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Aula de Param Gati Swami no Adi-templo
em Abril de 2008
Sua Santidade Param Gati Swami prestigiou-nos alguns
dias com sua permanência no Adi-Templo, e no dia 15 de
Abril pudemos desfrutar de uma interessante aula do
Bhagavad-Gita ministrada por Sua Santidade. Maharaj
também deu a aula do Srimad Bhagavatam no mesmo dia, às
08h, mas muitos de seus discípulos só puderam comparecer
às 19h30min, na aula do Bhagavad Gita, devido a seus
afazeres rotineiros.
Antes de ler o verso escolhido, o Swami nos deu uma
introdução a respeito do Bhagavad-Gita dizendo que este,
como o próprio nome diz, é uma canção entoada por
Bhagavam, sendo o Bhagavad Gita diretamente falado por
Krishna, e que mesmo na Índia algumas pessoas não o
entendem, por ser um livro difícil.
Nos explicou que Krishna raramente vem a este planeta
Terra, e que Sua vinda se dá somente uma vez a cada dia
de Brahma, depois de um longo período de 4 bilhões e 300
milhões de anos, muito tempo para nós seres humanos,
sendo que a única razão pela qual Krishna vem é a de
convidar suas eternas partes e parcelas que estão
separadas dEle, vivendo neste mundo, identificadas com a
matéria, a de novo estar com Ele no mundo espiritual e a
participar de Suas lilas transcendentais. Infelizmente
existem muitas interpretações disto, porém o ponto é
muito simples, porque Krishna vem unicamente com este
propósito.
Maharaj nos sintetizou um passatempo de Krishna, de
quando Ele estava em Mathura com Udhava, que era uma
espécie de secretário Seu, sem dúvida totalmente
liberado e associado eterno do Senhor, e que quando vem,
atua como Seu conselheiro. Sempre que existiam dúvidas,
ou estratégias a serem adotadas, Krishna perguntava a
Udhava o que fazer, e este lhe dava o conselho correto.
Como exemplo citou os Pandavas, quando saíram anunciando
que Yudhisthira era o imperador. Era o costume na época
que, quando alguém era proclamado imperador, os outros
reis e líderes locais, como um gesto de aceitação,
contribuíam com algo, e esta contribuição era um sinal
de que aquele rei local aceitava o novo imperador. Os
pandavas, porém, ficaram desapontados quando um rei
local não fizera a sua contribuição , então encontraram-se
em um dilema, e deram eles várias opiniões diferentes.
Quando Krishna pergunta então a Udhava "O que fazer?",
ele concebe um plano, de que Krishna deveria ir
disfarçado como brahmana, juntamente com Arjuna e Bhima,
até o rei local e destruí-lo. O Swami nos disse que esta
história está no Livro de Krishna, sendo uma das
histórias mais fascinantes com a qual ele já havia tido
contato, e fez um comentário divertido, dizendo que hoje
em dia as pessoas são tão atraídas por histórias
fantásticas, como Homem Aranha, O Senhor dos Anéis,
Harry Potter, sendo esta uma tendência que voltou dos
grandes heróis, mas que quando lemos o Livro de Krishna,
encontramos tudo ali, porém como uma diferença, de que é
tudo verdade!
Sua Santidade nos disse que Udhava estava com Krishna em
Mathura, e que Krishna estava em Seu palácio, na sacada,
andando de um lado para o outro olhando para o céu,
quando de repente Ele parou e disse que na verdade, Ele
nunca quisera deixar Vrindavana e, se Ele a deixou, fora
unicamente para cumprir a Sua missão neste mundo. Então
o Bhagavad-Gita, na verdade, existe para que a pessoa
possa desenvolver apego por Krishna, sendo esta a única
razão pela qual Krishna o falou, para lembrar o ser vivo
de que ele tem uma conexão direta e eterna com Krishna e
que ele deve de alguma forma tentar cortar o ciclo de
nascimentos e mortes, mas como isso é algo muito difícil
de ser captado, Krishna volta como Sri Caitanya
Mahaprabhu para explicar ao mundo o que Ele quis dizer 5
mil anos atrás. Esse é o movimento de Sankirtana deixado
por Caitanya Mahaprabhu.

Foi escolhido para a
aula o 4º capítulo,
"O Conhecimento
Transcendental", verso 38:
na hi jnanema sadrsam
pavitram iha vidyate
tat svayam yoga-samsiddhah
kalenatmani vindati
na - nada; hi - decerto; jnanena - com o conhecimento;
sadrsam - em comparação; pavitram - santificado; iha -
neste mundo; vidyate - existe; tat - esse; svayam - em
si mesmo; yoga - em devoção; samsiddhah - aquele que é
maduro; kalena - no decorrer do tempo; atmani - em si
mesmo; vindati - goza.
Tradução:
Neste mundo não há nada
tão sublime e puro como o conhecimento transcendental.
Este conhecimento é o fruto maduro de todo o misticismo.
E aquele que se familiarizou com a prática do serviço
devocional desfruta deste conhecimento dentro de si no
devido tempo.
Significado: "Quando
falamos de conhecimento transcendental tomamos como
ponto de referência a compreensão espiritual. Sendo
assim, não há nada tão sublime e puro como o
conhecimento transcendental. A ignorância é a causa de
nosso cativeiro, e o conhecimento é a causa de nossa
liberação. Este conhecimento é o fruto maduro do serviço
devocional, e quando está em conhecimento
transcendental, a pessoa não precisa procurar paz em
outro lugar, pois goza da paz em si mesma. Em outras
palavras, este conhecimento e esta paz culminam na
consciência de Krishna. Esta é a palavra final do
Bhagavad-Gita.”
Maharaj disse que este
verso em particular explica e nos ajuda a compreender o
que é o Movimento de Sankirtana, porque no geral as
pessoas pensam que é mais uma religião, mas o Swami
disse que o Movimento de Sankirtana não é mais uma
religião, pois como no mundo já existem tantas religiões,
ele não precisa de mais uma. Então o que é o Movimento
de Sankirtana? É o que a leitura do verso nos ajuda a
entender.
Na sua explicação, Sua Santidade disse que conhecimento
não é um mero acumular de informações, que ficam
registradas no intelecto, mas sim compreensão espiritual,
realização, ou seja, obtermos uma informação e adotarmos
uma prática que nos ajuda a chegar à realização. Logo,
Maharaj disse que a realização de que Krishna fala
culmina com a pessoa desfrutando com si mesma, se
tornando feliz internamente, resolvida com suas emoções
e dúvidas, e tudo fica bem, pois a pessoa esta de bem
consigo e, conseqüentemente, de bem com o mundo, sem
rancor, mágoas, medos, estresse, angústias, sendo esta
também a meta, pois existem dois resultados com a
prática. O primeiro é o alívio das ansiedades materiais,
e a pessoa passa a se conhecer e a se compreender;
dúvidas e coisas inexplicáveis que existiam dentro dela
tornam-se esclarecidas. O segundo resultado é a
realização de sua conexão com Krishna e, como exemplo,
Maharaj Param Gati nos citou o Sol da manhã.
Antes que a pessoa possa ver o Sol, ela enxerga os
efeitos do Sol, sendo que ela começa a ver todos os
objetos na manhã e só depois ela vê o globo solar.
Similarmente, com a prática de bhakti, ou seja, o cantar
do Maha Mantra, o contato com os devotos, o estudo da
filosofia, tomar prasada e tudo mais que os Acaryas nos
passaram, a pessoa começa a compreender a si mesma
ajudando-a a esclarecer as coisas, comparando-se então
com o clarear que o Sol faz com os objetos. Segundo
passo é a compreensão da conexão da pessoa com Krishna.
E Maharaj enfatizou que sem a primeira fase, que é tida
como a base, o "clarear" das coisas, não se pode falar
em transcendência.
Krishna é o Supremo Pedagogo, e tudo o que Ele faz é
perfeito, então o Swami nos disse que a metodologia
usada por Krishna se resume em primeiro a pessoa ter uma
compreensão dela mesma e depois, avançando, chegar ao
ponto de rendição a Ele, uma vez que não se pode falar
em rendição sem primeiro a pessoa ter uma compreensão de
sua situação. Logo ela deve inicialmente situar-se com
sua real identidade, e então com as coisas mais claras
começar avançar rumo à auto realização total, que
culmina na compreensão da forma eterna do ser em sua
união com Krishna, numa emoção específica que é o
estágio superior.
Citando Srila Prabhupada, que diz que a referência
tomada é a compreensão espiritual e não simplesmente um
acumular de informações no intelecto, sendo a ignorância
a causa do cativeiro e o conhecimento a causa da
liberação, eis a razão pela qual não há nada tão sublime
e puro como o conhecimento transcendental. Sua Santidade
falou-nos que este conhecimento ajuda as pessoas a
livrar-se de muitos bloqueios, de muitas situações
obscuras de sua própria vida, do seu relacionamento com
a família, amigos, trabalho, escola, com as pessoas que
ela ama, etc, tornando essas coisas claras, sendo uma
conquista muito grande, conquista esta que é o
conhecimento e a paz que culminam da Consciência de
Krishna, e esta é a palavra final do Bhagavad Gita.
Revelando-nos a razão pela qual o Senhor Caitanya
Mahaprabhu veio a este mundo, Maharaj disse-nos que fora
para revelar-nos o fruto maduro de todo misticismo,
sendo que existem diferentes tipos e metas que se dão
com a prática do Yoga. Citando alguns exemplos, falou
sobre yogues que, através do controle da mente,
austeridades e penitências, acabam possuindo poderes
místicos, e citou-nos Hiranyakasipu, que se tornou
poderoso através da prática de austeridade e penitências.
Então, os yogues que buscam estes poderes nascem, por
exemplo, em planetas superiores, onde seus seres
viventes naturalmente possuem poderes místicos, que é o
aspecto sit do eu, e explicando Maharaj disse que o eu é
composto por 3 elementos: Sat, Sit e Ananda, sendo Sat
eternidade, Sit conhecimento e Ananda felicidade. Então
Sit é o aspecto que provê tudo em termos de poderes
místicos, potência e etc, sendo este aspecto Sit
completamente manifesto no mundo espiritual.
Prosseguindo, Maharaj Param Gati disse-nos que os yogues,
quando querem desenvolver esse aspecto Sit e desfrutá-lo,
acabam nascendo em Siddhaloka, por exemplo. Então o
desenvolvimento de uma prática espiritual provê
diferentes opulências e alguns desejam desenvolver o
aspecto Sit, sendo que os Vedas provêem tudo o que uma
pessoa deseja, porém Krishna diz que o fruto maduro é a
revelação da identidade original do ser em sua relação
com Krishna e, nesse momento, o ser atinge a
imortalidade, ficando livre do ciclo de nascimentos e
mortes, então não há nada comparado com isso.
Caitanya Mahaprabhu, ao propagar o cantar do Maha Mantra
Hare Krishna, revelou o fruto maduro de todo o
misticismo, então o Swami nos contou que o movimento de
Sankirtana, a prática dada pelo Senhor Caitanya
Mahaprabhu, é a essência de tudo isso e,
conseqüentemente, dentro dessa prática tudo se
desenvolve, como boas qualidades e tudo o que é desejado
e procurado em outras práticas religiosas, sendo que,
pela prática do processo de bhakti, revelado por
Caitanya Mahaprabhu, a pessoa torna-se enriquecida com
muitas qualidades e, por isso, é o fruto maduro de todo
o misticismo, que Krishna sob a forma do Senhor Caitanya
Mahaprabhu revelou-nos em seu movimento de Sankirtana.
É por isso, salientou o Swami, que o Senhor Caitanya
Mahaprabhu diz que toda a shakti (poderes místicos,
energias...) de Krishna, está presente no Maha Mantra, e
por isso o Maha Mantra não é mais um mantra, é O mantra,
um mantra excepcional, porque é diretamente o nome de
Krishna, não passando por nenhum intermediário.
Disse-nos o palestrante que, analisando os diferentes
nomes de Krishna, cada um quando se canta nos dará um
destino, e citou nomes que dão acesso a Vraja, como
Krishna, Gopinatha e muitos outros, e dessa forma o Maha
Mantra, o fruto maduro deste misticismo, dá acesso à
Vraja, tornando-se acessível através do movimento de
Sankirtana de Sri Caitanya Mahaprabhu.
Logo, a pessoa passa a desfrutar do processo de bhakti
no devido curso do tempo e, se continuar praticando-o,
ela terá um resultado muito benéfico; se vier a fazer
uma análise de seu antes e depois, verá o quanto ela
mudou e ganhou com esta prática, e sabendo que a grande
mudança se dará em uma questão de tempo, ela continuará
praticando e obterá o sucesso. E Maharaj concluiu sua
aula dizendo que não será apenas o aspecto Sit que a
pessoa terá conquistado, mas também Sat e Ananda, e
então ela se tornará plenamente feliz, conquistando a
imortalidade.
Terminada sua aula, Maharaj Param Gati abriu espaço para
perguntas e comentários.
Um ex monge comentou com Maharaj que o conhecimento é
tido como a parte principal, porém ressaltou que
conhecimento é algo muito complexo e que, para pessoas
como ele, que deixara de ser monge e passara a viver
fora do templo, o acesso a diferentes informações que
abordavam assuntos como a alma e a matéria, por vezes
entravam em oposição com o que ele havia aprendido.
Então, o prabhu entrou neste conflito, e citou a cultura
grega onde se diz que para se chegar a uma síntese, a
conclusão de algo, é necessário estudar algo de forma
integral, e uma vez um devoto havia lhe comentado que os
devotos não entendem de psicologia e afins, mas apenas
dos livros de Prabhupada, e então expôs a sua situação
ao palestrante.
Maharaj explicou que auto realização é algo individual
e, aproveitando o exemplo dado pelo prabhu, falando dos
gregos, e também se baseando em um livro francês escrito
por um cientista e filósofo indiano, chamado Árvore dos
Desejos, que analisa que, depois da liberação da Índia,
houve uma nova geração que reescreveu a história da
Índia e, com muitos elementos históricos, mostrou como
as culturas antigas, como a grega por exemplo, foram
muito influenciadas pela Índia. Então, se um bhakti
yogue deseja fazer pesquisas, tudo bem, pois os Vedas
contém suficiente informação e elementos para que a
pessoa compreenda a sua própria situação neste mundo,
compreendendo finalmente sua relação eterna com o
Supremo. Agora se um devoto deseja fazer pesquisas para
comparar e enriquecer sua bagagem, isto é sua posição
pessoal. E ainda frisou, dizendo que a riqueza de bhakti,
a consciência de Krishna, é muito ampla, universal,
sendo recíproca à inclinação de cada pessoa, então, por
exemplo, devido a vidas passadas, ou a um trabalho feito
em vidas anteriores, uma pessoa chega a esta vida e diz:
"Não preciso de mais nada, estou completamente
satisfeito com o que estou praticando", porém, um outro
indivíduo em situação semelhante, chega a esta vida e
diz: "Ainda preciso pesquisar", tudo bem, pois não
devemos julgar, acusar, mas sim compreender cada pessoa
que possui suas necessidades características e Krishna
satisfará a todos os desejos, como é dito no
Bhagavad-Gita.
Uma segunda pergunta foi feita por um ouvinte que
lembrou o que Maharaj havia dito com relação ao
Bhagavad-Gita, afirmando ser um livro difícil de se
entender, sendo pouquíssimas as pessoas que realmente o
entendem, e afirmou o ouvinte que não compreendia nem
mesmo os devotos, e que uma vez teve um amigo que
abandonara a vida material e passou a dedicar-se somente
a espiritual. Disse também o senhor que quando passou a
freqüentar o templo e a conhecer os devotos nada
entendia, porém cantava e repetia o que via os outros
fazerem, pois achava gostoso. Então, aproveitando o que
um prabhu em aula havia dito, que um conhecimento
encontrado apenas no mental e intelectual e não no
espiritual, acabava se perdendo com o tempo, concluiu
que talvez o processo tão simples Hare Krishna se torne
complicado para as almas complicadas, assim como ele,
frisou. Então perguntou a Maharaj, o que ele sugeriria
para que ele pudesse se aproximar mais dos devotos e do
movimento.
Muito simpático Maharaj sorriu e disse que o
Bhagavad-Gita é univermético, e que se torna facilmente
compreendido graças ao Senhor Caitanya Mahaprabhu. Foi
dito pelo palestrante que as pessoas não entendiam o
Bhagavad-Gita, porém Krishna volta e explica o que Ele
quis dizer 5 mil anos atrás. Então, graças ao movimento
de Sankirtana, o Bhagavad-Gita torna-se facilmente
compreendido. Disse também que mesmo na Índia é muito
comum quando os devotos ocidentais aparecem por lá,
encontrarem indianos a fim de conversar com os
ocidentais que vestem dothi e tilaka, o que eles acham
muito curioso. E por vezes nas conversas, os indianos
perguntam se os devotos ocidentais conhecem o
Bhagavad-Gita, e como era de se esperar, eles respondem
que sim, e curiosamente às vezes constatam que os
próprios indianos não conhecem o Bhagavad-Gita.
Prosseguindo sua explicação, disse também que o
Bhagavad-Gita se torna compreensível também graças ao
Maha Mantra Hare Krishna, pois sem ele seria impossível
a compreensão de tal livro, pois o Maha Mantra é
Krishna, então graças ao seu cantar, como Krishna diz no
Bhagavad-Gita: "Àquele que me serve com atitude
favorável eu dou a inteligência pela qual ele vem a Mim".
Então esta dita inteligência não é material, como por
exemplo, a inteligência com que se faz um microfone, um
computador, mas sim uma inteligência transcendental
mística, secreta, que é dada diretamente por Krishna. E
Maharaj questionou: "Como Krishna nos dá essa
inteligência transcendental mística?" e respondeu: "Através
da atitude favorável explicada pelos Acaryas, que nos
ensinam a maneira pela qual desenvolvemos esta atitude
favorável." Assim, o Bhagavad-Gita se torna facilmente
compreendido, pois de outra forma ele continuaria sendo
um mistério.
Um terceiro devoto comentou que, quando a fé inabalável
que se tem no mestre espiritual se torna a mesma fé que
se tem em Krishna, toda a essência do conhecimento
védico é revelada, e para uma pessoa que não é um bom
filho, um bom pai, um bom esposo, etc, fica muito
difícil ser um discípulo e um estudante sincero. Porém,
disse também que ainda que um devoto venha a ter
problemas familiares, quando passa a ter uma relação
sincera com Krishna, as vezes a boa relação com os
devotos ajuda a curar a má relação com a família. Neste
caso, como a relação com os devotos pode se dar para
curar as más relações?
Em sua resposta, Maharaj Param Gati disse que na época
védica, as meninas eram educadas em casa, enquanto os
meninos no gurukula, sendo que eles não vinham com
nenhum tipo de problema emocional, nenhum tipo de
trauma, abuso psicológico, físico, sexual, etc; porque
já vinham de famílias equilibradas que também eram
treinadas no gurukula. Então era uma tradição de
milhares de anos, onde eles naturalmente eram saudáveis
emocionalmente, tornando-se bons discípulos. Porém,
vemos que devido à intervenção de Caitanya Mahaprabhu,
mesmo estudantes que tinham problemas com os pais, ou a
sociedade em geral, no devido curso do tempo resolviam
os seus problemas, graças ao cantar do Maha Mantra, e
Maharaj falou que existem muitos exemplos que constatam
esta realidade, como o de devotos que disseram que todos
os seus problemas foram revelados com a continuidade das
práticas de bhakti, e eles passaram a perdoar os pais, e
etc.
Em mais uma pergunta, o devoto que havia sido monge
disse que, na época em que ele era brahmacari, sempre
ouvia os mestres espirituais e os devotos falarem sobre
um filósofo alemão que saiu à procura de Deus e que,
chegando à Índia, foi a vários templos, até que chegou
no templo de Govinda e pensou: "Ah! Este bate exatamente
com a imagem que eu tenho de Deus!", e o devoto, curioso,
pesquisou para saber quem era este filósofo e descobriu
que ele era Nietzsche. Logo afirmou que não devíamos
generalizar, dizendo que todos os filósofos são ateus e
impersonalistas.
Maharaj complementou dizendo que a filosofia é boa se
ela nos ajuda a compreender a transcendência. E disse
que fora descoberto uma carta que Nietzsche mandou a um
amigo onde ele falava sobre a imagem que as pessoas
tinham dele ser ateu, e se explicou, dizendo que não o
atraía o Deus que sempre castiga, manda a todos pro
inferno, e que as pessoas tem que temer, mas que o
atraía o Deus que brinca, dança, etc. Também comentou
que nesta época, na Alemanha, houve um movimento, que
era uma espécie de moda védica, no século XIX, e que
fora descoberto na França, há alguns anos, uma tradução
de Victor Hugo onde ele fala sobre Indra e planetas
celestiais. Este movimento de moda védica ocorreu no
século XIX até os anos 20 e 30 do século XX, e depois
Hitler o recuperou, e Maharaj disse que o próprio Hitler
era vegetariano e tinha um Guru.
Um devoto comentou que, para cantarmos os santos nomes,
é preciso se livrar das 10 ofensas e limpar o coração,
para que Krishna possa agir de fato em nossa vida.
E Maharaj falou-nos que ao propagar o Maha Mantra Hare
Krishna, Caitanya Mahaprabhu também explicou como cantar,
devendo-se levar o canto com informação e conhecimento
para que a pessoa possa obter os seus resultados,
tornando o processo algo prazeroso e não mecânico,
fazendo com que a pessoa tenha consciência da meta a se
alcançar através do seu cantar. Disse-nos o Swami que a
informação a respeito disto encontra-se no Néctar da
Instrução, no Caitanya-Caritamrta e também no segundo
canto do Srimad Bhagavatam .
Todavia, Maharaj disse que algum benefício sempre se tem
com o cantar do Maha Mantra, pois é um cantar puro, mas
a fim de que esta prática amadureça, Caitanya Mahaprabhu
enfatizou enormemente a informação de como se cantar e
por isso muitos livros foram escritos por Acaryas, e o
Swami frisou que devemos lê-los.
Um ouvinte então questionou Maharaj sobre se, quando um
não devoto ora a Krishna, porém desejoso de bens
materiais, está incorrendo em pecado.
O Swami citou Prabhupada que, baseado em um canto do
Srimad Bhagavatam, diz que não importa a condição em que
tal pessoa se encontre, pois se ela se ocupa em bhakti,
se ela canta Hare Krishna, Krishna satisfaz todos os
desejos. Porém disse Sua Santidade que os devotos
procuram canalizar isto para obter serviço devocional
puro, mas que isso não quer dizer que materialmente eles
tenham que ser miseráveis, mas sim que no devido curso
do tempo, eles renunciam, mas a opulência material
existe e a matéria é boa segundo a maneira como nós a
utilizamos. Portanto não devemos culpar o mundo
material, mas a forma como o manipulamos; logo, se bem
utilizada, a matéria não nos causa problema, pois o
problema não é externo, mas sim interno.
Maharaj também disse que quando Krishna satisfaz todos
os desejos materiais de uma pessoa que ao mesmo tempo
quer Krishna, Ele a ajuda a realizar gradualmente que a
meta última é voltar ao Supremo.
Tivemos então um pergunta que causou os risos dos
presentes. Um ouvinte então questionou a respeito do "haripobre",
e o medo dele ganhar dinheiro, pois as vezes ele cultiva
o medo ao invés de cultivar a fé. Por que não ganhar
dinheiro e ajudar o movimento?
E Maharaj Param Gati disse que cultivar o pensamento de
que não se deve ter nada material é extremamente
artificial, e se um devoto voluntariamente deseja
renunciar, é uma posição pessoal dele, pois existem
muitos devotos ricos no movimento, e este fato em nada
atrapalha as suas devoções a Krishna. E citou um exemplo
da construção de um templo védico em Mayapur que está
sendo financiado por um descendente de uma família muito
rica que, sendo devoto, usa grande parte da riqueza dele
para o movimento. Portanto a riqueza não é má, o
problema é a forma como ela é usada, e concluindo este
raciocínio Maharaj prosseguiu, dizendo que se um
grihasta, um comerciante tem dinheiro, perfeito, que ele
seja muito rico e que use parte de sua riqueza para a
propagação do movimento da Consciência de Krishna.
O palestrante então nos deu um exemplo histórico, sobre
a Índia, e nos indagou: "Por que a Índia foi a terra
mais cobiçada da história?", dizendo que nas grandes
navegações, 500 anos atrás, Alexandre o grande, assim
como os ingleses e muitos outros povos, todos queriam
chegar à Índia, que era muito cobiçada por ser rica,
opulenta, e isso 500 anos atrás, imagine há 5.000 anos!
Maharaj citou um livro publicado na França, A História
da chegada dos muçulmanos na Índia, onde se diz que,
quando os muçulmanos chegaram em Mathura, eles disseram:
"Nós diríamos que esta cidade caiu do céu!". Então era
esplêndida a opulência e sofisticação dos palácios de
Mathura, isso 1.000 anos atrás, porque depois destruíram
tudo. Portanto a cultura védica foi a mais opulenta
materialmente, e durou milhares de séculos, não sendo
uma opulência que durasse apenas 50 ou 100 anos, como
muitos dos impérios de que tivemos notícias. Sua base
era espiritual, baseada nos ensinamentos de Krishna,
dessa forma a opulência material vem com o bem estar
espiritual, pois uma pessoa, quando é bem resolvida
espiritualmente, produz materialmente, ou em outras
palavras, um bem estar interno faz com que uma pessoa
produza externamente, e o Swami de-nos como exemplo uma
pessoa depressiva, que por ser doente não consegue fazer
nada, muito menos trabalhar, e isto é um fato.
Quantas pessoas ricas perderam tudo ou cometeram
suicídio porque ficaram depressivas? Então devemos saber
que, quando uma pessoa pratica uma espiritualidade
saudável, materialmente ela produzirá, e muito, sendo
este o segredo da opulência da civilização védica.
Maharaj disse ainda que Esse negócio de ficar pregando
pobreza não existe! A renúncia é pessoal, não se impõe
isso à pessoa, sendo que também não é um conceito védico.
Uma outra questão foi abordada por um prabhu que disse:
"Me disseram que a Consciência de Krishna é monoteísta,
mas não seria ela politeísta e hierárquica?"
O palestrante então nos explicou que chama-se de
hinduísmo um conjunto de diversos deuses, adoradores e
etc; portanto quando se fala em grandes religiões, o
hinduísmo está incluso, mas por falta de conhecimento
dos teólogos, pesquisadores e historiadores, porque na
verdade dentro do hinduísmo existe a corrente monoteísta
que é o vaishnavismo. Explicou que propaga-se tanto que
o movimento é monoteísta porque eles consideram a
existência dos devas como mitológica, pois eles não
acreditam em semideuses. Então este é um problema muito
sério.
Dando continuidade a sua explicação, Sua Santidade disse
que a igreja recuperou a adoração dos devas com as
festas de solstício por exemplo, que é uma festa da
vitória da luz sobre as trevas, que ocorre no final de
dezembro, em que o dia passa a ser mais longo do que a
noite. Então na Europa havia muitas festas glorificando
este fato, glórias que eram aos semideuses. O Swami nos
disse também que várias culturas adoravam os semideuses,
como a céltica, romana, grega, nórdica e várias outras,
e para estabelecer fortemente a adoração ao Deus único,
categorizou-se os semideuses como seres mitológicos, o
que foi um grande erro.
Já o vaishnavismo, prosseguiu Maharaj, reconhece a
existência de todos os semideuses, porém eles não são
adorados, pois adora-se unicamente a Krishna, e como Ele
próprio diz no Bhagavad Gita: "Aqueles que adoram os
semideuses são pessoas com menos inteligência, pois os
adoram buscando opulência material", e Krishna ressalva
que a shakti dos semideuses, o poder que eles tem de
prover a riqueza material, vem dEle, sendo que os
semideuses possuem este poder porque eles adoram
Krishna.
Maharaj nos deu como exemplo o Senhor Siva, que adora a
sua deidade de Ananta Sesa, uma expansão de Balarama , e
que Lakshmi é devota de Narayana, então Krishna diz que,
ao invés de adorar os semideuses, adore-O, pois Ele pode
proporcionar a riqueza que queremos e ainda nos dar a
liberação.
Dessa forma, o vaishnavismo é monoteísta, assim como o
movimento Hare Krishna, porém, reconhecendo a existência
dos semideuses e respeitando-os, porque eles são devotos
e, quando uma pessoa canta Hare Krishna, eles
consideram-na como parte deles. Então um ser humano que
canta Hare Krishna é considerado como parte dos
semideuses, uma posição muito elevada materialmente, e é
assim que os semideuses encaram os vaishnavas. Logo,
esta é a diferença entre o vaishnavismo e as religiões
ditas monoteístas.
A corrente hinduísta do monoteísmo que prega fortemente
a adoração ao Deus único, Krishna, disse Maharaj Param
Gati, é composta pelas 4 Sampradayas vaishnavas, que são:
Brahma-Sampradaya, Rudra-Sampradaya, Shri-Sampradaya e
Kumara-Sampradaya, que estão em total harmonia, não
adorando os semideuses, mas reconhecendo a identidade e
a existência deles, pois considerá-los seres mitológicos
é ofensivo. Dessa forma, a imagem que o ocidente tem do
hinduísmo é totalmente distorcida, sendo a de um
aglomerado de devas, inclusive Krishna, como um "deus
hindú", com letra minúscula.
Um nono comentário foi feito por um prabhu, que disse
ter lido sobre algum sábio que afirmava existir um Deus
Absoluto que é diferente do Deus criador.
E Maharaj contou-nos que na Índia, os indianos dizem que
Krishna não criou o mundo, mas sim o criador do mundo,
pois Ele tinha coisas mais importantes para fazer,
causando o riso dos presentes.
Uma última pergunta foi feita: "Vaishnavismo pode ser
classificado como uma religião ou como uma cultura
espiritual que possui a religião?"
Prontamente Sua Santidade respondeu, dizendo que
vaishnavismo é uma cultura espiritual onde as
características religiosas estão presentes, sendo isto
explicado por Krishna: "Este processo é o rei da
educação, o rei do conhecimento, e porque ele dá a
direta percepção do eu, ele é então a perfeição da
religião". Krishna mostra a meta última a ser alcançada
como religião e não somente uma coisa ritualística,
explica Maharaj, de ir a algum local, orar e depois
continuar o dia a dia. Não é assim, pois a auto
realização é muito mais do que isso. Dessa forma podemos
classificar o vaishnavismo como uma prática espiritual
em que os aspectos religiosos estão incluídos.
Sua Santidade disse que na França, atualmente, algo
recente é a tendência geral das pessoas buscarem a
espiritualidade, que é exatamente o Movimento de
Sankirtana, que foi o movimento percursor em muitos
aspectos, quebrando paradigmas, mostrando que a mensagem
espiritual está muito além de dogmas, algo considerado
muito intressante por Maharaj Param Gati.
Srila Prabhupada Ki! Jay!
Texto: Bhakta Daniel
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