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No último domingo, dia
13/04, o Adi-Templo comemorou com um grande festival o
dia do aparecimento do Senhor Ramacandra, um dos
principais avatares do Senhor Krishna, que apareceu na
Terra na Treta Yuga, a segunda Era do tempo cíclico da
criação material , em que o vício começa a ser
introduzido na sociedade.
Tivemos então uma aula muito interessante a respeito
desse dia tão auspicioso, ministrada por uma devota
muito erudita, Mataji Gitamrta Devi Dasi.
Foi escolhido o verso 53, do capítulo 10, do 9º Canto do
Srimad Bhagavatam.
Nadhi- vyadhi-jara-glani
Dunkha-soka-bhaya-klamah
Mrtyus canichatam nasid
Rame rajany adhoksaje
Na- não; adhi- sofrimentos adhyatmika, adhibhautika e
adhidaivika (isto é sofrimento causados pelo corpo e
pela mente, por outras entidades vivas e por fenômenos
naturais); vyadhi- doenças; jará- velhice; glani- pesar;
duhkha- aflição; soka- lamentação; bhaya- medo; klamah-
e fadiga; mrtyuh- morte; ca- também; anicha-tam-
daqueles que não a queriam; na asit- não havia; rame–
durante o reinado do Senhor Ramacandra ; rajani- por ser
Ele o rei; adhoksaje– a Suprema personalidade de Deus,
que está além deste mundo material.
Tradução:
Não invejo ninguém, nem
tampouco sou parcial com alguém. Sou igual para com
todos. Porém, todo aquele que Me presta serviço com
devoção é um amigo, e está em Mim, e Eu também sou seu
amigo.
“Significado: "Todas
essas condições favoráveis existiam devido a presença do
Senhor Ramacandra como rei do mundo inteiro. Mesmo nesta
Era de Kali, a pior de todas as eras, poder-se-ia
imediatamente introduzir uma situação semelhante. Esta
dito que kali-kale nama rupe Krsna-avatara: Nesta Kali –
Yuga, Krishna desce sob a forma de Seus santos nomes -
Hare Krishna, Hare Rama. Se cantarmos sem cometermos
ofensas, Rama e Krsna ainda estarão presentes nesta era.
O reino de rama era muitíssimo popular e benéfico, e a
difusão deste movimento Hare Krsna pode imediatamente
introduzir uma situação semelhante , mesmo nesta Kali –
Yuga.”
Após a leitura, Mataji Gitamrta citou o
Bhagavad Gita 4.7, verso em que Krishna diz: "Sempre
onde quer que haja um declínio na prática religiosa, ó
descendente de Bharata, e um aumento predominante da
irreligião, neste momento Eu próprio desço." e explicou
que, sempre que houver um declínio das práticas
religiosas, um aumento da irreligiosidade e as pessoas
ficarem carentes da presença divina, Krishna aparece
pessoalmente como um dos seus avatares, dos quais 10 são
os principais, sendo Ramacandra um dos mais conhecidos
no mundo inteiro.

Mencionou o Bhagavad Gita 3.21, onde se diz que, seja
qual for a ação executada por um grande homem, os homens
comuns o seguem, e o mundo inteiro se empenhará a imitar
todos os padrões que ele estabelecer através de seus
atos exemplares. Então, a devota nos disse que Krishna
aparece dando Seu exemplo pessoal para nós que, estando
no mundo material, em ignorância de conhecimento
transcendental espiritual, possamos adquirir um exemplo
de conduta , para termos uma vida com menos sofrimento,
almejando sair deste mundo material, pegando uma
passagem de volta ao mundo espiritual e encerrar o ciclo
de nascimentos e mortes.
Concluindo sua menção ao Bhagavad Gita, a devota citou o
capítulo 3, verso 23, onde Krishna diz : "Pois se Eu
alguma vez deixasse de Me ocupar na cuidadosa execução
dos deveres prescritos, ó Partha, decerto todos os
homens seguirão Meu caminho". Portanto a devota deduziu
que Krishna é o primeiro a seguir as leis, o único que
nunca as quebra e que Ele faz isso para estabelecer o
exemplo de conduta, pois se Ele não o fizer, todos dirão
"Mas se Deus não segue as leis, porque eu vou seguir?"
Logo, Krishna vem na forma do Senhor Ramacandra, como o
rei ideal , seguindo todas as leis e se sacrificando
pessoalmente para dar o exemplo, confirmando Sua palavra
, de que se Ele não seguir as leis, todo mundo terá uma
desculpa para quebrá-las; portanto, Ele é a
personificação das leis, o primeiro a segui-las,
mantendo-as, e quando elas forem perdidas, ele volta e
as restitui.

Gitamrta nos falou que o Bhagavad Gita é um livro
importantíssimo para a vida espiritual e também
introdutório. É dito como o primeiro livro que devemos
ler, mas também é preciso lê-lo a vida inteira. Ele nos
diferencia da condição animal, pondo-nos na plataforma
humana de vida, que é perguntar a respeito de Deus.
Então, de acordo com a cultura védica, a cultura de
Krishna, se você está na condição humana e não pergunta
acerca de Deus, da natureza espiritual, da sua relação
com Deus, com o mundo material e qual a relação do mundo
material com Krishna, Deus, então a pessoa encontra na
plataforma animal de vida, não sendo diferente de um
animal. Entende-se então que, para chegar à plataforma
humana plenamente, devemos inquirir sobre a nossa real
posição, qual a posição de Deus, e como nós nos
relacionamos com Ele, e o Bhagavad Gita vem a isso,
passando os princípios básicos e necessários à entidade
viva, que está na ignorância da vida material, para
então começar a vida espiritual. Mas a devota disse que
toda a bagagem necessária não se encerra por aí.
Nos disse que, uma vez que entendemos, por exemplo, a
sociedade divina, de acordo com o Bhagavad gita, e
tentamos agir de acordo com ela, que por ser divina nos
levará à auto realização, a entender Deus e portanto nos
libertará do cativeiro material, é necessário filosofar
mais, e para isso temos o Srimad Bhagavatam, ou
Bhagavata Purana, que é o "fruto maduro" da cultura
védica, a cultura milenar de Krishna, onde está tudo o
que devemos saber. Só que, para compreendermo-lo
plenamente, há um desafio. Devemos lê-lo com fé em
Krishna e com o humor correto; mas o que seria este
humor correto?
A devota nos citou Srila Prabhupada, que
diz que uma pessoa que lê o Srimad Bhagavatam apenas por
ler, porque é uma literatura antiga da Índia, ou porque
é um belo livro, possuindo belos romances, não está com
o humor apropriado para entendê-lo plenamente. O humor
correto é ler o Srimad Bhagavatam entendendo que a meta
última desta leitura é entender Krishna, é a auto
realização, a liberação. Logo, Mataji Gitamrta nos
questionou " Mas esta explicação não foi a mesma que eu
dei para o Bhagavad Gita? Se o Srimad Bhagavatam está um
nível a cima, então qual é a diferença?" e Gitamrta
justificou-se dizendo que a diferença está na nossa fé
em Krishna, que é posta à prova.
A Mataji explicou que no Bhagavad Gita é tudo "certo ou
errado", "preto ou branco", "8 ou 80", logo a explicação
é sempre muito clara, direta e muito bem explicada; já
no Srimad Bhagavatam, as fronteiras se misturam, e
devemos entender quem é e quem não é devoto. As
fronteiras não são tão claras e é preciso ter fé nas
palavras de Krishna para entender as suas atividades
transcendentais, suas aventuras amorosas e heróicas.
Entramos no humor de Krishna, onde nada é lógico, linear
ou de fácil compreensão. A nossa fé é testada, e devemos
entender Krishna como verdade absoluta, estando Ele além
de nossas regras de certo ou errado, de sagrado ou
profano, de bem ou mal. Krishna tem a sua própria
compreensão do que é tudo isso, e é esse humor que
devemos abordar quando nos propormos a ler o Srimad
Bhagavatam; fé em Krishna e uma mente aberta, pronta
para uma nova cultura, que é a cultura eterna de que
estamos esquecidos, e prontos para abrir mão da cultura
judaico cristã que fomos criados e estamos "atolados". A
devota ainda frisou: "Eu vou entender Deus como Ele quer
que eu entenda, e não de acordo com a minha visão de
mundo, com a cultura que meus pais me deram, vou começar
do zero! Vou me atrever a nascer como dvidya, o duas
vezes nascido. Nasci na barriga de minha mãe e agora,
quando me aproximo do Srimad Bhagavatam, eu tenho que
ter pelo menos a intenção de nascer de novo, porque
Krishna vai pôr à prova tudo o que eu acho de certo/errado,
de bem ou mal. Esse é o Srimad Bhagavatam!"
Dando continuidade a sua explicação, Gitamrta disse que
os Cantos 1 e 2 do Srimad Bhagavatam são introdutórios,
como se fossem um resumo do Bhagavad Gita. Lá são
lembrados aspectos fundamentais, tais como o fato de que
não somos este corpo, mas sim uma alma eterna, qual a
nossa relação com Deus, e também o objetivo da vida
humana, que é inquerir sobre o absoluto. No Canto 2
começa-se a falar de Deus e seus avatares, citando o
Senhor Ramacandra e prosseguindo, e começa-se a falar
sobre a criação, que será coberta também no Canto 3. Com
uma interpretação devida, entenderemos que Krishna nos
avisa tudo o que devemos saber a respeito do mundo
material, para entendermos que basta! Ou seja, tudo o
que devemos entender sobre o mundo material está ali, e
de agora em diante, já supridos de informação a respeito
deste mundo, devemos parar de buscar conhecimento que
seja material.
Já no 4º Canto do Srimad Bhagavatam começam as histórias
dos devotos de Krishna, e Ele começa a dar exemplos da
conduta humana ideal, ou seja, de Seu devoto, uma pessoa
que inquira sobre a natureza espirital e deseja voltar a
Ele, ao Supremo, e temos exemplos dos mais diversos,
como Devahuti e Kadamba Muni, que são a perfeição do
casal em matrimônio. Com este exemplo Krishna já avisa
que neste mundo é normal que as pessoas se casem, e
portanto nos dá no 4º Canto tal modelo, que todos ao se
casarem devem ter para constituir uma família.
Encontramos Ramacandra no 9º Canto, e Mataji Gitamrta
nos explicou a ordem dada, pois temos umas escala de
perfeição, que começa do mais material possível, a vida
de casado, até o rei ideal, o governante ideal, sendo o
9º Canto praticamente dedicado aos governantes, e no
qual todos os exemplos dados são de reis. É tido como o
Canto mais difícil e, por esta razão, encontra-se
capítulos à frente no Srimad Bhagavatm. Lá é dito que se
um governante, mesmo estando nesta era de Kali,
conseguisse seguir os parâmetros dados neste Canto, sem
dúvida conquistaríamos o paraíso na Terra, pois seria um
governante ideal, possuiria todo o reino em suas mãos e
beneficiaria toda a
população.
Gitamrta diz que encontraremos com Ramacandra muitas
aventuras e passatempos e que, por ser uma encarnação do
próprio Krishna, que é Deus, a primeira pessoa, está
absorto em sonhos românticos. Então Mataji Gitamrta fez
uma pausa e disse "Se assustaram?", causando os risos
dos ouvintes, e explicou que não existe Krishna sozinho,
sem suas consortes, que não existe Krishna sem amor,
principalmente sem o amor conjugal e que, se não
encaramos Deus dessa forma, devemos rever nossos
princípios. Logo, Deus é uma pessoa absorta em sonhos
românticos, e não é diferente quando Ele vem na forma de
Ramacandra, a perfeição do rei.
Após esta introdução bem explicativa, visando situar o
ouvinte no humor do festival do Aparecimento do Senhor
Ramacandra, Mataji Gitamrta nos contou o passatempo de
Ramacandra e Sita, a maior história de amor de todos os
tempos.
Havia um rei chamado Ravana (aquele que causa lágrimas,
não de bem aventurança, mas de sofrimento), que
pertencia a uma raça, os rakshasas, uma raça quase
humana, porém superior a esta, mas também inferior aos
semideuses, que possuíam força e poderes místicos.
Ravana era poderosíssimo, vivia no Sri Lanka e tinha um
reino que era todo em ouro, riquíssimo, e ninguém
conseguia superar a sua opulência. Ravana também era
poderoso em forças militares, então ele decidiu
conquistar o universo e, assim, conquistou os 3 sistemas
planetários. Logo começou a incomodar os semideuses, que
não conseguiam vencê-lo, nem mesmo Indra, o maior dos
semideuses em importância, e que então oraram a Vishnu,
o próprio Krishna, para que Ele os socorresse, pois
estavam sendo subjugados por Ravana. Dessa forma,
Krishna decide vir sob a forma do Senhor Ramacandra para
combater Ravana.
A devota nos alertou que as aventuras bélicas e
românticas de que Krishna dispõe nesse mundo são apenas
passatempos, sendo que Ele pega Sua trupe de teatro, com
seus atores coadjuvantes e assistentes e vem a esse
mundo nos purificar, ensinando com Suas aventuras. Então
Ravana faz o papel de adversário divino e Ramacandra
representa a lei divina, colocando ordem no mundo.
Outro aviso, foi que deveríamos entender que essas
aventuras, ou seja, as relações de Krishna com os seres
vivos, seus adversários e coligados, respeitam um
mecanismo muito certo, exato e matemático que existe
neste mundo, que é a lei de ação e reação, sendo que não
há atividade que aconteça que já não tenha sido
provocada por uma ação anterior. Então a existência de
Ravana possui uma explicação, assim como a vinda de
Krishna como Ramacandra; dessa forma, de acordo com a
cultura védica, não existe o acaso, mas sim todo um
resultado de uma cadeia de acontecimentos que é
científica, trabalhando com a ação e a reação.
Continuando, Gitamrta nos falou de Sita, que é a própria
Lakshmi, Deusa da fortuna, esposa de Vishnu. Estava
Lakshmi meditando nos Himalaias, e Ravana sobrevoando
com sua nave a viu, se encantou e logo pensou: "Eu sou
tão poderoso, tenho tudo, como não terei essa mulher?",
e decidiu descer, e a abordou de forma desrespeitosa,
sem considerar se ela era casada ou solteira, se estava
com o seu guardião, se estava sozinha, ou se estava ali
procurando companhia. Lakshmi, que é casada, sentiu-se
insultada, pois de acordo com a cultura védica um homem
não pode abordar uma mulher, principalmente se esta for
casada, podendo abordá-la somente por meio de seu tutor,
que pode ser seu pai, seu esposo, ou seu filho (no caso
da mulher ser viúva). Então, Lakshmi amaldiçoou Ravana,
dizendo-lhe que ele iria morrer por tê-la insultado, e
com o seu poder místico, entrou na Terra, para não mais
ficar em contato com Ravana. Lembrando-nos, Mataji
Gitamrta nos disse que eles teriam que voltar para
resolver aquela situação, pois toda ação possui uma
reação.
Então, Lakshmi aparece sob a forma de Sita no reino de
Ravana como um bebê e a mãe de Ravana, ao encontrá-la,
vê aquela criança linda, resplandescente, divina e diz :
"Esta criança será a ruína deste reino", e imediatamente,
coloca a criança num cesto rio abaixo. E Mataji Gitamrta
brinca "Já ouviram esta história antes?", e sorridente
diz que tudo se copia.
Sita desce o rio dentro do cesto e vai bater na margem
do palácio de Janaka, que a vê e, junto com sua esposa,
a adota como filha. Criada pelo casal e tornando-se uma
princesa, desde pequena Sita mostrara vislumbres de
natureza transcendental espiritual. Chegando a época de
Sita se casar, Janaca faz uma famosa cerimônia de
escolha do noivo, onde vários príncipes se apresentam e
participam de um torneio para ver qual é o mais
qualificado para se casar com a princesa. A prova era
pegar um arco divino, pertencente a Siva, que para
levantá-lo era preciso mais de 300 homens, e envergá-lo
e colocar a corda para usá-lo. E Ramacandra estava
presente (é claro), de modo que a Suprema Personalidade
de Deus pega o arco e, com sua força inconcebível,
quebra-o, tendo uma vitória indiscutível, e casando-se
com Sita.
Como é da cultura védica, a mulher ao se casar passa a
pertencer a família do esposo, logo Sita vai ao reino de
Ramacandra e chegando lá, Ramacandra está para ser
coroado rei, herdeiro de seu pai Dasharatha. Mas uma de
suas esposas, Kaykeyi, envenenada por sua criada mal
intencionada que lhe diz "Como você irá deixar que seu
esposo coroe Ramacandra, que já é bonito, conhecido nos
3 mundos, com força inesgotável, ao invés de seu filho
Bharata? Você permitirá que Bharata seja sempre o criado
de Ramacandra?", cobra de seu esposo Dasharata uma
antiga promessa, uma benção, e pede que Dasharata
expulse seu filho Ramacandra do reino para que ficasse
em exílio por 14 anos, de modo que Bharata ficasse em
seu lugar, como rei.
O pedido de sua esposa, para Dasharasta, fora como a
morte, porque Rama era seu filho mais velho, e também o
mais querido, pois era o próprio Krishna! Mas ele a
prometeu uma benção e a devota nos explicou que para um
rei, um guerreiro, um Ksatrya, a palavra é a vida. Logo
ele, muito pesaroso, cumpre com sua promessa e diz a
Rama que ele deveria ir à floresta e lá ficar em exílio.
Seu filho o obedece, e ao sair do reino, Lakshmana , Seu
irmão caçula diz que irá acompanhá-lo e que não o
deixará partir sozinho.

Sita, a princesa e esposa de Ramacandra, ao ver seu
esposo partir, diz a Ele: "Eu sou sua esposa, e meu voto
é segui-lo, eu vou com você!". Ele a repreende, dizendo
que ela não iria, pois era uma princesa e não deveria
passar pela austeridade que Ele iria passar, mas Suas
palavras de nada adiantam, e Sita O acompanha. Então o
Senhor Ramacandra, Sita e Lakshmana saem do palácio
somente com a roupa do corpo e vão morar na floresta.
A devota nos contou que Krishna faz esses passatempos
para nos ensinar lições, e em seu passatempo como Senhor
Ramacandra decide colocar sua serva muito querida, Yoga
maya, para cobri-lo de ilusão, para que ele pudesse
executar seu teatro com perfeição na Terra. E Mataji
Gitamrta, desejosa de nossa compreensão, disse "Imaginem
só, Deus, que é onipresente e sabe de tudo, permite que
sua devota querida o cubra de ilusão, para que Ele possa
manifestar sua aventuras!", e então Yoga maya cumpre o
Seu pedido, fazendo com que o Senhor Ramacandra se
esquecesse das regras por alguns instantes.
Prosseguindo, a irmã de Ravana, Surpanakha, aparece na
floresta e se apaixona por Rama quando o vê. Por ser uma
rakshasini, e os rakshastras serem caracterizados por
dentes afiados, garras, e formas assustadoras para a
nossa concepção atual, ela com o seu poder místico se
mascara em uma bela mulher, aparece para Rama e diz : "Quero
você". Ocorre que na cultura védica é dito que quando
uma mulher se aproxima de um guerreiro querendo um filho,
ele não pode recusar , pois seria uma desonra. Porém
Rama fez um voto de ter apenas Sita como esposa, e após
o pedido da rakshasini, recusa-se a atendê-la e lhe
oferece Seu irmão em Seu lugar, que por sua vez também
não aceita. Os três permaneceram nesta discussão até que
Surpanakha, ficando irada, manifesta a sua forma
assustadora de Rakshasini, e os dois irmãos se mostram
muito aliviados por não a terem aceitado, e começaram a
brincar com ela. A rakshasini, porém, fica enfurecida,
passando a ameaçá-los, e Lakshmana, por estar coberto
pela ilusão de Yoga maya, dispara uma flecha que corta o
nariz e a orelha da rakshasini. Logo, este foi outro "erro"
causado por Yoga Maya, que ao cobri-los com ilusão a
pedido do Senhor Ramacandra fez com que Lakshmana
punisse uma mulher, o que não poderia ser feito de
acordo com o Manusamhita; uma mulher não pode ser punida,
e caso ela tenha feito algo de errado, quem deverá ser
punido é o seu tutor. Então, os irmãos a puniram e
devido a esta ação, eles sofreriam uma reação.
Surpanakha vai então ao reino de seu irmão Ravana, toda
desfigurada, e ele pergunta o que acontecera, e
Surpanakha narra todo o ocorrido, porém acaba
descrevendo Sita ao irmão, e apenas ao ouvir a descrição,
Ravana lembra de Lakshmi e se apaixona por Sita,
pensando que, agora, ela não escaparia de suas garras, e
vai até a floresta, mais uma vez, desconsiderando que
ela era casada, uma princesa, e decide raptá-la.
Gitamrta mais uma vez nos alerta que a pedido de
Krishna, Yoga Maya faz um arranjo para que houvesse uma
sucessão de pequenos erros, logo, toda ação resultaria
em uma reação; então Ravana morreria, pois desrespeitou
Lakshmi, e Ramacandra ficaria longe de Sita, pois puniu
uma mulher, mesmo esta sendo uma rakshasini.
Sita também cometeu erros que a fizeram ficar longe de
Ramacandra. O primeiro, explicado pela devota, fora a
ganância. Nos vedas está dito que o ponto fraco da
mulher é a ganância, e que esta é a sua ruína. Quando
uma mulher se casa, ela terá que se submeter à condição
material de seu marido e não poderá obrigá-lo a dar mais
do que ele já tinha quando se casaram. Então Sita,
morando na floresta, e lá vivendo como uma simples
habitante, viu um veado de ouro e jóias preciosas (que
era um rakshastra que, por ordem de Ravana, havia se
disfarçado com seu poder místico e chamou a atenção de
Sita) e, lembrando-se que era uma princesa, pediu-o para
Rama, e Este, apaixonado por sua esposa, disse-lhe que a
satisfaria e pediu para que Lakshmana ficasse e tomasse
conta de Sita, pois na cultura védica uma mulher nunca
pode ficar sozinha, nunca pode ficar desprotegida.
Após Sua partida, Ravana imita a voz de Ramacandra
pedindo socorro a Lakshmana, que fica atordoado: "Meu
irmão está em perigo, preciso socorrê-lo, mas não posso
deixar Sita sozinha!". Mas Sita o contradiz, dizendo-lhe:
"É lógico que você vai, meu esposo está te chamando, eu
ordeno que você vá!". Este foi o segundo erro de Sita,
pois ela foi contra os preceitos védicos, ordenando que
Lakshmana a deixasse sozinha, para ir socorrer
Ramacandra.
Antes de deixá-la, Lakshmana faz um círculo em volta da
cabana, invocando Agni, o semideus do fogo, para
proteger Sita, e diz a ela: "Você será protegida por
este círculo, mas não abuse! Não atenda ninguém, não
receba ninguém, não fale com ninguém!" E Sita concorda
com seu cunhado.
Após a saída de Lakshmana, Ravana aparece sob a forma de
um medicante e pede comida a Sita, dizendo que está com
fome e sede, e ela se abala, pensando que ele não
passava de um pobre velhinho, e com o seu coração mole,
decide ajudá-lo, se esquecendo da promessa que fez a
Lakshmana e aproximando-se suficientemente do círculo a
ponto de Ravana puxá-la para fora e raptá-la. Desenrola-se
então uma guerra, e Mataji disse que haviam muito
detalhes para ela descrever, de modo que permaneceria
apenas no romance.
Rama sofre porque está longe de sua Sita e Sita sofre
porque está longe de seu Rama, e é dito que Rama, assim
que percebe que Sita foi raptada, manifesta todos os
sintomas da separação espiritual.
A palestrante nos disse que a nossa meta nesse mundo é
relembrar, ou sentir a saudade que nós temos latente de
Krishna, porque estamos separados dEle, mas que nós só
sentimos isto com um processo de purificação espiritual
e só assim teremos o grande prêmio, que é sentir saudade
de Krishna. E Rama, quando se viu separado de Sita,
manifestou todos os sintomas dessa saudade, nos dando
exemplo e aos poucos nos lembrando do que nós deveríamos
estar sentindo agora.
Sita ficou presa no palácio aos cuidados de uma
rakshasini, sofrendo, emagrecendo e ficando fraca, e
enquanto isso, o Senhor Ramacandra conseguia aliados
poderosos, como um exército de macacos. De acordo com a
cultura védica, não existe evolução darwinista, mas sim
uma involução. Desse modo, naquela época já existiam
macacos, logo, nós não viemos deles, mas sim,
convivíamos com eles. Havia uma coexistência, e dela
surgiu uma outra história, que é a da maior amizade do
mundo, Hanuman e Ramacandra! Mas esta é uma outra
história...
Gitamrta prosseguiu dizendo que Hanuman foi o primeiro a
chegar no palácio de Ravana e ver Sita, e sentiu tanta
raiva ao ver o seu Senhor Ramacandra separado de sua
Sita e ambos sofrendo, que ele incendiou a cidade de
ouro do rakshasa Ravana; Mataji fez então menção a um
comentário de Prabhupada, em que ele diz que este tipo
de ira é bem vida, pois a ira foi usada por amor a Deus.
Dá-se a guerra e a batalha final, com o grande clímax,
onde Rama enfrenta Ravana, e Rama ganha a batalha com
uma flechada, e encerra a vida do rakshasa, e nesta hora,
a esposa de Ravana, também uma rakshasini chamada
Mandodari, quando vê seu corpo caído no campo de batalha,
o invade chorando e se joga sobre Ravana morto e diz : "Eu
te avisei que roubar uma esposa de outro homem era a sua
maldição, que Sita era uma esposa fiel e casta e que por
tocá-la você morreria, mas você não acreditou em mim." E
Mataji mais uma vez lembrou-nos de Prabhupada, que no
significado do verso diz que, uma mulher quando é casta
e fiel adquire poderes místicos, e quando ela dá uma
benção ou uma maldição, esta acontecerá.
Ramacandra fica comovido ao escutar as palavras de
Mandodari, que diz ao esposo: "Você morreu e não terá
seus rituais fúnebres, então você me amaldiçoa, porque
eu terei o seu destino!", e chama o irmão de Ravana, que
aliou-se a ele na batalha contra o seu próprio irmão e
pede a ele que faça os rituais fúnebres de Ravana e de
todos os que estavam do seu lado, quando é criticado por
Lakshmana, que diz: "Meu irmão, o que você está fazendo?
Eles morreram em batalha e são os nossos inimigos! Eles
não merecem rituais funerários!", ao que Rama responde:
"A guerra acabou, nós éramos inimigos enquanto vivos,
mas mortos somos todos iguais. Não passam de corpos, e
não passam de essências espirituais, almas eternas. Eu
sou um guerreiro, ainda lutarei muitas batalhas, mas
como humano, meu sonho é que não haja mais guerras!"
Assim Vibisha, o irmão de Ravana, faz os rituais
fúnebres e o Senhor Ramacandra o coroa, tornando-o rei
do reino dos Rakshasas, permitindo então que a espécie
continue.
Voltando a Seu reino, o Senhor Ramacandra é recebido com
festa e é coroado com abisheka, o banho que se faz nas
deidades, cuja origem é a coroação do rei. É coroado com
banho de leite, iogurte, mel e outras substâncias
auspiciosas, reinando por muitos e muitos anos.
Entretanto, um dia Ele decide vestir-se de plebeu e
andar por Seu reino à noite para ouvir o que seus
cidadão falavam dEle, e com isso ouve um marido
repreendendo sua esposa, dizendo-lhe "Eu vou abandona-la,
pois você foi à casa de um homem sem mim; eu não sou
controlado por mulheres, porque isso não é védico. Eu
não vou ser humilhado, desonrado por causa de sua
insensatez . Eu a abandono, porque eu não sou Rama que
teve Sua esposa na casa de outro homem , tocada por
outro homem e continua com ela como esposa. Eu não sou
Rama!"
Ouvindo isso o Senhor Ramacandra volta a Seu castelo e,
muito pesaroso, mas seguindo as leis e preservando Sua
honra, expulsa Sita do reino, sendo este Seu sacrifício.
Sita é expulsa grávida de gêmeos (mas Rama não sabia,
devido à ilusão de Yoga Maya), e toma abrigo em Valmiki
Muni, o primeiro dos poetas e encarnação de Krishna, que
narrará o Ramaina (a história que Mataji Gitamrta nos
sintetizou). Tomando abrigo em Valmiki Muni, Sita tem
seus dois filhos que aprendem o Ramaina de Valmiki e vão
até o reino de Ramacandra e cantam a história, como
trovadores, fazendo com que Rama a escutasse e quase
morresse novamente quando os trovadores cantaram o
abandono de Sita.
Explicando-nos sobre o tempo na Treta Yuga, a devota nos
disse que a sua contagem era bem diferente, e que o
Senhor Ramacandra, após a saída de Sita do reino, ficou
em celibato completo por 13.000 anos, fazendo um Agni
Hotra contínuo (uma cerimônia de fogo contínua) em honra
a Sita. Finalmente ela aparece e diz que Lhe provará que
nunca fora incasta e jamais tinha sido tocada por Ravana,
entrando no fogo que Ele havia mantido por 13.000 anos.
Porém, antes de entrar no fogo, Agni, o semideus do fogo,
surge do mesmo trazendo a Sita original, dizendo: "a Sua
Sita esta aqui. A que Você expulsou e pensou que havia
lhe traído é um clone!" Gitamrta então explicou que,
quando Lakshmana fez o círculo ao redor da cabana para
proteger Sita, Agni não só aceitou proteger Sita, como
fez mais que isso, que foi entregar Sita às semi-deusas
dos planetas celestiais, fazendo uma cópia perfeita de
Sita, e deixando-a na cabana. Logo, o que Ravana raptou
e tocou era um clone, e a devota ainda brincou com os
ouvintes, dizendo que clone não é novidade dessa época .
Finalizando a história, Sita prova sua inocência e sua
honestidade e diz para Ramacandra: "Nosso passatempo,
nossa aventura amorosa nesse plano acabou. Vamos
continuar como Vishnu e Lakshmi, e agora eu vou voltar
para minha mãe." Então Bumi, que é a própria Terra,
aparece e recolhe sua filha e ambas entram na Terra.
Logo, o Senhor Ramacandra, satisfeito com o Seu
passatempo e com o exemplo deixado, volta a Vaikuntha,
sendo esta a maior história de amor de todos os tempos,
SitaRama.
Terminada a aula, Mataji Gitamrta agradeceu a presença
de seus irmãos espirituais mais velhos e a seu esposo,
abrindo espaço para dúvidas, perguntas e comentários.
A primeira pergunta foi a respeito da Era de Kali, em
que um devoto questionou quando Kali Yuga terminaria, de
acordo com a Era Védica.
A devota respondeu que esta Era terminaria em 427 mil
anos, pois segundo a cultura védica, estamos no ano 5
mil, e completando sua resposta, disse que a Era de
Ferro, Kali Yuga, começou com o desaparecimento de
Krishna da Terra, há 5 mil anos, e que cada Era tem o
seu Avatar e o seu processo purificatório. Nessa Era
tivemos Caitanya Mahaprabhu, que apareceu na Bengala há
500 anos, e que concedeu-nos como processo para
voltarmos ao Supremo o cantar dos santos nomes.
Mataji Gitamrta explicou também que, apesar dos métodos
purificatórios coexistirem em todas as Eras, como a
adoração das deidades e controlar o Pranayama, cada Era
tem o seu meio mais fácil, mais propício, sendo que
nessa Era, de Sankirtana, o meio é cantar os santos
nomes de Deus, Hare Krishna e Rama. Lembrando que este
Rama a que se refere o mantra não é o Senhor Ramacandra,
mas sim Radharamana, que é Krishna que dá prazer a sua
consorte, sendo isto o que devemos meditar na hora de
cartarmos os santos nomes para voltar à residência
suprema de Krishna. Caso meditemos em Ramacandra vamos
parar em Ayodia, o reino de Ramacandra, que não deixa de
ser Krishna, porém é outro passatempo.
Em seguida, um devoto perguntou quem foram os dois
filhos de Sita.
A devota nos contou que eram eles Lava e Kusha, e que o
Senhor Ramacandra tinha três irmãos, Lakshmana, Bharata
e Shatrughna, sendo que todos eles também tiveram filhos
gêmeos e que cada um destes foi para uma região.
Shatrughna combateu um rakshasa e fundou um reino em
Mathura, que mais tarde será o reino onde Krishna
realizará seus passatempos. Bharata é o pai da dinastia
dos Pandavas, os Kurus, e concluindo esta explicação,
Gitamrta diz que Ramacandra estabelece o necessário para
mais tarde Krishna vir e manifestar seus passatempos.
Como uma terceira pergunta, um devoto questionou como
surgiram os aliados que ajudaram o Senhor Ramacandra na
batalha.
A palestrante respondeu que todas as espécies foram
criadas pelo Senhor Brahma, sendo que a criação está
descrita no 2º Canto do Srimad Bhagavatam, que explica
como tudo foi originado, todas as espécies, inclusive as
400 mil espécies de seres humanos.
Um quarto devoto nos comentou que Bharata havia ficado
muito zangado com sua mãe Kaykeyi, que pediu a
Dasharasta que exilasse Rama, e Mataji Gitamrta concluiu
dizendo que sim, Bharata ficara chateado com sua mãe,
pois para ele era uma desonra tomar o reino de seu irmão
mais velho, mas Ramacandra imediatamente oferece
reverências à Kaykeyi, dizendo que a perdoa, entendendo
suas razões como mãe, e ainda pedindo suas bençãos para
o Seu exílio; Bharata, vendo essa atitude, se compadece
de sua mãe. Mas Bharata nunca reinou de fato, tendo
colocado duas sandálias de seu irmão Rama no trono,
representando-o, e nunca tomando posição de rei.
Gitamrta nos disse que um episódio muito bonito que a
fez emocionar-se muitíssimo foi o momento em que
Ramacandra volta ao reino pois, quando Bharata o ouve,
vem com Suas sandálias na cabeça, vestido em um tronco
de árvore, com seus cabelos emaranhados e descalço – ou
seja, ele havia sofrido como o irmão sofrera. E Rama, ao
ver esta situação, sofre, pois sabe que o irmão sofreu.
Então a devota falou do amor que Krishna manifesta por
Seus devotos e seus associados, que é além de qualquer
concepção de amor que podemos ter nesse mundo.
Mais uma vez, a Mataji nos citou Prabhupada, que diz que
o vislumbre mais próximo que podemos ter do amor de
Krishna por Seus filhos, Seus devotos, é o amor de mãe,
e Prabhupada citava a mãe bengali, pois quem já teve a
oportunidade de vê-las se encanta com seus olhos, seu
jeito de andar, de se vestir; é praticamente
inconcebível a compaixão e o amor que essas mulheres
passam, apenas por vê-las.
A devota então disse que as mulheres tem a vantagem de
serem mães e de experimentar isso, e que os homens tem a
vantagem de terem mães e poderem experimentar isso como
filhos.
O último comentário foi de um devoto que disse que
Ramacandra, ao procurar por Sita, passou pelo Brasil, e
que isto está descrito no Srimad Bhagavatam.
Como complemento, Gitamrta nos contou que quando
Ramacandra não encontrou Sita na cabana, Ele saiu em
busca de Sua consorte e, percorrendo o mundo, Ele veio
ao Brasil, exatamente no Rio de Janeiro, de maneira que
Prabhupada dizia que o Rio de Janeiro é a cidade
maravilhosa, a cidade mais bonita do mundo, porque os
pés de Ramacandra a tocaram.
Fechando sua aula, a Mataji disse que vir ao templo Hare
Krishna é uma torção na visão de mundo ocidental, porque
de acordo com a cultura védica o mundo era um só
continente, que se chamava Bharatavarsha, e que os reis
védicos viveram aqui, por muitos anos, mas agora estamos
sofrendo uma involução. Eram reis que voavam em
aeronaves surpreendentes e não aviões que precisam de
combustíveis. Tudo era feito de jóias, em ouro. Eles
tinham armas e poderes místicos, sendo que para nossa
imaginação, nada neste mundo se compara e o que nós
vemos hoje, por mais opulento que seja, é lixo perto do
que já foi este planeta na era desses reis.
Gitamrta explicou que tudo era feito de ouro, e que o
ferro era o elemento mais baixo, sem valor, porém as
pessoas hoje o valorizam, sendo que ele está na armação
de todos os prédios, na panela que cozinhamos, no carro
que andamos. Em termos de valor, saímos do ouro para o
ferro, e hoje (a Mataji ressaltou, dizendo que não era
uma crítica, mas um comentário) as pessoas põe adornos
de ferro em seus corpos, os famosos piercings, e isto
para a cultura védica é debilitante. O alumínio é
considerado o excremento dos metais, e hoje a sociedade
venera o ferro, pois se não fosse ele, não haveria a
dita "civilização moderna ocidental"
Todas as glórias a Srila Prabhupada!!
Texto: Bhaktin Carla
Fotos: Madhumati Radhika Devi Dasi
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