da Personalidade de Deus já está liberado do cativeiro material, e por isso retorna ao reino de Deus logo após deixar o atual corpo material. O fato é que para conseguir libertar-se do cativeiro material a entidade viva precisa vencer sérias dificuldades. Os impersonalistas e os yogis alcançam a liberação só após muito esforço e após muitíssimos nascimentos. Mesmo então, a liberação que eles conseguem – fundir-se no bramajyoti impessoal do Senhor – é apenas parcial, e há o risco de eles retornarem a este mundo material. Mas o devoto, pela simples compreensão da natureza transcendental do corpo e das atividades do Senhor, alcança a morada do Senhor após o término deste corpo e não se arrisca a retornar a este mundo material. No Brahma-samhita (5.33), declara-se que o Senhor tem muitíssimas formas e encarnações: advaitam acyutam anadim ananta-rupam. Embora existam muitas formas transcendentais do Senhor, elas são a mesmíssima Suprema Personalidade de Deus. Deve-se entender este fato com convicção, embora Ele seja incompreensível aos eruditos mundanos e aos filósofos empíricos. Como se afirma nos Vedas (Purusa-bidhini Upanishad): 

eko devo nitya-lilanurakto
bhakta-vyapi hrdy antar-atma 
 
 

“A única Suprema Personalidade de Deus Se ocupa eternamente nos relacionamentos com Seus devotos imaculados em Suas muitíssimas formas transcendentais.” Neste verso do Gita, o Senhor pessoalmente confirma esta versão védica. Aquele que aceita esta verdade baseando-se na autoridade dos Vedas e da Suprema Personalidade de Deus e que não perde tempo com especulações filosóficas alcança a mais elevada e perfeita fase de liberação. Pelo simples fato de aceitar esta verdade com fé,pode-se, sem dúvida, alcançar a liberação. A versão védica tav tvam asi realmente aplica-se a este caso. Qualquer um que compreenda que o Senhor Krishna é o Supremo, ou que diga ao Senhor “Você é o próprio Bhraman Supremo, a Personalidade de Deus”, é com certeza liberado instantaneamente, e conseqüentemente ganha acesso à associação transcendental com o Senhor. Em outras palavras, este devoto fiel do Senhor atinge a perfeição, e isto é confirmado pela seguinte declaração védica: 
 

tam eva viditvati mrtyum eti
nanyah pantha vidyate 'yantya 

 

“Pode alcançar a fase perfeita de liberação, na qual se escapa do nascimento e da morte, quem simplesmente conhece o Senhor, a Suprema Personalidade de Deus, e não há outra maneira de alcançar esta perfeição.” (Svetasvatara Upanisad 3.8) O fato de que não há alternativa significa que qualquer pessoa que não compreende o Senhor Krishna como a Suprema Personalidade de Deus na certa está no modo da ignorância e, por conseguinte, não alcançará a salvação apenas, por assim dizer, lambendo a superfície externa da garrafa de mel, ou interpretando o Bhagavad Gita conforme a erudição mundana. Talvez esses filósofos empíricos assumam papéis muito importantes no mundo material, mas isso não implica necessariamente que eles estão qualificados para a liberação. Tais eruditos mundanos arrogantes têm que esperar pela misericórdia imotivada do devoto do Senhor. Deve-se, portanto, cultivar a consciência de Krishna com fé e conhecimento, e com isto alcançar a perfeição.” 
 


Segundo Maharaj Chandramukha, esse verso muito elucidativo e encorajador é munido de importantíssimas entrelinhas, ao dizer que aquele que se torna um devoto puro alcança a perfeição máxima da vida, não tendo mais que nascer nesse mundo material. 

 

O palestrante explicou que as Escrituras Védicas atestam claramente que esse corpo material é uma condição artificial e limitada de existência, nos oferecendo ferramentas de atuação que são limitadas e imprecisas. Neste corpo perdemos nossa consciência, e estando dentro deste corpo nos tornamos reféns da luxúria, da inveja, da ira, da insanidade, da confusão mental, pois somos nós mesmos que criamos tais condições neste mundo, herdando tais condições e propensões, criadas pela mente, de vidas passadas. 

Explicou Maharaj Chandramukha que a mente criou toda essa condição, se tornando nossa inimiga,e comparou nossa mente ao cavalo da piada em que figura um mocinho, a cavalo, cercado por índios armados; o mocinho reclama em voz alta: “estamos perdidos”, e em resposta o cavalo lhe diz que não estão perdidos, sugerindo que seja atirada uma pedra na cara do índio de cocar mais vistoso e imponente – acatado pelo mocinho, e executada a sugestão, pondo os índios ainda mais irritados(!), pergunta o mocinho ao cavalo: “... e agora?”, ao que o cavalo lhe responde: “agora sim, estamos perdidos!” 

O palestrante explicou que o verso estudado fala de uma ciência sobre o Criador e Aniquilador do mundo, que está situado em sua morada transcendental. Porém, Maharaj ressalvou que entender essa ciência é entender que Krishna vem a esse mundo através de sua própria Potência Espiritual (não aceitando, portanto, um corpo material), pois o mundo material é comparável às nuvens que passam pelo Sol, mas jamais o encobrem de verdade. Da mesma forma, o mundo material não encobre Krishna jamais. 

Explicou que Krishna encarna tantas vezes quanto as ondas do mar, que são infinitas. Disse que Deus criou este mundo material para termos a sensação ilusória de que podemos controlar as coisas e viver sem Ele, mas Ele não nos abandona, tendo nos deixado um “manual de instruções” nesses mundos materiais que, de tão amplos, explicam quais são nossos problemas reais, e como podemos sair deste mundo material. 

Maharaj explicou que as pessoas desta Era têm muita dificuldade para entender o Gita, razão pela qual veio o Senhor Caitanya, ressaltando, o palestrante, que os ensinamentos do Senhor Caitanya não são diferentes dos ensinamentos de Krishna no Bhagavad Gita, que, no fim, envolvem nossa entrega a Krishna. 

     

Alertou, o palestrante, que temos medo de nos entregarmos a muitas coisas, e da mesma forma temos medo de nos entregarmos a Krishna. Porém, em contrapartida, Krishna, no próprio Bhagavad Gita, diz: “não tema”. 

Como as pessoas têm muita dificuldade para entender esse princípio, então Krishna voltou ao mundo material como devoto para nos mostrar, na prática, como devemos nos entregar a Ele com Bhakta Rupam. Explicou que Krishna assumiu essa forma porque “ser mel” não é tão gostoso quanto “experimentar mel”, então Ele volta como devoto para experimental o mel do serviço devocional. 

Maharaj Chandramuka explicou que o Senhor Caitanya é chamado Gauranga, e Gauranga é o masculino de Gaurangi – um dos nomes de Radharani. Assim, Krishna veio como o Senhor Caitanya na forma de Radharani, quem melhor entende de Krishna! Desse modo, o Senhor Caitanya vem de fato como professor (primariamente), e vem, também, internamente, para experimentar o que sente Radharani. 

 

O palestrante ressaltou, porém, que não se pode separar a Potência do Potente, assim como não se pode separar o almíscar de seu odor, ou o sândalo de seu odor. Explicou que certa feita, Sri Govinda Das dissera que quem não lera o Caitanya Caritamrita não é uma pessoa “tão afortunada”. Disse Chandramukha Swami que o Caitanya Caritamrita nos mostra fatos fantásticos, de forma que não podemos ficar, apenas, na beira do mar da consciência de Krisna, mas devemos nos aprofundar, adentrar nesse mar, mesmo. 

Ensinou, Maharaj, que o Senhor Caitanya veio para nos mostrar como devemos entrar nesse oceano de conhecimento, e que a vida do Senhor Caitanya foi muito bem compilada por seus biógrafos, tando seu período de Adi Lila, quando o de Madhya Lila, ou ainda o de Antya Lila. 

Maharaj explicou que foi durante o período de Antya Lila que o Senhor Caitanya compilou o Siksastaka, um resumo de todos os seus ensinamentos. O palestrante ressaltou que Prabhupada sempre aconselhara os devotos a meditar nesses versos. 

Disse, Chandramukha Swami, que as últimas palavras de George Harrison, ditas imediatamente antes de abandonar o corpo, foram: “tudo nessa vida pode esperar, menos cultivar sua relação com Krishna”. 

Explicou, Maharaj, que a alma pode permanecer na terra por um tempo ilimitado, perdida por um tempo ilimitado, de forma que um verdadeiro amigo é aquele que vai te ajudar a sair desse invólucro material e se reconectar com Krishna, o que é normalmente muito difícil. Disse que quem tem tal amigo é uma pessoa muito afortunada. 

Continuou explicando que por Guru, Krishna Prasada, Puja e misericórdia imotivada é que é lançada a semente da trepadeira do amor a Deus. Se nosso coração for fértil, essa semente germinará na forma de Srhada (princípio pela busca espiritual), sendo que de Srhada nasce Sadhusanga (querer associar-se com os devotos), do qual surge Bhajana (que é o desejo de se executar serviços devocionais), e daí surge Anartha Nivriti, que é a cessação dos anarthas (vícios e maus hábitos). Disse, o palestrante, que esse serviço devocional dá a energia para se desfazer os anarthas, surgindo, daí, Nista, que é o desvinculamento do mundo material, quando ficamos estáveis. Disse Maharaj que uma pessoa que pratica Bhajan fica livre da paixão e da ignorância, tornando-se satisfeita. 

  

Explicou que, neste mundo material, a única forma de se ter felicidade é se situar no modo da bondade, e daí, uma vez fixos, entramos num estado de ruchi (criando gosto pelas coisas de Krishna), o que viabiliza o surgimento de bhava (fruto do amor a Deus), e daí entramos em Bhakti. 

Continuou, Chandramukha Swami, ensinando que Krishna diz que aquele que compreende Sua opulência se engaja em serviço devocional puro. Assim, o conhecimento védico não é apenas para informação e sim para transformação, de forma que compreensão verdadeira transforma o devoto. 

Recordou que há 40 anos as milhões de almas do ocidente não tinham a oportunidade de ouvir sobre Krishna, e que pelo esforço de Srila Prabhupada tudo isso é possível hoje. Explicou que muitos podem ter conhecimento acerca da consciência de Krishna, mas quem quer se aprofundar tem a oportunidade de avançar muito (retornando ao mundo espiritual).  

Maharaj disse que, quando é dito que o devoto puro não volta a nascer nesse mundo material, isso quer dizer que ele não mais sofrerá com inveja, doença, luxúria e os demais perigos desse mundo material. Nesse ponto o palestrante ressaltou a importância da canção Jivjago, apontando a importância da alma acordar de sua condição material, dos braços da bruxa Maya.  

Alertou a platéia que temos de superar essas identificações materiais que temos, de forma que devemos praticar serviço devocional de uma forma mais profunda. Argumentou que temos muitos templos, facilidades para escapar desse mundo (não um “escapar” de uma forma negativista, mas sim num espírito de ir para um lugar onde não existem todas as misérias material). 

Explicou que é muito importante para o cantar do Maha Mantra se desfazer das 10 ofensas, mas cantando os nomes de Caitanya não há ofensas. Cantamos o Maha Mantra porque o Senhor Caitanya veio para pregar as glórias do cantar do Maha Mantra. 

Assim, cantamos Jaya Sri Krishna Caitanya Prabhu Nityananda Sri Advaita Gadadhara Sri Vasadi Gaura Bhakta Vrinda como uma forma de alcançar o verdadeiro significado do cantar do Maha Mantra. 

Terminando assim sua explanação, Chandra Mukha Swami abriu para perguntas e respostas. 

Texto: Bhakta Daniel
Fotos: Madhumati Radhika Devi Dasi
 

 
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