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Aula do Festival de Domingo, dia 27 de Abril de 2008,
por Paresha Das
No Festival do dia 27 de Abril o Adi-Templo teve como
palestrante do “Bhagavad-Gita Como Ele É” o prabhu
Paresha das, discípulo de Hridayananda dasa Goswami, que
escolheu para sua aula o Capítulo 1, Observando os
Exércitos No Campo de Batalha de Kuruksetra, verso 42.

“dosair etaih kula-ghnanam
varna-sankara-karakaih
utsadyante jati-dharmah
kula-dharmas ca sasvatah
dosaih - devido a essas faltas; etaih - todas estas;
kula ghnanam - dos destruidores da família;
varna-sankara - de crianças indesejadas; karakaih - que
são causas; utsadyante - são devastados; jati-dharmah -
projetos comunitários; kula-dharmah - tradições
familiares; ca - também; sasvatah - eternas.
Tradução: Pelas ações más daqueles que destroem a
tradição familiar, e acabam dando origem a crianças
indesejadas, todas as espécies de projetos comunitários
e atividades para o bem-estar da família entram em
colapso.
Significado: Os projetos comunitários para as quatro
ordens da comunidade humana, combinados com as
atividades para o bem-estar da família, conforme
estabelecidos pela instituição do sanatana-dharma, ou
varnasrama-dharma, são planejados para capacitar o ser
humano a alcançar sua salvação última. Portanto, a
ruptura da tradição sanatana-dharma por líderes
irresponsáveis da sociedade, produz caos na sociedade, e
como conseqüência as pessoas esquecem a meta da vida -
Visnu. Tais líderes são chamados de cegos, e as pessoas
que seguem estes líderes com certeza serão conduzidas ao
caos."
O prabhu nos contou que escolheu este verso por ter-lhe
chamado muito a atenção quando começou a estudar o
Bhagavad Gita, e por ser atualmente pouco escutado pelas
pessoas em geral. É um verso encontrado no primeiro
capítulo, ainda quando Arjuna dá justificativas a
Krishna para não lutar, sendo a luta a favor do dharma,
da ética, da moral, dos valores espirituais em benefício
da sociedade humana.
Arjuna apresenta argumentos muito autênticos, sendo que
este apresentado no verso manifesta a quebra de uma
esfera fundamental na sociedade, a família, que gera uma
série de problemas e a degradação dos valores na
sociedade.
Paresha também pensou em outros dois versos do Bhagavad
Gita que se relacionavam com o tema abordado no verso
42. Num deles, o Bhagavad-Gita 18.4, Krishna diz: "Os
atos de sacrifício, caridade e penitência não devem ser
abandonados, mas sim executados. Na verdade, sacrifício,
caridade e penitência purificam até as grandes almas", e
no outro, 17.14, Ele fala: "A austeridade do corpo
consiste em adorar o Senhor Supremo, os brahmanas, o
mestre espiritual, e os superiores tais como o pai e a
mãe, e em limpeza, simplicidade, celibato e não
violência.". Este último se refere a um tipo de
consciência chamado de modo da bondade.
Estando os três versos interligados, o devoto nos
explicou que no primeiro, 1.42, Arjuna diz que como
consequência da desfragmentação do núcleo familiar, as
atividades para o bem estar da sociedade humana
entrariam em colapso, sendo que, pelo Bhagavad Gita
17.14, as austeridades do corpo conseqüentemente também
se perderiam, uma vez que a família estaria
desfragmentada, carecendo de valores superiores como,
por exemplo, a adoração aos brahmanas, que é baseada na
gratidão e respeito para com esta classe que deveria se
dedicar à vida espiritual como sacerdotes e à vida
intelectual, com a missão de passar o conhecimento
espiritual para a sociedade, bem como outros, como a
arquitetura, a medicina e etc.
Também se perderia a adoração aos superiores, tais como
pai e mãe, pois devido a algum motivo, em alguma
situação de acordo com nosso karma, recebemos um corpo
que foi gerado a partir de suas contribuições genéticas,
fazendo com que pudéssemos com ele continuar a nossa
jornada espiritual, o nosso desenvolvimento físico e
mental, ainda que o pai ou a mãe tenham sido as piores
pessoas possíveis.
Assumimos também uma dívida com o mestre espirital, que
irá despertar a nossa relação com Deus; uma dívida com a
mãe Terra, Bhumidevi, que nos fornece grãos, árvores,
rios, tc; com os semideuses, que são servos de Krishna e
cuidam de diferentes instâncias que nos beneficiam; e,
acima de tudo, assumimos uma dívida com Krishna!
Paresha nos explicou que a gratidão de um devoto por
Krishna é muito grande, tende em vista que ele percebe o
quanto Krishna é misericordioso, pois mesmo passando por
algum sofrimento em sua vida, ele desenvolve a
compreensão de que poderia ter sido muito pior devido ás
suas ações passadas, porém, devido à misericórdia de
Krishna, Ele amenizou o seu sofrimento.
Portanto as dívidas são assumidas, mas num certo sentido
elas nunca poderão ser pagas, pois na verdade o único
capaz de quitar nossa dívida é o mestre espiritual, que
serve a Krishna num nível tão elevado que não possui
mais dívidas em nenhuma instância, estando livre de
Karma ao satisfazer a árvore da existência na raiz, que
é Krishna, não tendo pendências com os galhos ou as
flores, que representariam, por exemplo, as instâncias
que recebemos dos semideuses. Dessa forma, quando
servimos Krishna os semideuses ficam satisfeitos e tudo
se harmoniza na natureza.
O Prabhu alertou-nos sobre a seriedade das palavras de
Arjuna, pois uma sociedade que começa a perder a sua
identidade terá indivíduos que não conhecerão sua
identidade espiritual, sua ocupação nesta vida, e seus
deveres junto à família e sociedade, e naturalmente com
esta crise de identidade surgirão vários sintomas muito
conhecidos hoje em dia, como a depressão e outros
problemas mentais. As conseqüências também se
encontrarão nos falhos valores ensinados dentro da
família, criando pessoas ignorantes e frustradas, que
carecem de uma cultura espiritual que as ajude a
desenvolver estabilidade, equilíbrio, serenidade e
outros valores como compaixão, gratidão, a vontade de
participar de serviços comunitários em benefício dos
outros, saindo do próprio eixo, de viver apenas para si
e passando a entender que vivemos tendo Deus no centro e
nos observando como servo dEle, se ocupando dessa
maneira e gerando benefícios ao nosso redor. Logo, o
verso trata de um assunto muito importante de nosso
cotidiano, em que observamos a carência que temos em
discutir esse tipo de assunto e passarmos a buscar
soluções para esses problemas.
Disse-nos o palestrante que, na vida espiritual, dentro
da Consciência de Krishna, aprendemos que existe uma
meta a ser alcançada, que é adquirir Amor Puro por
Krishna, e que, de fato, o que há de mais importante é
servir a Ele, porém, muitas vezes por imaturidade
espiritual, nós não percebemos que não podemos servir
Krishna se negarmos aquilo que somos e o lugar onde
estamos, pois ninguém serve sem saber onde poderá servir
e como servir. Logo, quais os recursos possíveis? E
Paresha nos deu exemplos de lugares, como o ambiente em
que trabalhamos, a casa em que moramos; e as ferramentas
que podem ser usadas para servir Krishna, sendo elas os
valores que possuímos, como os utilizamos na relação com
nossa família, os bens materiais que temos, podendo
estes serem utilizados de forma a gerar condições para
que outras pessoas também se beneficiem com a
Consciência de Krishna; dessa forma, são muitos os itens
a serem utilizados e cada um de nós sabe as ferramentas
que possui e o lugar onde se situa, mas independente de
qualquer situação é preciso saber que não podemos servir
a Deus dando saltos, mas devemos passar pelas etapas
condizentes com nossa maturidade espiritual.
O ponto é harmonizar as relações, os valores,
estabelecer equilíbrio e harmonia dentro de si e com
aqueles que estão ao nosso redor, dentro de uma
perspectiva espiritual, tendo Krishna no centro.
Paresha nos falou sobre os dias atuais, em que,
infelizmente, cada vez mais observamos que o que menos
temos é uma abordagem que conscientize os indivíduos
desde a infância sobre a necessidade de se desenvolver
um bom caráter, com uma consciência saudável, de modo
que vemos crianças sendo criadas já nas primeiras letras
aprendendo o que é completamente danoso a sua
consciência. A educação que os pais oferecem com
palavrões, conceitos relacionados com preconceito,
egoísmo, materialismo, etc, são impressões que, segundo
a psicologia védica, se instalam na mente do indivíduo
desde a infância e que, dependendo da intensidade com
que eles foram estabelecidos, em algum momento se
manifestarão na vida da pessoa, gerando sofrimento para
ela, que foi educada da maneira errada. Portanto,
deve-se entender que a função dentro da educação parte
primeiro de conhecer a mente, que é como uma entidade
orgânica e que, assim como o corpo, precisa de bons
elementos para a sua alimentação e um bom
condicionamento para exercitá-la, para que assim o
indivíduo possa desfrutar de situações estáveis, com
equilíbrio e felicidade.
No verso escolhido Arjuna fala sobre crianças
indesejáveis, mas o que são crianças indesejáveis? E
explicou-nos o palestrante que não é apenas aquela
criança que não foi planejada, pois mesmo que a pessoa
tenha planejado, com uma boa situação econômica, sem o
suporte psicológico baseado em valores espirituais
fidedignos, decerto esta criança também será indesejada,
pois o casal não fornecerá condições para que ela se
desenvolva física e mentalmente de forma saudável.
Explicou por fim que, graças a Prabhupada, a Consciência
de Krishna oferece uma série de atividades e valores que
ajudam a corrigir a atitude danosa e pecaminosa dos
indivíduos da nossa sociedade. Os benefícios alcançados
com o executar de tais atividades são primeiramente
espirituais, pois se desenvolve amor e apego a Krishna,
e começa a surgir o desejo de servir a Krishna
intensamente. Mas embora tais qualidades originais
surjam do serviço a Krishna, existem também as
qualidades secundárias, que fazem com que a pessoa passe
a desenvolver características de um ser humano mais
saudável e isso é necessário, pois uma coisa não exclui
a outra. Um ser humano que tem amor puro por Deus tem,
necessariamente, atributos e qualidades de uma pessoa
saudável, com uma mente equilibrada, relações estáveis e
conseqüentemente uma maturidade espiritual com mente,
corpo e palavras 100% dedicados a Krishna.
Todas as Glórias a Srila Prabhupada!
Texto: Bhaktin Carla
Fotos: Madhumati Radhika Devi Dasi
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