ABV - Associação Bhaktivedanta Vaishnava. Fundador-Acarya: A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

  
 
 

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:: Aula de Domingo especial dia das Mães

No Dia das Mães o Adi-Templo teve uma aula do Bhagavad-Gita Como Ele É muito interessante, ministrada pelo prabhu Keshava Kashimir Das, discípulo de Jayapataka Swami, que escolheu um verso bastante condizente com o dia, em que se citam as opulências femininas.

Foi escolhido o verso 34 do Capítulo 10, A Opulência do Absoluto.


       “mrtyuh sarva-haras caham
         udbhavas ca bhavisyatam
          kirtih srir vak ca narinam
        smrtir medha dhrtih ksama


mrtyuh - a morte; sarva-harah - que devora tudo; ca - também; aham - Eu sou; udbhavah - a geração; ca - também; bhavisyatam - de manifestações futuras; kirtih - fama; srih - opulência ou beleza; vak - linguagem afável; ca - também; narinam - das mulheres; smrtih - memória; medha - inteligência; dhrtih - firmeza; ksama - paciência

Tradução: Eu sou a morte que tudo devora e sou o princípio encarregado de gerar tudo o que vai existir. Entre as mulheres, sou a fama, a fortuna, a linguagem afável, a memória, a inteligência, a firmeza e a paciência.

Significado: Logo que nasce, o homem morre a cada momento. Assim a cada momento, a morte está devorando toda entidade viva, mas o último golpe chama-se a morte em si. Essa morte é Krsna. Quanto ao desenvolvimento futuro, todas as entidades vivas sofrem seis mudanças básicas. Elas nascem, crescem, duram algum tempo, reproduzem-se, definham, e por fim desaparecem. Destas mudanças, a primeira é o parto, e isto é Krsna. A primeira geração é o começo de todas as atividades futuras.

As sete opulências enumeradas - fama, fortuna, linguagem afável, memória, inteligência, firmeza e paciência - são consideradas femininas. Se alguém possui todas elas ou algumas delas, torna-se glorioso. O sânscrito é uma linguagem perfeita e é portanto muito gloriosa. Se, depois de estudar, alguém pode se lembrar do assunto, ele é dotado de boa memória, ou smrti. E a habilidade não só para ler muitos livros sobre diferentes assuntos, mas também para entendê-los e aplicá-los quando necessário, é inteligência (medha), outra opulência. O dom de superar a instabilidade chama-se firmeza ou determinação (dhrti). E quando alguém é plenamente qualificado mas é humilde e gentil, e quando é capaz de manter o equilíbrio na tristeza e no êxtase da alegria, ele tem a opulência chamada paciência (ksama)."

Começando sua explicação, o prabhu nos disse que, embora estivéssemos comemorando o Dia das Mães naquele dia, deveríamos comemorá-lo sempre, glorificando nossas mães, pois é dito que o amor de mãe é o que mais se acerca do amor de Deus, que tem o Seu cuidado manifesto por nós de maneira ilimitada, nos amando tanto e sempre estando consciente de nós, embora nem sempre estejamos conscientes dEle.

Falou da mãe que cuida de seus filhos, meditando, pensando, orando, se preocupando e sendo capaz de entregar a vida por eles, sem nenhuma dificuldade em fazê-lo, e lembrou-nos de Mãe Yasoda, que cantava até mesmo mantras em diversas partes do corpo de Krishna, numa espécie de “simpatia” para protegê-Lo, e mesmo assim ficava preocupadíssima.

Dessa forma, explicou-nos o prabhu que, neste capítulo, Krishna começa a falar sobre A Opulência do Absoluto, explicando como Ele está manifestado neste mundo e dizendo que, entre as mulheres, Ele é a fama, a fortuna, a linguagem afável, a memória, a inteligência, a firmeza e a paciência; salientou que muitas vezes o homem, buscando compreender uma mulher, facilmente se perde, pois ela é capaz de quebrar a lógica para impor seu amor e sua proteção a seu filho.
Estudando fatos históricos sobre as mulheres, disse-nos Keshava Kashimir que vemos o quanto a mulher foi escravizada, até mesmo psicologicamente, por ser poderosa, tendo o poder de reproduzir, fazendo com que alguns homens, possuidores de uma mentalidade inferior, criassem o machismo, uma débil falha de caráter e fraqueza humana. Mas o prabhu alertou-nos, dizendo que não estava passando a idéia de que as mulheres são “o máximo” e os homens não, pois é dito nos Vedas que o homem e a mulher se complementam, e citando também Srila Prabhupada, que um homem precisava de uma mulher e uma mulher de um homem.

Muitos problemas do mundo continuarão acontecendo também pelas injustiças que sofrem as mulheres, sendo que, num lugar onde a mulher é maltratada, não respeitada, ofendida e não apreciada, a fortuna se esvai, junto com a prosperidade, que não se reduz apenas a dinheiro, mas também a paz mental, harmonia, conhecimento, sabedoria, amor, amizade sincera e muitas outras coisas.

O devoto nos citou o Mahabharata, um dos maiores épicos clássicos da Índia, em que se diz que Lakshmi, a Deusa da Fortuna, vai embora de um local onde se maltrata uma mulher, e dessa forma muitas calamidades ocorrerão.

Os homens que não precisam da ajuda de uma mulher, assim como não buscam por sua companhia, citou-nos Keshava Kashimir, são os estudantes celibatários e os Sannyasis renunciados, e mesmo assim possuem ambos muito cuidado e respeito pelas mulheres.

A boa saúde mental de um homem depende de como sua mãe o criou, pois baseando-nos em estudos psicológicos, sabe-se que crianças, quando separadas de suas mães, não se desenvolvem por completo, por falta de calor, de amor, de sensibilidade e do contato maternal, pois só com eles uma criança é capaz de crescer feliz e saudável, desenvolvendo-se fortemente.

Uma conclusão da psicologia moderna, que os Vedas já haviam mencionado há milhares de anos, foi de que todo homem procura em sua esposa a sua mãe, e se estudarmos este fato mais a fundo concluiremos que, se uma mulher não conseguir ser a “mãe” de seu esposo, não desempenhará bem o seu papel de esposa, e conseqüentemente o de mulher.

Disse-nos o palestrante que a mulher tem o poder de mudar o lar, tornando-o harmonioso e carregado de boa energia, assim como pode transformar um homem, rejuvenesce-lo e revigorá-lo, quando lhe passa a certeza de que é amado, fazendo também com que todo o oposto aconteça, caso seu esposo sinta a imprecisão de seu amor. Dessa forma, disse-nos Keshava Kashimir, podemos entender o quanto a mulher é importante na cultura védica, pois diferente do chavão popular, que diz que "atrás de um grande homem, sempre há uma grande mulher", o Prabhu nos disse que na era védica, as mulheres não caminhavam atrás e muito menos ao lado dos homens, mas à frente deles, inclusive por delicadeza, respeito e proteção dos cavalheiros daquela época.

O prabhu também nos explicou sobre os tipos de mulheres que inspiram um homem, citando dois tipos bem antagônicos, a mulher moderna e extremamente materialista, que amplia os apegos materiais, a luxúria e os planos mundanos de seu esposo, e a mulher virtuosa, que possui qualidades divinas, ajudando seu esposo na evolução espiritual.

Advertiu-nos o prabhu que, para um filho, não cabe fazer a diferença sobre qual tipo de mulher é sua mãe, uma vez que mãe é sagrada, mesmo possuindo maus comportamentos, e semelhantemente uma mãe não pode carregar mágoa ou ódio de seu filho, desejando-lhe o mal, podendo ficar brava só por alguns instantes, pois uma mãe tem a capacidade de abençoar o seu filho, sendo o seu poder de benção muito forte, assim como sua presença, que segundo os Vedas é auspiciosa e sagrada. Diz-se que dar 3 voltas em torno da mãe equivale a dar 3 voltas na Terra, inclusive possuindo o mesmo valor da peregrinação efetuada em muitos lugares sagrados.

Exemplificando, lembrou-nos do Senhor Ramacandra que, mesmo sendo exilado, mandado para a floresta por intermédio de uma das esposas de seu pai, pediu-lhe bençãos com amabilidade e respeito, não possuindo nenhuma mágoa por ela, mesmo tendo ela gerado o seu problema.

Na história, por diferentes motivos, homens e mulheres se separaram, mas dentro da unidade da diversidade, homens e mulheres se completam, pois como o prabhu explicou em sua palestra, o homem possui a força, a determinação, dentre muitas outras qualidades, e a mulher a sensibilidade, a paciência, a linguagem afável, a firmeza e todas essas qualidades juntas geram algo grandioso. Dessa forma, uma pessoa que não deseja ser um(a) renunciante deve ter o outro(a) como complemento, e nos exemplificou sua afirmação dizendo que, na história do mundo, no aspecto material, dificilmente veremos uma pessoa que se deu bem sendo solteira, uma vez que se desejamos ser prósperos precisamos de duas energias, a masculina e a feminina.

Disse-nos o prabhu que, segundo os Vedas, os homens devem ver apenas sua esposa como esposa, e todas as outras mulheres como mães, uma vez que na cultura védica nunca se falta com o respeito a uma mulher. Mas, infelizmente, nos dias atuais, a maioria dos homens não possui esta consideração, não a entendem, sendo injustos ou irresponsáveis.

É observado também que todas as deidades estão acompanhadas de sua parte feminina, em uma posição que deve ser levada em conta nas cerimônias de casamentos, onde a mulher deve estar ao lado esquerdo do homem e este ao lado direito da mulher (sendo a energia masculina da mulher encontrada em seu lado direito e a energia feminina do homem encontrada em seu lado esquerdo), tendo esta combinação o poder de uma boa influência.

Encerrando sua explicação, o prabhu falou da importância da mulher sentir-se amada, protegida e querida, algo que só acontecerá se ela for uma boa esposa, fazendo com que seu marido sinta-se amado, pois só assim ele cuidará de sua mulher com toda sua determinação, amor e carinho e, dessa forma, construirão um ciclo forte e amoroso, que se manifestará de forma contagiante no mundo graças à mulher, que dessa forma criará bons filhos, que serão o futuro da geração.

Texto: Bhaktin Carla
Fotos: Madhumati Radhika Devi Dasi
 

 
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