Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna - ISKCON | Fundador-Acarya: A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

  
 
 

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:: Aula de Domingo com Adi Karuna Das

   

Bhagavad-Gita 3.21

yad yad acarati
sresthas
tad tad evetaro janah
sa yat pramanam kurute
lokas tad anuvartate

  Tradução: Qualquer ação executada por um homem importante, é copiada pelos homens comunse o mundo inteiro procurara imitar os padrões que ele estabelecer através de seus atos exemplares.

 Significado: As pessoas em geral sempre precisam de um líder que possa ensinar ao público através do exemplo de comportamento prático. O líder nãopode ensinar o público a parar de fumar se ele mesmo fuma. O Senhor Caitanya disse que um mestre deve comportar-se convenientemente antes de começar a ensinar. Quem ensina desta maneira chama-se acarya, ou o mestre ideal. Portanto o mestre deve seguir os princípiosdo sastra (escritura) para ensinar o homem comum. O mestre não pode fabricar regras que vão contra os princípios das escrituras reveladas. As escrituras reveladas tais como o Manu-Sanhita e outras semelhantes, são consideradas os livros que a sociedade humana deve tomar como padrão. quem deseja aperfeiçoar-se deve seguir as regras básicaspraticadas pelos grandes mestres. O Srimad-Bhagavam também afirma que se devem seguir os passos dos grandes devotos, e esta é a maneira de progredirno caminho da percepção espiritual. O rei ou o chefe executivo de um Estado, o pai e o professor são todos considerados líderes naturais do povo inocente. Todos esses líderes naturais têm uma grande responsabilidade para com seus dependentes; por isso, eles devem ser versados nos livros básicosdos códigosmorais e espirituais.

 


A aula deste domingo (23/09) foi ministrada por Adi Karuna das, discípulo de Hridayananda dasa Goswami. O verso lido foi o 21 do Terceiro Capítulo, intitulado de “Karma Yoga”.

Inicialmente o palestrante agradeceu a presença de todos, e lembrou que aquele era um dia especial por alguns motivos. Era o primeiro dia da primavera, quando os dias e as noites são iguais em tempo, e também um momento de falar de pessoas iluminadas, pois era o aparecimento de Krishna na forma do anão Vanamadeva, e o dia de Jiva Goswami.

Adi Karuna Das continuou dizendo que esse é um verso muito importante do Bhagavad-Gita, pois nos traz um tema para refletirmos porque nos mantemos presos no samsara, ciclo de repetidos nascimentos e mortes. Um dos detalhes é que precisamos de um mestre espiritual, sem o qual não saímos desse ciclo. O mestre é uma pessoa realizada porque ele viu e transmite a verdade.

O verso cita três pessoas importantes em nossa sociedade, que são o professor, que pode ser nosso mestre espiritual; o rei, que era o mestre dos sudras (classe mais baixa de trabalhadores); e o pai, que é o responsável pela esposa e os filhos. Em outras eras a mulher só era liberada deste cativeiro material pelo esposo, pois não tinha um mestre espiritual como hoje em dia. Porém, nesta, era as mulheres estão com o coração endurecido, e precisam aceitar uma iniciação formal.

O líder na cultura védica não pede, ele dá. Assim como não exige, e sim dá motivação. O mestre na cultura védica é naturalmente carismático. Um mestre precisa de um outro mestre, que precisa de outro mestre, e assim sucessivamente. Um mestre que se apresenta de outra maneira, ou seja, sem ter um mestre, é um mero especulador.

Todo mestre fidedigno controla seus sentidos. Controla a fala, não diz asneiras e sim tópicos que elevam a pessoa a plataforma espiritual. O mestre tem o controle da língua, não come em demasia e nenhuma violência (sangue) entra em sua boca. Ele controla o estômago e os órgãos genitais, ou seja, ele não é um pervertido. Se uma pessoa não tem o controle sobre isso, ele não é um mestre.

O mestre é sempre austero consigo mesmo e misericordioso com os outros, como Srila Prabhupada, que aos 70 anos de idade veio para o ocidente praticamente sem nenhum dinheiro no bolso, só com muita fé em seu coração. Como ele diziam, ele se desprendeu de sua encantada Vrindavana para nos orientar. Se alguém não é compassivo, não pode ser considerado um mestre espiritual.

Um mestre é aquela pessoa que ensina pelo próprio exemplo, ou seja, um acarya - aquele que se curva e estende a mão. É uma pessoa nobre, não no sentido feudal, mas um nobre a quem todos se curvam para servi-lo. Um exemplo bem comum para nós Vaishnavas é Srila Prabhupada, que fundou a ISKCON com seu modelo; ele ensinou aos devotos desde orações ou mantras até como se limpar ao ir ao banheiro. Nos nascemos iludidos e temos que nos iluminar.

Todavia, existem algumas diferenças entre o mestre espiritual védico e atual. O védico era sempre casado, a iniciação era feita quando ele era criança, sua idade variando conforme sua casta. Na cultura védica o mestre espiritual não era um renunciante como agora, todo mestre tinha as características de um brahmane; nesta era podemos variar. Ultimamente seguimos os valores da cultura védica, mas não conseguimos seguir tudo porque seria impossível para nossa realidade contemporânea. Nesta era precisamos cantar os Santos Nomes de Krisnha para nos elevar.

Existem três características de um brahmane ortodoxo autêntico:
1. Ele tem os Vedas como autoridade Suprema.
2. Ele tem a língua sânscrita como única língua sagrada - o devanagari, ou seja, a língua falada pelos deuses.
3. Ele segue a ética brahminica, ou seja, age como Krishna apresentou a divisão social.

Nossa linha tem duas origens; através de Krishna, que se rompeu com os anos, e através de Vyasadeva, o mestre inicial da Kaliyuga. Depois de Vyasadeva surgiram muitos outros mestres e nós, os “Hare Krishnas”, seguimos a linha vaishnava conservadora. Mais recentemente, no século XV, apareceu Caitanya Mahaprabhu, que estabeleceu todos os padrões que devemos seguir, e Prabhupada nos deus detalhes para reconhecer, procurar, rejeitar e se relacionar com um mestre. Podemos rejeitar o mestre porque não somos meras marionetes, e se o mestre se torna impersonalista, ou quebra princípios morais, desvia os ensinamentos de Srila Prabhupada ou determina um dever desconforme a natureza do discípulo, ele pode ser deixado.

sarva darman parityajya
mam ekam saranam vraja
aham tvam sarva papebhyo
moksayisyami ma sucah

“Abandone todas as variedades de religião e simplesmente renda-se a mim. Eu o libertarei de todas as reações pecaminosas. Não tema.”

A aula acabou por aí, afinal de contas estava na hora do kirtana, quando cantamos e dançamos para o Senhor.

Texto: Radha-priti Devi Dasi
Fotos: Radha-priti Devi Dasi
 

 
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