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Neste
domingo, dia 5 de agosto, recebemos Sua Santidade
Chandramukha Swami, que passa por São Paulo para ficar
aqui por uma semana.
A aula
teve seu início por volta das 18h30min e, após Vaikuntha
Murti das anunciar a aula por Chandramukha Swami, Sua
Santidade deu as boas vindas aos visitantes e em seguida
comentou sobre a importância de compreendermos os
ensinamentos e cantar para nos purificarmos.

O
Maharaj contou que, quando estava há poucos dias em
Niterói, soube de uma mulher que investiu R$ 6.000,00 em
uma lipoaspiração e aproveitou para fazer uma analogia
em relação ao processo do cantar dos Santos Nomes. E
citou o primeiro verso dos oito deixados por Caitanya
Mahaprabhu.
Sri Sri Siksataka (Caitanya Mahaprabhu)
ceto-darpana-marjanam bhava-maha--davagni-nirvapanam
sreyah-kairava-candrika-vitaranam vidya-vadhu-jivanam
anandambudhi-vardhanam prati-padam purnamrtasvadanam
sarvatma-snapanam param vijayate sri-krsna-sankirtanam
“Glória
a Sri Kishna Sankirtana, que limpa o coração de toda a
poeira acumulada durante anos e extingue o fogo da vida
condicionada de repetidos nascimentos e mortes. Este
movimento de Sankirtana é a benção principal para toda
humanidade porque espalha os raios da lua da benção.
É a vida de todo conhecimento
transcendental, aumenta o oceano de bem aventurança
transcendental e nos capacita a saborear plenamente o
néctar pelo qual sempre ansiamos.”
E da
mesma maneira com que a lipoaspiração foi feita em
Niterói, ela pode ser feita espiritualmente através do
processo que Caitanya Maharaprabhu nos deixou, o cantar
dos Santos Nomes; dessa forma, podemos direcionar
qualquer atividade para consciência de Krishna. E
maharaj ainda brincou dizendo que essa é a melhor
maneira para “manter a forma espiritual”, pois a
purificação ocorre direto na alma. Continuou comentando
sobre os quatro princípios que seguimos e que são
questionados por outras pessoas, e que o gozo dos
sentidos não passa de um “alívio” absolutamente
temporário para o corpo, e a alma nada ganha com
satisfação material, pois ela é Sat cit ananda, eterna.
Apresentando o Bhagavad-Gita, Maharaj disse que tudo que
precisamos saber está nesse livro. E o principal é a
compreensão básica de que somos almas espirituais,
parcelas de Deus, mas que somos nascidos, condicionados
e influenciados pela energia material. E que devemos nos
ater a Viveka, que significa discernimento.

Bhagavad-Gita 9.11
avajananti
mam mudha
manusim tanum asrtam
param bhavam ajananto
mama bhuta-mahesvaram
“Os
tolos zombam de Mim quando desço sob a forma humana.
Eles não conhecem minha natureza transcendental como o
Supremo Senhor de tudo que existe.”
Tradução
Através
das outras explicações de versos anteriores deste
capítulo, fica evidente que a Suprema Personalidade de
Deus, embora apareça como ser humano, não é um homem
comum. A Personalidade de Deus, que conduz a criação,
manutenção e aniquilação da manifestação cósmica
completa, não poderia enquadrar-Se na categoria de ser
humano. Todavia, há muitos tolos que consideram Krishna
meramente um homem poderoso e nada mais. Na verdade, Ele
é a Suprema Personalidade de Deus original, como o
confirma a Brahma-samhita (isvarah paramah krshnah); Ele
é o Senhor Supremo.
Há
muitos isvaras, controladores, e um parece maior do que
o outro. Na administração corriqueira dos afazeres do
mundo material, encontramos algum funcionário ou
encarregado, e acima ele há um secretario, e acima dele
um ministro, e acima dele um presidente. Cada um deles é
controlador, mas é controlado pelo outro. No Brahma-samhita,
afirma-se que Krsna é o controlador Supremo; sem dúvida,
há muitos controladores, tanto no mundo material quanto
no mundo espiritual, mas Krsna é o controlador supremo
(isvarah paramah krshnah), e seu corpo é
Sat-cit-ananda, não material.
Corpos
materiais não podem executar os atos maravilhosos
descritos nos versos anteriores. O corpo dEle é eterno,
bem-aventurado e pleno de conhecimento. Embora não seja
um homem comum, os tolos zombam dEle e consideram-No um
homem. Aqui seu corpo é chamado manusim porque
Ele age tal qual um homem, um amigo de Arjuna, um
político envolvido com uma Batalha de Kuruksetra. De
muitas maneiras, Ele está agindo exatamente como um
homem comum, mas na verdade seu corpo é Sat-cit-ananda
vigraha – bem aventurança eterna e conhecimento
absoluto. Os textos védicos também confirmam isto.
Sat-cit-ananda-rupaya krsnaya: “Ofereço minhas
reverências à Suprema Personalidade de Deus – Krsna, que
é eterna e bem-aventurada forma cheia de conhecimento” (Gopala-tapani
Upanishad 1.1) Na linguagem védica, também há outras
descrições. Tam ekam govindam: “És Govinda, o prazer dos
sentidos e das vacas”. Sat-cit-ananda-vigraha: “E
Tua forma é transcedental, cheia de conhecimento,
bem-aventurança e eternidade”. (Gopala-tapani Upanishad
1.35)
Apesar
das qualidades transcendentais do corpo do Senhor
Krishna, tais como bem-aventurança e conhecimento plenos,
há muitos pretensos estudiosos e comentadores do
Bhagavad-Gita que querem fazer de Krsna um homem comum.
Talvez o estudioso tenha nascido como um ser
extraordinário devido a suas boas ações anteriores, mas
esta mesma concepção acerca de Sri Krsna deve-se a um
pobre fundo de conhecimento. Por isso tal pessoa é
chamada mudha, pois só os tolos consideram Krsna
um ser humano comum. Para os tolos Krshna é um ser
humano comum porque eles não conhecem as atividades
confidenciais do Senhor Supremo nem suas diferentes
energias. Eles não sabem que o corpo de Krsna é um
símbolo do conhecimento e bem-aventurança completos, que
Ele é o proprietário de tudo que existe e que pode
conceder liberação a qualquer pessoa. Eles zombam de
Krsna porque não conhecem suas inúmeras qualificações
transcendentais. Tampouco sabem que o aparecimento da
Suprema Personalidade de Deus neste mundo material é uma
manifestação de sua energia interna. Krsna é o senhor da
energia material. Como foi explicado em várias passagens
(mama maya duratyaya), Ele declara que a energia
material, embora muito poderosa, está Sob seu controle,
e quem se rende a Ele pode escapar ao controle desta
energia material. Se uma alma rendida a Krsna pode
escapar à influência da energia material, então, como é
possível que o Senhor Supremo, que conduz a criação,
manutenção e aniquilação de toda a natureza cósmica,
tenha um corpo material como nós? Logo, esta concepção a
cerca de Krsna é completa tolice. Entretanto, esses
tolos não conseguem conceber que Krsna, a Personalidade
de Deus, quando aparece como um homem comum, pode ser o
controlador de todos os átomos e dessas gigantescas
manifestações, a forma universal. O maior e o mais
diminuto estão além do que conseguem conceber, por isso,
eles não podem imaginar que alguém em forma humana pode
controlar ao mesmo tempo o infinito e o diminuto. Na
verdade, embora controle o infinito e o finito, Ele está
à parte de todas as manifestações. Em relação a Sua
yogam aisvaram, Sua inconcebível energia transcendental,
afirma-se claramente que ele pode controlar ao mesmo
tempo o infinito e o finito e que pode permanecer à
parte deles. Embora todos não possam imaginar como Krsna,
que aparece como um ser humano, pode controlar o
infinito e o finito, aqueles que são devotos puros
aceitam isso, pois sabem que Krsna é a Suprema
Personalidade de Deus. Por isso, eles Lhe oferecem
rendição completa e ocupam-se em consciência de Krsna,
serviço devocional ao senhor.
O
aparecimento do senhor como ser humano gera muitas
controvérsias entre os impersonalistas e os
personalistas. Mas se consultamos o Bhagavad-Gita e o
Srimad-Bhagavatam, os textos através os quais pode se
compreender autorizadamente a ciência de Krsna, então
conseguimos saber que Krsna é a Suprema Personalidade de
Deus. Ele não é um homem comum, embora tivesse aparecido
nesta Terra como um ser humano comum. No
Srimad-Bhagavatam, Primeiro Canto, Primeiro Capítulo ao
perguntarem sobre as atividades de Krsna, os sábios,
encabeçados por Saunaka, disseram:
krtavam
kila karmani
saha ramane kesavah
ati-martyani bhagavan
gudhah kapata-manusah
“O
Senhor Sri Krsna, a Suprema Personalidade de Deus,
juntamente com Balarama, agiu como um ser humano, e com
esse disfarce, executou muitos atos sobre-humanos.” (Bhag.
1.1.20) O aparecimento do Senhor como homem confunde os
tolos. Nenhum ser humano poderia realizar os atos
maravilhosos que Krsna executou enquanto esteve presente
nesta Terra. Ao aparecer diante de Seu pai e de Sua mãe,
Vasudeva e Devaki, Krsna tinha quatro braços, mas
após as orações dos dois, Ele se transformou numa
criança comum. Como afirma o Bhagavatam (10.3.46),
babhuva prakrtah sisuh: Ele Se tornou exatamente uma
criança comum, um ser humano comum. Também aqui se
assinala que o aparecimento do Senhor como um ser humano
é um dos aspectos de Seu corpo transcendental. No Décimo
Capítulo do Bhagavad-Gita também se declara que
Arjuna orou para que Krsna lhe mostrasse Sua forma de
quatro braços (tenaiva rupena catur-bhujena).
Após Krsna revelar esta forma a Arjuna, este pediu a
Krsna que reassumisse Sua forma humana com aparência
original (manusam rupam). Estas diferentes
características do Senhor Supremo com certeza não
existem no ser humano comum.
Alguns
daqueles que zombam de Krsna e que estão influenciados
pela filosofia mayavadi citam o seguinte verso do
Srimad-Bhagavatam (3.29.21) para provar que Krsna é
apenas um homem comum. Aham sarvesu bhutesu
bhutatmavasthitah sada: “O Supremo está presente em
toda a entidade viva“.
Para
repararmos mais atentamente neste verso específico,
seria melhor que recorrêssemos aos acaryas vaishnavas,
tais como Jiva Goswami e Visvanatha Cakravarti Thakura,
em vez de aceitarmos a interpretação feita por pessoas
desautorizadas que zombam de Krsna. Jiva Gosvami,
comentando este verso, diz que Krishna, em sua expansão
plenária como Paramatma, está situado como a Superalma
das entidades móveis e inertes.
Portanto,
qualquer devoto neófito que apenas presta atenção à
arca-murti, a forma do Senhor Supremo no templo, e não
respeita outras entidades vivas está inutilmente
adorando no templo a forma do Senhor. Há três categorias
de devotos, e o neófito está na plataforma inferior. O
devoto neófito dá mais atenção á Deidade no templo do
que a outros devotos, por isso, Visvanatha Cakravarti
Thakura adverte que este tipo de mentalidade deve ser
corrigido. O devoto deve ter a visão de que, como Krshna
está presente no coração de todos como Paramatma, cada
corpo representa o templo do Senhor Supremo; logo, assim
como oferece respeito ao templo do Senhor, ele deve
também prestar o devido respeito a todo e cada corpo em
que mora Paramatma. Todos devem, portanto, receber o
devido respeito e ninguém deve ser negligenciado.
Há
também muitos impersonalistas que zombam da adoração
prestada no templo. Dizem que, como Deus está em toda
parte, porque deve alguém limitar-se na adoração no
templo? Mas se Deus está em toda parte, acaso ele está
no templo ou na Deidade? Embora, os personalistas e
impersonalistas lutem perpetuamente entre si, um devoto
em perfeita consciência de Krsna sabe que embora Krsna
seja a suprema Personalidade, Ele é onipenetrante, como
se confirma n Brahma-samhita. Embora sua morada pessoal
seja Goloka Vrindavana, onde Ele sempre permanece,
através de suas diferentes manifestações de energia e
através de sua expansão plenária, Ele é onipresente e se
encontra em todas as partes da criação espiritual e
material.
Então
Maharaj continuou explicando a condição corpórea e dando
exemplos que se aplicam à vida cotidiana de qualquer
pessoa normal descrevendo o quão temporário e ilusório é
este mundo material. Que passamos anos e anos buscando
por satisfação material e que isso nada tem a ver como o
nosso verdadeiro eu, a alma, e que devemos buscar algo
que alimente a alma, algo eterno, ou seja, vida
espiritual e consciência de Krishna.

Maharaj
disse também que na época de Prabhupada, quando alguém
questionava sobre a palavra “tolos”, ele dizia que todos
nós somos tolos, que uma pessoa é tola apenas por estar
em uma condição material, com seus sentidos limitados.
E
quando Srila Prabhupada foi abordado numa aula com a
pergunta: “O que é tolo?” Ele respondeu: “A pessoa que
tenta transformar o que é temporário em um lugar
permanente para viver”. E que este universo foi criado
para iludir, e que Kishna diz isso: “Esse mundo é minha
energia ilusória”. Por isso é tão importante o
discernimento e o conhecimento básico que somos almas
espirituais e não este corpo.
Chandramukha Swami, como sempre, respondeu a perguntas
no final da aula e, assim que o kirtana encerrou o
festival, estave com muitos devotos respondendo a
questões e recebendo visitantes e devotos com sua
maneira atenciosa.
Adoramos
a palestra e gostaríamos que sempre repetisse.
Hare
Krishna!!!
Texto: Madhumati Radhika Devi Dasi
Fotos: Michaela e Madhumati Radhika Devi Dasi
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