ABV - Associação Bhaktivedanta Vaishnava. Fundador-Acarya: A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

  
 
 

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:: Aula de Domingo com Devakinandana Das

A aula nesse último Festival de Domingo, dia 18.11.2007, foi ministrada por Devakinandana Das, discípulo de Sua Santidade Hrdayananda Das Goswami, um sacerdote a serviço da missão de Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, e  um grhasta antigo e aplicado do yatra de São Paulo.

O verso escolhido foi o 6, 29 do “Bhagavad Gita como Ele é”, que em português foi traduzido como "O verdadeiro yogi Me observa em todos os seres e também vê todos os seres em Mim. De fato, a pessoa auto-realizada vê a Mim, o mesmíssimo Senhor Supremo em toda a parte".

Acompanhado por Dina-bandhu prabhu na mrdanga, o palestrante cantou a importantíssima canção Jaya Radha Madhava, o Pranama de Prabhupada, o Panca Tattva Maha Mantra e, como não poderia faltar, o Maha Mantra. A atmosfera estava profundamente espiritualizada ao som de Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare.

Terminado o pequeno bhajam, glorificando Suas Onipotências Jagannatha, Baladeva e Subhadra, Goura-Nitai, bem como a Prabhupada e o mestre espiritual, o palestrante introduziu os neófitos ao contexto do Bhagavad Gita, da Batalha de Kurukshetra e do diálogo entre Krishna e Arjuna.

Devakinandana Prabhu, meditou nos pranamas de seu mestre espiritual e de Prabhupada e leu o verso, sua tradução e seu significado.

Abriu sua explanação chamando a atenção de todos para a situação de Krishhna para com todas as entidades vivas, explicando que o Senhor, enquanto Superalma, está situado no coração de todas essas entidades, sendo essa uma prerrogativa exclusivamente Sua, de forma que é testemunha e sancionador de todas as atividades por elas desempenhadas.

Explicou também que, nessa posição, Krishna escuta o apelo daqueles que querem sair do Mundo Material, observando quando a entidade viva quer se estabelecer como Seu servo eterno. Krishna, nessa situação, atende esses desejos do devoto sincero, bem como atende os desejos de atividades fruitivas, que são impulsionadas pelos três modos da existência material, e fazem com que a entidade viva se esqueça dEle.

O palestrante argumentou que se alguém se lembrasse todo o tempo de Krishna, esse alguém não se entregaria às atividades fruitivas, mas apenas à Suprema Personalidade de Deus. Disse que, esquecendo-se de Krishna, a entidade viva assume diversos corpos, para que possa experimentar a energia ilusória; e que a energia ilusória não é boa nem má per si, ela é divina, mas se torna má quando nos afasta de Krishna.

Devakinandana explicou que nos Upanishads existe a imagem da árvore com dois pássaros, um experimentando seus frutos, outro testemunhando os fatos. Explicou que o pássaro que se intoxica com os frutos dessa árvore, que representa a energia material, somos nós, e a testemunha sancionadora é a Suprema Personalidade de Deus, Sri Krishna.

Disse, o palestrante, que Krishna habita, como Superalma, não só devotos, mas todas as criaturas vivas, como animais e plantas, de forma que, onde pode se manifestar vida, lá estará Krishna como Superalma. Mas isso não significa que Krishna é contaminado com a energia ilusória. Devakinandana Das explicou que isso não ocorre nem no mundo material, nem no espiritual, sendo Krishna, auto-satisfeito.

Em linguagem direta e acessível, o palestrante disse que Krishna "não tem nada a fazer aqui". Disse que, quando a Suprema Personalidade de Deus desce, pessoalmente, ao mundo material, Ele o faz para proteger seus devotos e aniquilar os canalhas, mas mesmo descendo, não se contamina com a energia material; e explicou que a neutralidade de Krishna é comparável à da mãe para com todos os seus filhos. Na posição de Paramatma, ele reside no coração de todos os seres vivos.

Devakinandana Das explicou que o ser vivo está situado na energia do Senhor. Uma energia ilusória, mas, ainda assim, nosso habitat, pois aqui desenvolvemos nossas atividades, nossos planos, e somente saímos dela quando desenvolvemos amor puro por Krishna.

Argumentou que a energia de Krishna se divide em Para e Apara Prakrit, energia superior e inferior, mas que a entidade viva está sempre na energia de Krishna, por mais que pense ser independente. Alertou, o palestrante, que não há como alguém se apartar dessa energia, pelos simples fato de que não há nada além dela.

Devakinandana prabhu explicou que alguém poderia se perguntar como poderia ser um servo de Krishna, se é um ateu ou um materialista. Respondendo a essa pergunta, o palestrante explicou que, sendo parcela de Krishna, não há como deixar de se servir a Deus. Explicou que se não se serve diretamente a Krishna, serve-se às demandas corpóreas em razão de fome, sono, impulso de acasalamento etc. Porém, ressalvou o palestrante, quando alguém se volta à vida devocional, esse alguém se torna um servo bem-aventurado sob a orientação apropriada de um mestre espiritual.

Devakinandana prabhu explicou que, no Bhagavad Gita, Krishna, em pessoa, diz estar no coração de todas as entidades vivas, dirigindo-lhes todas as andanças. Assim Krishna não distingue pessoas boas ou más como local de repouso da superalma, Ele está em todas as pessoas.

Explicou que para nos voltarmos à vida devocional, e limparmos nossos corações de nossas impurezas, e para que desenvolvamos amor puro por Krishna e possamos voltar ao supremo, devemos nos engajar nos processo do serviço devocional.

Terminada a explanação, Devakinandana Das abriu espaço para perguntas e respostas.

A primeira pergunta, formulada por um membro da platéia, inquiriu o que era serviço devocional.

Respondendo a essa pergunta, o palestrante explicou que é a ocupação eterna de todas as entidades vivas. Disse que o serviço devocional percorre nove processos, que começam com ouvir sobre Krishna. Explicou que, ouvindo sobre Krishna, desenvolvemos um gosto sobre isso, e a partir daí vem o cantar sobre Krishna, o lembrar-se de Krishna, o que gera muitas conexões com Ele, posto que Ele está no coração de todos. Explicou que exercitando essas conexões vem o serviço a Seus pés de lótus, a adoração e, também, vem as orações a Krishna. Nesse ponto advertiu, o palestrante, que devemos sempre, primeiro glorificar a Krishna, antes de lhe pedir por misericórdia.

Voltando à resposta, disse vir, como próxima etapa do serviço devocional, o engajamento na posição de servo, o que deságua na amizade a Krishna, o que, por fim, resulta em atmani-vedana, que é oferecer-se, completamente, a Krishna, entregando-se a ele sem ressalvas.

Outro membro da platéia indagou sobre ser ou não possível, para a entidade viva, libertar-se da energia material.

Como resposta, Devakinandana disse ser possível, desde que essa entidade viva se renda a Krishna. Disse que aqueles que se rendem a Krishna conseguem superar a energia ilusória. Disse que, segundo Prabhupada, a função da energia ilusória é mortificar a entidade viva, assim a entidade viva busca se libertar desse sofrimento.

Após essa resposta, outra pergunta surgiu, agora no sentido de indagar se, estando Krishna no coração de todos, se uma entidade viva não canta, mas serve as demais entidades, então essa entidade viva praticaria atividade piedosa ou serviço devocional.

Devakinandana Das respondeu que se a entidade viva oferece isso a Deus, mesmo sem saber Seu nome, isso é um serviço. Mas é necessário que essa atividade seja executada com a mentalidade de comprazer a Deus.

Outra pergunta indagou quais seriam as pistas para se sentir a autorealização.

O palestrante explicou que, se alguém se desinteressa por executar atos para a satisfação do corpo, e se interessa em executar atos para a satisfação de Krishna, isso é um sintoma de que se está caminhando em vida devocional. Explicou que, quando alguém dá um passo em direção de Krishna, Krisha dá dois na direção desse alguém, em retribuição.

Perguntaram, ainda, se o fato de se entrar no Templo já significaria algum tipo de relação com Krishna.

Respondeu, o palestrante, que uma vez que alguém entra no templo, esse alguém é puxado de volta ao Supremo, mesmo que isso demore, e que ocorra vida após vida, mas isso já indica o início do processo.

Por fim, ressoou o búzio do Pujari, e o altar se abriu, ao que se seguiu um doce Kirtana.

Texto: Bhakta Daniel
 

 
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