Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna - ISKCON | Fundador-Acarya: A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

  
 
 

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:: Aula de Domingo com Devakinandana Das

A Aula desse último festival de domingo, dia 14/10/2007, foi ministrada por Devakinandana Das, discípulo de sua Santidade Hrdayananda Das Goswami, expondo o verso 47 do Capítulo 2 da Bhagavad-Gita, que na atual tradução da BBT diz: "Você tem o direito de executar seu dever prescrito, mas não tem o direito aos frutos da ação. Jamais se considere a causa dos resultados de suas atividades, e jamais se apegue ao não cumprimento do seu dever".

Após a leitura da tradução e significado dado por sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, que tratou filosoficamente de assuntos tais como dever prescrito, trabalho por capricho, inação (como não execução dos deveres prescritos), trabalho de emergência e atividades desejadas, o palestrante iniciou sua exposição contextualizando a atenta platéia ao significado das palavras do verso.

Devakinandana prabhu explicou que Krishna queria que a batalha de Kuruksetra acontecesse, e indicou quais argumentos foram utilizados pela Suprema Personalidade de Deus para instar Arjuna a lutar.

O palestrante mostrou à platéia que Krishna primeiro explicou a natureza do Eu, que a alma é imperecível, deixando claro que a alma é indestrutível, tendo sempre existido e garantindo que ela sempre existirá, de forma que Arjuna, com base nesse conhecimento, não deveria não-lutar, e que não havia motivos para preocupação. Krishna lembrou a Arjuna que, na pior das hipóteses, se perecesse na batalha iria aos planetas celestiais.

Devakinandana prabhu explicou que Arjuna, naquele momento, considerava duas hipóteses: resgatar o reino ou se, abstendo-se de lutar, teria a companhia de seus parentes e amigos. Considerava, portanto, obter o espólio de guerra (visando resultado) ou entregar-se à inação (abstendo-se da luta para ter seus próximos até, talvez, o fim da vida).

O palestrante argumentou que Krishna lembrou Arjuna de sua posição de guerreiro, e de seus deveres de proteção da civilização, mesmo que tivesse que se valer da violência. Comentando o discurso de Krishna, o palestrante explicou que no Varnashrama o objetivo final é a satisfação de Vishnu, e que Arjuna, confundido pela angústia, se recusou a lutar. Devakinandana prabhu explicou que, em contraposição ao raciocínio exposto por Arjuna, Krishna  apontou que seu amigo falava tolices por meio de palavras sábias.

Devakinandana prabhu explicou que na civilização védica tudo conduz o indivíduo na busca da auto-realização, que Arjuna tinha que lutar da mesma maneira que os Bhramanas tinham que executar sacrifícios de animais, e que essas atividades não eram geradoras de Karma. Arjuna tinha, então, o direito de executar seus deveres prescritos, mas não de exigir os frutos da ação.

O palestrante relembrou à platéia interessada que em nossos dias é difícil se entender esse verso sem uma maior reflexão, uma vez que estamos acostumados a procurar obter os frutos da ação, ante nossas muitas contas a pagar e demais necessidades materiais.

Devakinandana prabhu mostrou como, em nossa atual consciência, estamos buscando engajar nossos talentos na busca pelos frutos da ação. Porém, o palestrante alertou que esses talentos se enquadram nos três modos da natureza material, e devem ser usados para a satisfação da Suprema Personalidade de Deus, Sri Krishna.

O expositor argumentou que o materialista age no sentido contrário, que deseja a satisfação de si próprio, e que agindo assim, o materialista mostra que inveja a Krishna.

Argumentou, ainda, que esse modo de agir vai na contramão do exemplo ensinado por Srila Prabhupada, de que se deve regar a árvore na raiz, de que se Krishna está satisfeito, todas as outras criaturas estão satisfeitas, assim como se deve nutrir o estômago, não a vista ou o olfato.

Explicou que o trabalho executado para Krishna é o maior benefício que se pode oferecer para todos, que mesmo o trabalho humanitário não dá nutrição para o corpo universal, que é a Suprema Personalidade de Deus.

Devakinandana prabhu apontou que, quando Sri Caytania Mahaprabu fora interrogado acerca de qual seria a posição constitucional da entidade vida, respondera que era a de servo eterno de Krishna. Assim, qualquer talento que tenhamos deve ser utilizado em favor de Krishna, de forma que na Consciência de Krishna esse é um ponto muito claro.

O palestrante explicou que é da nossa natureza buscar sermos felizes, e que todos os percalços da natureza material são frutos da ilusão, de forma que, quando revivermos nossa posição constitucional, toda a ilusão esvair-se-á, fazendo com que retornemos à posição de eternidade, sabedoria e bem-aventurança.

Devakinandana brindou a platéia com uma lembrança sua, contando a todos que presenciara, certa feita, um professor de massagem ayur-védica mulçumano citando o verso em comento. O palestrante, assim, sublinhou a importância do texto para a cultura indiana.

Relembrou-se, também, que questionara seu mestre espiritual, Sua Santidade Hrdayananda Das Goswami, acerca desse verso, em contraposição com a necessidade da manutenção do corpo. Como resposta, seu Guru explicara que o corpo humano é um instrumento para a satisfação de Krishna; então, nessas exatas condições, o serviço para a manutenção do corpo também poderia ser considerado como um serviço a Sri Krishna.

O expositor, quanto ao serviço que pode ser feito para satisfazer Krishna, disse que tem início no cantar dos Santos Nomes de Krishna. Disse que nessa Era o Mahamantra é a benção traduzida na atividade básica pela qual removemos a contaminação material, a ilusão, e voltamos ao Supremo.

Quanto ao trabalho de rotina, o palestrante alertou que esse deve ser feito sempre no modo da bondade; porém, se quisermos o resultado desse trabalho, geraremos apego e isso seria inauspicioso.

Lembrou, também, que sempre que trabalhamos, queremos maximizar sucesso, mas nem sempre o resultado é o desejado, e embora tenhamos que fazer e querer sempre o melhor para Krishna, não podemos nos entristecer com o fracasso, mas sim, devemos nos livrar das dualidades (nos estabelecendo no Eu). Nesse sentido, Krishna fala para Arjuna abrir mão de ganho e segurança. Assim, a Suprema Personalidade de Deus fala para nos livramos dessas ansiedades da vida material.

Devakinanda prabhu disse para a entretida platéia que todos buscamos Krishna como a um gosto superior. Disse, ainda, que, embora Krishna não precise de nada, por sua natureza amorosa ele aceita o serviço prestado a Ele.

Nesse ponto, o palestrante explicou que alguns dizem que é fácil amar, mas alertou a todos de que amar não é tão fácil quanto dizem. É preciso amar a Krishna sem inveja, devendo ter-se a consciência de ser desfrutado por Ele, e não a de desfrutar dEle. Terminou sua palestra dizendo que, com essa consciência de ser desfrutado por Krishna, alguém inicia o caminho do serviço devocional.

Texto: Bhakta Daniel
 

 
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