Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna - ISKCON | Fundador-Acarya: A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

  
 
 

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:: Aula de Domingo especial dia das Mães

Aula do Bhagavad-Gita ministrada no dia 08/02/09, Domingo,
    por Kesava Kasmir Das


No Festival de Domingo do dia 08/02 recebemos, como palestrante, o prabhu Keshava Kashimir Das, discípulo de Sua Santidade Jayapataka Swami. Para sua aula, foi escolhido o Capítulo 6, Verso 16 do “Bhagavad Gita Como Ele É”:


naty-asnatas tu yogo
'sti na caikantam anasnatah

na cati-svapna-silasya
jagrato naiva carjuna
 

na - nunca; ati - demais; asnatah - daquele que come; tu - mas; yogah - ligação com o Supremo; asti - há; na - nem; ca - também; ekantam - cmexcessivamente; anasnatah - abstendo-se de comer; na - nem; ca - também; ati - demais; svapna-silasya - daquele que dorme; jagratah - ou quele que permanece em vigília demais; na - não; eva - nunca; ca - e; arjuna - ó Arjuna.

Tradução: Não há possibilidade de alguém tornar-se um yogi, ó Arjuna, se comer em demasia ou comer muito pouco, se dormir demais ou se não dormir o bastante.

SIGNIFICADO: Nesta passagem, recomenda-se aos yogis que regulem a dieta e o sono. Comer em demasia significa comer mais do que é necessário para manter-se vivo. Os homens não precisam comer animais, porque existe amplo suprimento de grãos, vegetais, frutas e leite. Segundo o Bhagavad-gita, considera-se que este alimento simples está no modo da bondade. Alimento animal é para aqueles que estão no modo da ignorância. Portanto, aqueles que se entregam ao consumo de produtos animais, de bebida, de fumo e de alimento que não é primeiro oferecido a Krishna sofrerão reações pecaminosas por comerem apenas substâncias poluídas. Bhunjate te tvagham papa ye pacanty atma-karanat. Qualquer um que coma para o prazer dos sentidos, ou cozinhe para si mesmo, sem oferecer seu alimento a Krsna, come apenas pecado. Quem come pecado ou come mais do que lhe é designado não pode executar yoga perfeita. É melhor que se comam apenas os restos do alimento oferecido a Krsna. O devoto consciente de Krsna não come nada que não seja oferecido primeiro a Krsna. Por isso somente ele pode atingir a perfeição na prática de yoga. Tampouco pode praticar yoga aquele que artificialmente se abstém de comer, inventando seu próprio processo de jejum. O devoto de Krsna observa jejum conforme recomendado nas escrituras. Ele não jejua nem come mais do que o necessário, e assim é competente para executar a prática da yoga. Quem come mais do que o necessário sonha muito enquanto dorme, e conseqüentemente dormirá em excesso. Não se deve dormir mais do que seis horas por dia. Alguém que nas vinte e quatro horas, dorme mais de seis horas, com certeza está influenciado pelo modo da ignorância. A pessoa no modo da ignorância é preguiçosa e tende a dormir bastante. Tal pessoa não pode executar yoga."
 


Prabhu Keshava disse-nos que todos sabemos o que não queremos, mas pouco sabemos sobre o que queremos.

Falou-nos que existe um néctar pelo qual estamos sempre ansiando e por isso estamos lutando, mudando de corpo e até mesmo de planeta, tudo porque estamos procurando o néctar de forma inadequada.

No Bhagavad-gita, Krishna diz para Arjuna que ele não quer cumprir com o Dharma, logo, dá-se a entender que ele não conseguirá obter o sabor da vida. Então explicou-nos prabhu Keshava que Dharma significa dever e que existem dois tipos de Dharma; a saber,o Dharma Condicional e o Dharma Constitucional.

Por Dharma Condicional entende-se os deveres que mantém o corpo material, como as nossas obrigações rotineiras, de estudar, trabalhar e assim por diante. Já Dharma Constitucional refere-se ao Sanathana Dharma, ou seja, os desejos íntimos e eternos da alma constitucional.

O palestrante explicou-nos que um animal selvagem não possui condições de alcançar o controle de sua mente, diferenciando-se de um ser humano, que por meio de práticas regulares pode vir a adquirir tal controle. No verso, Krishna dá dicas para Arjuna, como o de controlar a língua, referindo-se tanto à fala quanto ao ato de comer, uma vez que tal prática tem ligação com o estômago e os órgãos genitais.

Nos explicou Keshava Kashimir que, segundo o Bhagavad Gita, o propósito do alimento é de dar vigor ao corpo, purificar a mente e a alma, sendo que um devoto do Senhor só toma prasada. Tal alimento deve ser preparado em condições favoráveis, que são atingidas com um banho corporal, mental e espiritual do cozinheiro, que prepara o alimento visando o prazer de Krishna e não o de outras pessoas, e contou-nos uma história.

Uma vez, um devoto foi preso e um dia, recebeu a visita de seu Guru. O Guru então reparou que o discípulo mudara seu estado de consciência, mostrando-se amargo e crítico, então perguntou-lhe o que ele tinha, e não obtendo uma resposta convincente, decidiu averiguar quem era o cozinheiro das celas.  

O discípulo, assim como outros detentos, diziam que o cozinheiro era uma boa e amável pessoa, porém buscando colher mais informações, o Guru descobriu que tal homem possuía uma ficha criminal crítica, que o acusava de ser um criminoso perigoso, mesmo mostrando-se amável a outras pessoas. Logo, o Guru pôde entender a mudança de seu discípulo, uma vez que a comida, absorvendo a energia de seu cozinheiro, influencia o estado de consciência da pessoa que a ingere.

Keshava Kashimir disse-nos que a melhor comida é feita por nós mesmos, por nossa mãe, pai e esposa(o), pois tais pessoas geralmente as preparam com amor. Porém, ressaltou o palestrante que devemos tomar prasada (comida oferecida a Krishna) nas proporções certas, pois se nos excedermos, teremos sobra de energia, o que atrapalhará a mente e, portanto, a meditação.

Disse-nos o palestrante que devemos dormir o mínimo necessário para descansar e recuperar nossas energias, assim como devemos nos inclinar a buscar nossas qualidades e capacidades de trabalho, naturais e individuais, sendo que juntamente com a prática do Sadhana Bhakti, devemos ir contra a natureza de acomodação do corpo, buscando esforçar- nos para nos disciplinarmos.

O sono é algo muito difícil de se controlar, entretanto o prabhu nos explicou que não podemos dormir muito, uma vez que já estamos dormindo nos braços de Maya, ou seja, nos braços da ilusão do mundo material. Logo, devemos acordar e abrir os olhos de nossa visão transcendental.

Como diz o jargão popular, "Deus ajuda a quem cedo madruga", e de fato existe um horário espiritual em que se aconselha acordar, o Brahma-muhurta, que é um período auspicioso, iniciando-se aproximadamente uma hora e meia antes do amanhecer, e muito favorável para as práticas espirituais. Segundo o palestrante, quem acorda neste horário sente que o seu dia rende muito mais.

O palestrante então fez uma análise que deixou muitos dos ouvintes preocupados. Supôs perguntar a idade de um senhor que responderia ter 50 anos, e então questionou-nos quantos anos tal senhor teria passado dormindo? Quantos anos teria passado trabalhando amargurado, sem um propósito forte de vida?

Explicou-nos que não podemos viver somente para o trabalho e que, mesmo trabalhando, devemos adquirir a consciência de que tal feito deve manter o nosso corpo e, também e não menos importante, ajudar-nos a desenvolver Consciência de Krishna, e contou-nos outra história.

Havia um ladrão que acabou por parar em um templo Budista e lá foi rejeitado. Um dos monges em seus estudos descobriu que tal homem havia sido ladrão por 80 mil vidas, e mais uma vez o discriminou.

Uma semana se passou e o ladrão arrependeu-se verdadeiramente de seus atos passados, e de repente abandonou o corpo e foi liberado.

Um discípulo, que era um monge budista a muito tempo, ficou inconformado e perguntou a seu mestre espiritual o porquê do ladrão já ter sido liberado e ele, um monge antigo, não. E seu mestre explicou-lhe que ele ainda não havia sido liberado por se achar "certinho", logo ele não sentia a necessidade de mudar e não se entregava à causa da liberação, pois apenas criticou os outros e perdeu tempo.

Keshava Kashimir disse-nos que o Senhor veio ao mundo material para libertar os mais caídos, ensinando um processo para as pessoas que sentem a necessidade de mudar, de evoluir. Portanto, devemos chegar ao ponto de sentirmos sinceramente a vontade de mudar, pois só com a sinceridade evoluiremos.

Krishna nos diz que quando somos equilibrados, não sofremos dores materiais, mas apenas o néctar encontrado em todo e qualquer serviço devocional, pois atingimos outra dimensão, e Prabhupada dizia que eram essas as pessoas de que precisávamos neste mundo.

Keshava Kashimir falou-nos que Prabhupada foi tão misericordioso que nos proporcionou o processo da Consciência de Krishna, porém, para atingirmos o cume desta Consciência, devemos adquirir a sinceridade em nosso propósito.

Finalizando sua aula, prabhu Keshava Kashimir agradeceu a presença dos ouvintes, e iniciou-se o Arotik.

Texto: Bhaktin Carla e Bhakta Pedro
 

 
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