Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna - ISKCON | Fundador-Acarya: A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

  
 
 

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:: Aula de Domingo com Nanda Kumara Das

A aula deste domingo, 25.11.07, foi ministrada pelo Presidente do Templo, prabhu Nanda Kumara Das.

Devidamente apresentado para a platéia por Ananda-maya Devi Dasi, o palestrante solicitou ao bhakta Franchesco que “puxasse” o mantra “jaya radha madhava”, ao que foi prontamente atendido.

Nanda Kumara prabhu perguntou então aos presentes se alguém estava visitando o Templo pela primeira vez, e cerca de cinco pessoas levantaram as mãos em resposta.

Para contextualizar essas pessoas, o palestrante falou algumas palavras sobre o Bhagavad Gita. Disse que estávamos lendo o "Bhagavad Gita como ele é", uma tradução profundamente erudita e autorizada, feita por Srila Prabhupada. E brincou ao dizer que não se tratava, portanto, de um "Bhagavad Gita como eu queria que fosse", ou ainda um "Bhagavad Gita como eu pensei que era", ao que todos deram risadas.

O palestrante disse que essa versão do Bhagavad Gita tem grande importância nos meios acadêmicos, por sua reconhecida autenticidade, e relembrou a platéia que, humildemente, Srila Prabhupada sempre colocou Krishna em primeiro lugar em sua vida. Disse que, certa vez, os discípulos de Prabhupada perguntaram-lhe como glorificá-lo, ao que o fundador acarya respondeu que dissessem que ele nunca pretendeu "tomar o lugar de Krishna".

Apontou, o palestrante, que essa afirmação tem respaldo nos fatos, pois muitos, ao redor do mundo, conhecem tanto o Movimento Hare Krishna quanto o Maha Mantra, mas poucos conhecem a vida e a história de Srila Prabhupada.

Explicou, sucintamente, aos novatos sobre a Batalha de Kurukshetra, bem como sobre a posição de Krishna e de Arjuna nessa batalha, bem como sobre como começou o diálogo que tiveram momentos antes do combate. Explicou que Arjuna apresentou argumentos brilhantes para não lutar, mas que Krishna refutou todos esses argumentos no diálogo que se seguiu, apontando-os como palavras cultas que se lamentavam pelo que não se era digno de se lamentar.

Feita a breve introdução, o palestrante explicou que comentaria o verso 7, 19 do Bhagavad Gita como Ele é, e iniciou a leitura do verso, tradução e significado, abaixo transcritos:

“bahumam janmanam ante
jñanavan mam prapadyate
vasudevah sarvam iti sa
mahatma su-durlabhah” 

bahumam - muitos; janmanam - repetidos nascimentos e mortes; ante - após; jñanavan - aquele que tem pleno conhecimento; mam - a Mim; prapadyate - rende-se; vasudevah - a Personalidade de Deus; Krishna; sarvam - tudo; iti - assim; sah - essa; maha-atma - grande alma; su-durlabhah - muito raro de ver.

Tradução: Após muitos nascimentos e mortes, aquele que tem verdadeiro conhecimento rende-se a Mim, sabendo que sou a causa de todas as causas e de tudo o que existe. É muito raro encontrar semelhante grande alma.

SIGNIFICADO: Após muitas e muitas vidas de serviço devocional ou rituais transcendentais, pode-se realmente chegar ao conhecimento transcendental puro segundo o qual a Suprema Personalidade de Deus é a meta última da realização espiritual. No início da realização espiritual, enquanto há a tentativa de abandonar o apego ao materialismo, há alguma tendência ao impersonalismo, mas ao continuar o avanço, passa-se a compreender que há atividades na vida espiritual e que estas atividades constituem o serviço devocional. Quando entende isso, o devoto se apega à Suprema Personalidade de Deus e se rende a Ele. Neste momento há a compreensão de que a misericórdia do Senhor Krishna é tudo, que Ele é a causa de todas as causas e que esta manifestação material não é independente Dele. O devoto percebe que o mundo material é um reflexo pervertido da variedade espiritual e entende que tudo está relacionado com o Supremo Senhor Krishna. Assim ele sabe que em tudo está a mão de Vasudeva, ou Sri Krishna. Tendo esta visão universal de Vasudeva, ele fica estimulado a render-se por completo ao Senhor Supremo Sri Krishna, considerando esta a sua meta mais elevada. É muito raro encontrar semelhantes grandes almas, que se renderam totalmente ao Senhor.

Este verso é muito bem explicado no Terceiro Capítulo (versos 14 e 15) do Svetasvatara Upanisad:

sahasra-sirsa purusah sahasraksah sahasra-pat
sabhumim visvatovrtva- tyatisthad dasangulam
purusa evedam sarvam yad bhutam yac ca bhavyam
utamrtatvasyesano yad annenatirohati

No Chandogya Upanisad (5.1.15), está dito que na vai vaco na caksumsina Srotrani na manamsity acaksate prana iti evacaksate prano hy evaitani sarvani bhavanti : "No corpo do ser vivo, nem o poder de falar, nem o poder  de ver, nem o poder de ouvir, nem o poder de pensar, são o fator primordial; é a vida que é o centro de todas as atividades". Do mesmo modo, o Senhor Vasudeva, ou a Personalidade de Deus, o Senhor Sri Krishna, é a entidade primordial em tudo. Neste corpo, existem os poderes de falar, de ver, de ouvir, de atividades mentais, etc. Mas eles não são importantes se não estão relacionados com o Senhor Supremo. E porque Vasudeva é onipenetrante e tudo é vasudeva, o devoto se rende em conhecimento pleno (cf. Bhagavad-gita 7.17 e 11.40) "

Concluída a leitura desse texto, o palestrante explicou que esse capítulo 7 está situado na parte central do Bhagavad-Gita, e que trata do conhecimento acerca do absoluto. Alertou Nanda Kumara Prabhu que conhecer o absoluto é uma idéia que desafia o senso comum, mas que Bhrama já dissera, abrindo o seu Bhrama Samhita, que "Ishvarah Paramah Krishnah sac-cid ananda-vigrahah anadir adir govinda sarva-karana-karanam"

Analisando o verso, o palestrante disse que nesse mundo todos querem ser controladores, mas, em contraposição, aqui somos todos limitados, não conseguindo controlar o todo. Apontou que, diferentemente, Krishna é o Parama (supremo) Ishvara (controlador), e que ele é sat-cit-ananda, pleno de eternidade, conhecimento e bem aventurança. Alertou que Krishna é anadir adir govinda, ou seja, é aquele que pastoreia as vacas, dando prazer a elas e aos sentidos, não tendo início, mas sendo o início de tudo, sendo sarva karana karanam, a causa de tudo, ou a causa de todas as causas.

Relembrou, o palestrante, à platéia, que esse capítulo do Bhagavad Gita trata exatamente desse assunto, sendo o capítulo em que Krishna afirma ser o Supremo, apontando que são raras as almas, as personalidades que têm essa compreensão. Disse Nanda Kumara Prabhu que depois de nascimentos em diferentes situações, desde animais até devas, pela misericórdia de Krishna encontramos essas grandes almas, os mestres espirituais. Asseverou que Krishna é imparcial para com todos, mas, ainda assim, dá o mestre espiritual, e espera que as almas que os encontram cuidem do serviço devocional como a uma plantinha, que precisa ser nutrida e protegida.

Disse, ainda, que Krishna espera por seu devoto como numa relação amorosa, pacientemente, mesmo que isso demore muitas vidas da alma condicionada. Explicou que a alma condicionada está sempre "dando um fora" em Krishna, mas Ele continua, pacientemente, esperando. Observou que semelhante relação amorosa não existe no mundo material.

No mesmo sentido, Nanda Kumara Das explicou que, tal como o casamento, a relação com Krishna exige que abandonemos certas atividade com as quais ela é incompatível, mas que esse sacrifício não deve nos encher de tristezas, posto que existe para uma felicidade maior. Explicou que a palavra sacrifício vem de "sacro ofício", ou seja, um ofício sagrado, motivo pelo qual não deve haver lamentação.

Como exemplo, o palestrante contou que recentemente esteve numa apresentação do movimento para o meio universitário, quando foi indagado se os Hare Krishnas trabalhavam. Como resposta, amistosamente e jovialmente, relembrou a platéia universitária de que os devotos haviam acordado às 3 horas da manhã, feito suas tarefas diárias no Templo, e haviam cozinhado e preparado bolos e sucos para aquele momento, de forma que seria cruel, por parte dos interlocutores, duvidarem que os Hare Krishnas trabalham.

Nanda Kumara prabhu, após as largas risadas da platéia universitária, explicara que alguns devotos escolhiam não trabalhar em ofícios leigos para se dedicarem a outro tipo de trabalho: a auto-realização. Disse que a vida moderna, que nos força, o tempo todo, a dizer "não tenho tempo para isso", "não tenho tempo para aquilo", é uma grande violência para consigo próprio. Disse que o homem moderno está tão preocupado em trabalhar apenas para se manter e dormir, que não tem tempo para descobrir a si próprio. Mas disse que alertara a platéia, de que viver na natureza material é como viver no fio de uma navalha, de forma que jamais sabemos o que nos pode acontecer, e quando.

Relembrou que, como de fato ocorrera em uma catástrofe recentemente, às vezes, alguém pode ser atropelado por um caminhão até mesmo quando se está ajudando outrem que fora atropelado por outro veículo! De forma que se deve sempre buscar tempo para a autorealização.

Comentou, o palestrante, que nessa apresentação que fizeram os devotos do Templo em meio acadêmico, foram indagados acerca de diversos temas, o que constituiu uma boa experiência de pregação. Relembrou que Prabhupada, quando em meio acadêmico, explicava que há uma ciência por trás do Maha Mantra, uma vez que da experiência do seu cantar, pode-se observar e sentir efeitos desde logo. Disse que essa ciência do maha mantra é fundamental para a sociedade do mundo material, em que não se consegue encontrar alguém que seja verdadeiramente feliz.

Nanda Kumara prabhu comentou que felicidade material costuma se resumir em, apenas, parar de sofrer. Ante esse quadro do mundo material, o palestrante relembrou a todos que não devemos desperdiçar essa vida humana sem buscar por auto conhecimento. Disse que, em vida espiritual, devemos recomeçar a busca todos os dias, não devendo nos sentir confortáveis, simplesmente, na posição em que estamos.

Concluindo dessa forma, o palestrante abriu espaço para perguntas e respostas.

A primeira pergunta formulada indagara se, quando morremos, encarnamos diretamente, ou temos um tempo entre os sucessivos nascimentos.

Como resposta, Nanda Kumara prabhu explicou que cada caso é singular, e que cada alma sofre um processo diferente, pois a lei karmica é muito complexa. Explicou que, normalmente, nossa consciência guia o processo de morte, que é influenciado por nosso karma. Porém, relembrou, o melhor é atingir a posição de utta vayragya, e não mais ser influenciado pelo apego.

A segunda pergunta indagou como a alma condicionada se separou de Deus.

Respondendo, da forma jovial que lhe é costumeira, o palestrante retorquiu: "se eu soubesse nem estaria por aqui...". Cessadas as risadas, o palestrante explicou que há o livre-arbítrio de se amar ou não a Deus. Assim, Krishna cria o mundo material onde a entidade viva possa "brincar de ser Deus", e quando frustrada pela separação de Krishna, possa voltar a Ele. O palestrante comparou o mundo material ao fogão de brinquedo que a mãe dá a criança para brincar de cozinhar, sem que se machuque ou cause um acidente.

Terminada a palestra, convidou a todos a visitarem o templo durante a semana, logo a partir das 4 horas da manhã.

Iniciou-se o aratik.

Texto: Bhakta Daniel
 

 
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