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Aula de Purushtraya Swami
No Festival de Domingo de 30 de março, o
Adi - Templo teve o prazer de receber Sua Santidade
Purushatraya Swami, coordenador e líder espiritual do
projeto de Goura - Vrindávana, Comunidade Sustentável &
Ashram Hare Krishna de Paraty (RJ) que, em sua breve
visita, ministrou a aula do Bhagavad Gita Como ele é.
Mesmo com a sua curta permanência, muitos devotos e
visitantes estavam presentes, fazendo com que a sala do
templo se enchesse e muitos devotos se aglomerassem na
porta e janela, para desfrutar de sua aula.
Chegando à sala do templo, amavelmente Maharaj
Purushatraya cumprimentou alguns devotos e com o
harmônio "puxou" o mantra Jaya Radha Madhava, que foi
acompanhado por todos os presentes.
Fora escolhido como tema da
aula o
Capítulo
9, O Conhecimento mais Confidencial, Verso nº 29:
samo ´ham
sarva-bhutesu
na me dvesyo ´sti na priyah
ye bhajanti tu mam bhaktya
mayi te tesu capy aham
samah - igualmente disposto; aham - Eu; sarva-bhutesu -
para com todas as entidades vivas; na - ninguém; me -
para Mim; dvesyah - odioso; asti - é; na-nem; priyah -
querido; ye - aqueles que; bhajanti - prestam serviço
transcendental; tu - mas; mam - para Mim; bhaktya - com
devoção; mayi - estão em Mim; te - estas pessoas ; tesu
-nelas; ca - também; api - decerto; aham - Eu
Tradução:
Não invejo ninguém, nem
tampouco sou parcial com alguém. Sou igual para com
todos. Porém, todo aquele que Me presta serviço com
devoção é um amigo, e está em Mim, e Eu também sou seu
amigo.
“Significado: Aqui, talvez alguém conteste que se
Krishna é igual com todos e ninguém é Seu amigo favorito,
então, por que Ele tem um interesse especial pelos
devotos que sempre se ocupam no Seu serviço
transcendental? Mas isto não é discriminação; é natural.
Qualquer homem neste mundo material pode ser muito dado
a fazer caridades, mas ele tem um interesse especial por
seus próprios filhos. O Senhor afirma que toda entidade
viva - em qualquer forma - é Seu filho, e por isso Ele
provê a todos com um abundante suprimento das
necessidades da vida. Ele é como uma nuvem que derrama
chuva por toda parte, não importa se vai cair na pedra,
na terra ou na água. Mas aos Seus devotos Ele dedica uma
atenção especial. Esses devotos são mencionados aqui:
eles estão sempre em consciência de Krishna, e por isso
estão sempre transcendentalmente situados em Krishna. A
própria expressão "consciência de Krishna" sugere que
aqueles que estão nessa consciência são
transcendentalistas ativos, situados nEle. Aqui, o
Senhor diz distintamente que mayi te: "Eles estão em mim
". E naturalmente como resultado, o Senhor também está
neles. Isto é recíproco. Isto também explica as palavras
ye yatha mam prapadyante tams tathaiva bhajamy aham: "Quem
se rende a Mim, na mesma proporção recebe os meus
cuidados". Existe esta reciprocidade transcendental
porque tanto o Senhor quanto o devoto são conscientes.
Quando um diamante é encravado num anel de ouro, o anel
fica muito bonito. O ouro é valorizado, e ao mesmo tempo
o diamante é valorizado. O Senhor e a entidade viva
brilham eternamente, e ao inclinar-se para o serviço do
Senhor Supremo, a entidade viva parece ouro. O Senhor é
um diamante, e essa combinação é muito bonita. As
entidades vivas num estado puro chamam-se devotos. O
Senhor Supremo torna-Se devoto de Seus devotos. Se uma
relação recíproca não está presente entre o devoto e o
Senhor, então, não há filosofia personalista. Na
filosofia impessoal, não há reciprocidade entre o
Supremo e a entidade viva, mas na personalista, sim.
Dá-se frequentemente o exemplo de que o Senhor é como
uma árvore-dos-desejos, e tudo o que se quer desta
árvore Ele fornece. Mas aqui a explicação é mais
completa. Aqui se declara que o Senhor é parcial com os
devotos. Esta é a manifestação da misericórdia especial
do Senhor para com os devotos. Ninguém deve considerar
que a reciprocidade do Senhor está sob a lei do karma.
Ela pertence à plataforma transcendental em que agem o
Senhor e Seus devotos. O serviço devocional ao Senhor
não é uma atividade deste mundo material; ele faz parte
do mundo espiritual, onde predominam a eternidade, a bem
aventurança e o conhecimento."
Maharaj Purushatraya nos explicou, com
outras palavras, o que Krishna quis dizer, ou seja, que
Ele não favorece ninguém e nem rejeita ninguém, sendo
que a Sua misericórdia está para todos. Usando o exemplo
dado por Srila Prabhupada, Maharaj Purushatraya falou
sobre a chuva que cai em diversos lugares como nas
cidades, muitas vezes causando enchentes, nos oceanos,
onde com ela não há grandes transformações e nas
plantações, onde muitas entidades vivas são beneficiadas.
Logo a chuva cai em diversos lugares indiscriminadamente,
assim como a misericórdia de Krishna, que alguns
aproveitam e outros não. Então Krishna diz que é para
todos e que Ele não rejeita ninguém e nem favorece
ninguém.

Dando-nos um outro exemplo, falou sobre a história do
Movimento Hare Krishna, inaugurado 500 anos atrás pelo
Senhor Caitanya Mahaprabhu, que exibiu Seus passatempos
transcendentais e dava Sua misericórdia
indiscriminadamente, como no caso dos dois irmãos Jagai
e Madhai, que eram pessoas totalmente arruaceiras, que
transgrediam todo o tipo de lei, mas apesar de tantas
desqualificações, receberam a misericórdia do Senhor
Caitanya e do Senhor Nityananda , tornando-se devotos de
primeira classe. Então, com esse passatempo, pudemos
perceber que até pessoas tão caídas como nós podem
receber a misericórdia de Krishna.
O Swami nos explicou que a misericórdia vem de diversas
maneiras, e que os devotos que são rendidos a Deus sabem
que a independência é algo ilusório, pois todos somos
dependentes, e como exemplo citou o ar que respiramos, a
água, as sementes, e brincou, indagando-nos a pensar no
caso das sementes entrarem em greve de germinação! Ainda
nos disse que elas realmente deveriam fazê-lo, pois o
uso dos agrotóxicos as danifica e nos prejudica muito!
Portanto, deveriam todas manifestar-se e apenas germinar
de maneira natural. Sabemos que tal greve fictícia seria
um problema, mas ainda assim recebemos a misericórdia
das sementes germinarem e então podemos nos alimentar.

Prosseguindo, Maharaj falou que, na vida urbana, as
pessoas perdem a noção do milagre da natureza e acabam
vivendo de forma extremamente artificial. Citou o caso
da fazenda Goura Vrindávana, quando ocorre o nascimento
de um bezerrinho, e os devotos têm a oportunidade de
assisti-lo. Todos então se emocionam, pois eles vêem o
milagre acontecendo, seja ele o bezerro nascendo ou as
plantas crescendo e produzindo frutos, que entra em
contraposição com a vida urbana, na qual as pessoas
perdem a noção dessas coisas e se cria uma mentalidade
de explorar a natureza, ao invés de apreciá-la e entrar
em sua sintonia, já que a natureza é uma energia de
Deus, e infelizmente a vida e a consciência dessas
pessoas se tornam muito pobres.
Mas Maharaj Purushatraya nos disse que Consciência de
Krishna significa saber que temos a noção de que tudo é
energia de Krishna, que todos somos dependentes de Deus,
mas vivemos num mundo onde a maioria das pessoas julga
ser independente de Deus, pois possuem essa consciência
e ficam centradas no seu ego, pensando que todos os
planetas e astros giram em torno delas e que tudo é para
o seu desfrute, devendo tirar proveito das coisas, e
então mantêm esse estado absolutamente ilusório de que
são independentes e também o centro das coisas ao seu
redor. Mas, em contrapartida, ninguém gostaria de
envelhecer, mas envelhece, de adoecer, mas adoece, de
morrer, mas todos morrem, logo todos são completamente
dependentes, mas mesmo assim, a maioria ainda carrega a
arrogância e se intitula independente. Maharaj então
frisou que todos devemos reconhecer a nossa posição de
dependência a Deus e que tudo o que recebemos é Sua
misericórdia.

Alertou-nos que, tomando refúgio em Krishna e fazendo
uma ligação com Ele, praticamos Yoga, que é a ligação da
alma individual com a Alma Suprema, a Fonte de tudo, e
que esta ligação se dá através da consciência. Portanto,
ao invés de termos uma consciência individualista,
egoísta e egocêntrica, podemos e devemos mudar a
natureza da nossa consciência e passar a considerar que
estamos ligados com a Fonte, e que tudo o que existe é
energia de Deus, sendo todas as entidades vivas energia
do Supremo, então devemos respeitar a todas, não só
àquelas que estão na forma humana de vida, mas também os
outros reinos naturais que são inferiores aos seres
humanos. Se a pessoa não tem essa noção da conexão com a
essência, então ela acaba permanecendo com a mentalidade
egoísta, egocêntrica, que visa apenas tirar vantagem das
situações. Logo, Consciência de Krishna é o estado mais
elevado de consciência, onde a pessoa tem a noção que
está conectada com a Fonte de tudo, que é Krishna! E a
partir daí, a pessoa pode seguir a vida, com confiança,
por que agora ela tem um refúgio fidedigno.
Aqueles que consideram-se independentes, com o passar do
tempo se encontrarão numa situação de desamparo. Muitas
vezes estas pessoas desfrutaram de certas facilidades
financeiras, sociais, e se mantêm com entretenimento e
conforto, fazendo deles a sua meta de vida, porém a vida
vai caminhando para o final e a pessoa se vê desamparada
e de repente está numa situação onde terá que mergulhar
no desconhecido total, e então Maharaj Purushatraya
disse que qualquer valente treme de medo desta situação,
onde a pessoa então se questiona "O que vai ser de mim?"
ou "Com o que que eu vou me deparar pela frente?". Logo,
se a pessoa não tem um refúgio, ela se encontrará num
desamparo total e isso é apavorante, fazendo com que as
pessoas entrem em desespero, depressão profunda, outros
ficam totalmente frustrados por que vêem que todo o
esforço de sua vida, na hora da morte, não valeu de
nada.

Maharaj fez uma metáfora com a adolescência, pois disse
que todos os adolescentes são rebeldes por quererem
livrar-se das regras dos pais, e que isto nessa fase é
natural, porém não devemos ter esta mentalidade para o
resto da vida. Da mesma forma, tudo na vida é esforço e
Krishna diz isso no Bhagavad Gita, ou seja, até para
manter o corpo é preciso se esforçar. A regra da vida
das pessoas que pensam que são independentes é a de se
esforçar, e não há como fugir disso, e isso inclui
aceitar que todos somos dependentes e temos uma ligação
com a fonte; não reconhecer isso nos torna "adolescentes
espirituais".
Porém, Sua Santidade ressaltou que não podemos nos
render a qualquer um, e deu como exemplo o caso de
alguém ter que se render a um bandido, o que é
extremamente humilhante, e que se contrapõe absurdamente
ao fato de alguém se render a Deus, o que é sem dúvida a
forma mais elevada e exaltada de consciência espiritual.
Isto está contido na segunda parte do verso escolhido do
Bhagavad Gita, em que Krishna diz que no caso daqueles
rendidos a Ele, que são Seus devotos e que têm a
consciência de que Ele é a essência, o relacionamento
entre Krishna e eles é outro, pois há uma integração
total, onde o que flui é a energia de amor, de devoção
de bhakti, e essa energia tem dois sentidos, ou seja da
parte do devoto em relação a Deus, e da parte de Deus
para com o devoto.
Maharaj Purushatraya então brincou com os adesivos
comumente encontrados nas traseiras dos carros, onde se
tem escrito "Deus é fiel", e Maharaj então questionou "E
você?", causando os risos dos presentes. E disse que há
aqueles que acusam Krishna de parcial, mas Krishna
afirma que não é parcial, logo poderão surgir as
perguntas "Por que Krishna dá mais facilidades para tal
pessoa e não para mim?" ou "Se Deus existe, por que Ele
não me faz esse favor?", e então o Swami prontamente
afirmou: "mereça!"

Lembrou-nos o Palestrante que Krishna fala no
Bhagavad-Gita, e Srila Prabhupada citou no verso, "Quem
se rende a Mim, na mesma proporção recebe os meus
cuidados", ou seja, a relação com Krishna é muito
natural, logo, por que tal pessoa terá vantagem, se esta
não merece?
Portanto, se queremos liberdade, devemos ter
responsabilidade, por que quem não tem responsabilidade,
não merece ser livre e como exemplo Maharaj Purushatraya
citou os prisioneiros de penitenciárias, que são
rebeldes de nível social, mas também lembrou-nos dos
rebeldes espirituais, que disse sermos todos nós, e
ainda gracejou, dizendo que vivemos em uma grande
penitenciária.
Advertiu-nos sua Santidade que os devotos, mesmo com as
imposições naturais da vida corpórea, encaram isto
apenas como um detalhe, pois possuem a consciência livre,
consciência esta muito mais elevada do que o nível de
consciência prático da vida, em que pessoas passam a
vida toda resolvendo apenas assuntos mundanos (pagar a
conta no banco, ir ao mecânico, ao super mercado, pagar
o aluguel...), em que a consciência não se eleva. Mas o
processo de Consciência de Krishna serve para elevar a
consciência, pois quando a pessoa vive apenas a vida
prática, ela não tem consciência de Deus, podendo ser
muitas vezes até religiosa, mas que vai a igreja somente
para pedir coisas ,"Dê-me isso", "dê-me aquilo", não
possuindo um relacionamento amoroso com Deus.
Logo, devemos entender o nosso relacionamento com Deus
com maturidade espiritual, e não ficar na "adolescência
espiritual" a vida inteira, mas sim, sermos pessoas
maduras, que entendem o seu papel na vida, qual o seu
significado, o seu propósito, pois a maioria das pessoas
vive e infelizmente nem se dá conta de qual é o
propósito da vida, o porquê de estar vivendo e fica
perplexa diante de tanto sofrimento que se vê, e mesmo
assim não toma uma atitude perante a vida, e mantem-se
espectadora dos desastres que acontecem, e acaba
esquecendo-se que o desastre poderá acontecer com elas
próprias. E mesmo assim, se questionadas sobre o
propósito da vida, teremos como resposta "conforto e
entretenimento". Então, chegam ao final da vida com
frustração, depressão e desespero, sendo que a única
coisa que vamos levar desta vida é a nossa consciência,
portanto não podemos levá-la de forma tão perturbada.
Sua Santidade afirmou que a "Hora Final" da vida é que
vai definir se ela foi ou não bem vivida. Então, se a
pessoa apenas desfrutou, teve muitas vantagens materiais
em vida, mas se saiu mal, pois sua consciência prática
mundana a deixou desamparada e sem um refúgio fidedigno,
neste momento tão importante, então a vida não valeu a
pena e infelizmente, não foi bem vivida. Mas se a pessoa
abandona o corpo em paz, confiante, com serenidade, com
toda a lucidez e refugiada em Deus, então, essa é uma
pessoa grandiosa, que terá uma saída gloriosa. A vida é
para isso; para entendermos a realidade da existência,
logo essa é a nossa oportunidade de elevar a nossa
consciência, mas a maioria das pessoas está
desperdiçando esta oportunidade.
Maharaj Purushatraya, nos falou que quando se é jovem e
se tem vigor, beleza física, a pessoa é alegre, mas a
medida que o tempo vai passando, e a pessoa vai
envelhecendo, o corpo vai perdendo a sua beleza e a vida
vai ficando difícil, sem motivação, e Maharaj então
brincou com os ouvintes, dizendo que a única motivação
vira a novela das 6, tornando a vida pobre, com uma
sensação de sofrimento no ar, criando profundos
meditadores e fazendo com que qualquer Yogue fique
impressionado com a potência da meditação, meditação
esta que se resume no sofrimento do indivíduo, que se
encontra completamente absorto em sua situação infeliz.
Porém a consciência de Krishna é o contrário disso, é a
Consciência Plena, em que se explica o porquê de se
viver, o mundo em que se vive, a nossa natureza, e o
Bhagavad-Gita nos dá essa compreensão, pois lá Krishna
nos dá este conhecimento e devemos levá-lo a sério. O
processo da Consciência de Krishna é muito sublime,
sendo a oportunidade de espiritualidade para toda e
qualquer pessoa.
Finalizando, Maharaj brincou que a base dessa
espiritualidade é um "segredinho" e não um mistério quq
é desvendado apenas para poucos. O "segredinho" são
palavrinhas de uma combinação muito particular que é o
Maha Mantra Hare Krishna! O Grande Mantra!
Então todos cantaram
HARE KRISHNA HARE KRISHNA KRISHNA KRISHNA HARE HARE
HARE RAMA HARE RAMA RAMA RAMA HARE HARE.
Tivemos então três perguntas dos ouvintes.
A primeira foi de um devoto, que perguntou a Maharaj de
qual exemplo ele mais gostava e meditava sobre a
reciprocidade de Krishna com Seu devoto, e com uma
pequena pausa, Maharaj então olhou para a murti de Srila
Prabhupada e todos sorriram. Maharaj disse que a vida de
Srila Prabhupada é muito inspiradora e que, num certo
tempo, no ponto de vista material, a vida de Srila
Prabhupada estava indo por água abaixo, pois a relação
com a família estava ruim, os negócios não iam para
frente, e então Srila Prabhupada se apegou a um verso do
Srimad Bhagavatam, onde Krishna diz "para mostrar a
Minha misericórdia a um devoto rendido, Eu tiro todas as
suas oportunidades materiais", e todos na sala do templo
riram! Porém, Srila Prabhupada compreendeu a
misericórdia que estava recebendo de Krishna. Foi uma
realização muito prática, e até em termos astrológicos
explica-se que há situações em que a vida material não é
favorável aos negócios, aos relacionamentos, porém, se
torna muito favorável a vida espiritual, a renúncia, a
introspecção, e se a pessoa percebe isso, ela será feliz
nessa situação, mas se ela insiste em lutar contra essas
forças materiais, ela sofrerá e terá muita ansiedade,
então Srila Prabhupada percebeu que a sua situação era
devido à misericórdia de Krishna e rendeu-se totalmente,
sem nenhuma aspiração de se desenvolver materialmente.
Continuando a sua explicação, Maharaj Purushatraya disse
que Krishna deu tanta misericórdia a Srila Prabhupada
que este veio pregar a Consciência de Krishna no
ocidente, sozinho, com 70 anos de idade, sem nenhuma
experiência de vida no exterior, sem nenhum arranjo
material, e mesmo assim, foi muito bem sucedido, devido
a sua sinceridade e rendição. Srila Prabhupada recitou
poemas em que dizia que não sabia o que iria acontecer,
e que estava nas mãos de Krishna, como uma marionete, e
Krishna faria dele o que bem entendesse. E assim, Srila
Prabhupada conquistou o mundo, e assistiu isso em vida,
tudo por misericórdia de Krishna.
Concluindo a sua explicação, Maharaj disse que todos os
devotos são como canais de misericórdia de Krishna, e
devemos ter os canais desta misericórdia, para que ela
se espalhe cada vez mais para todos! Sendo que cada
livro que um devoto consegue colocar na mão de uma
pessoa são fragmentos da misericórdia de Krishna, que
alguns aproveitam e outros não.
Outra questão também foi de um devoto, que perguntou a
respeito da misericórdia de Krishna. O devoto questionou
se o fato da entidade viva se render a Krishna é devido
a Sua misericórdia, ou foi por que a pessoa desejou se
render e levar uma vida espiritual, e dessa forma
Krishna, de maneira recíproca, lhe concede a rendição,
ponto que foi explicado no estudo do verso.
Como resposta, Maharaj Purushatraya citou um verso do
Sri Caitanya Caritamrta, que diz que as entidades vivas
dentro do universo, e ocupando diferentes formas de vida,
estão tomando corpos atrás de corpos, em diferentes
ciclos de vida e graças à misericórdia sem causa de
Krishna, ou dos representantes de Krishna, seus devotos,
a pessoa se torna afortunada, e a semente de bhakti, de
devoção a Deus, passará a germinar em seu coração.
O Swami disse que a misericórdia é aleatória e por isso,
chama-se misericórdia sem causa.
Também explicou que se existe bondade no coração da
pessoa, a misericórdia virá de forma muito mais fácil,
em contrapartida com uma pessoa que tem maldade e más
qualidades, em que a obtenção da misericórdia se torna
mais difícil. Logo, o cultivo da bondade é conducente ao
recebimento da misericórdia de Krishna, porém, ela
poderá atingir a qualquer pessoa.
A última pergunta foi de um devoto, que dizia que o
verso estudado mostrava dois aspectos da reciprocidade
de Krihna, sendo o primeiro a misericórdia e o segundo a
justiça, que deverá ser igual para todos, e questionou
se esses dois aspectos, juntos, fariam o nosso proceder
no mundo.
Maharaj disse que ninguém deve se sentir injustiçado,
pois todos tem o que merecem e afirmou que a garantia
dessa justiça é Krishna no coração de todos em forma de
Paramatma (expansão de Krishna muito bem explicada no
Bhagavad-Gita), que acompanha a trajetória de todo mundo
e é a garantia fidedigna de que haja justiça com todos.
Srila Prabhupada Ki Jay!!!
Iniciou-se então o Arotik.



Texto: Bhaktin Carla
Fotos: Bhakta Sandro e Madhumati Radhika Devi Dasi
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