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A aula do dia 16.3.08 foi ministrada por
Rama Putra Das, devoto antigo do yatra brasileiro que
por muitos anos administrou a Fazenda de Nova Gokula.
Inicialmente cantou o mantra Jaya Radha
Madhava, e envolveu a platéia numa atmosfera propícia
para a transcendental leitura do Bhagavad Gita.

Depois cantou o mantra “om namo bhagavate
vasudevaya”, e explicou que o entoar desse mantra
consiste numa Sankalpa, uma forma de registrar o
sacrifício que se iniciaria (a leitura do Gita), nos
círculos cósmicos.
Explicou que kalpa é o ciclo de 4 yugas
ocorrido por mil vezes, e explicou a todos a duração das
4 yugas para ressaltar que uma kalpa é realmente muito
tempo.
Disse que, entoado o mantra, o momento da
leitura do Gita que se iniciaria ficaria impresso no
tempo. Agradeceu então a oportunidade de estar
palestrando no Adi Templo de São Paulo, e começou a
leitura.
O verso escolhido foi o 2.51, que em
português ficou traduzido como segue:
karma-jam
budhi-yukta hi
phalam tyatva anisinah
hanmma-bandha-viniruktah
padam gacchanty anamayan
karma-jam - devido a atividades fruitivas;
budhi-yukta - estando ocupado em serviço devocional; hi
- decerto; phalam - resultados; tyaktva - renunciando;
manisinah -grandes sábios ou devotos; jana-bandha - do
cativeiro de nascimentos e mortes; vinirmuktahh -
liberados;padam - posição; gacchanti - alcançammm;
anamayam - sem misérias.
Tradução:
Ocupando-se no serviço
devocional ao Senhor, grandes sábios ou devotos livram-se
dos resultados de trabalho no mundo material. Agindo
assim, eles ficam livres do ciclo de nascimento e morte,
e passam a viver até de todas as misérias [indo de volta
ao supremo].
SIGNIFICADO:
As entidades vivas
liberadas pertencem àquele lugar onde não existe
misérias materiais. O Bhagavata (101258) diz:
saasrita ye pada-pallava-pala
mahat-pada punya-yaso murareh
bhavambudhir vatsa-padam param padam
padamm padamm yad vipadam na tesam
"Para alguém que aceitou o barco dos pés
de lótus do Senhor que é o abrigo da manifestação
cósmica e é famoso como Mukhunda, ou o outorgador de
mukti, o oceano do mundo material é como a água contida
na pegada de um bezerro. Param padam, ou o lugar onde
não há misérias materiais, ou Vaikhunta, é sua meta, e
não o lugar onde se corre perigo a cada passo da vida"
Devido à ignorância, não se sabe que este
mundo material é um lugar miserável onde há perigos a
cada passo. Só por ignorância, pessoas menos
inteligentes recorrem à atividades fruitivas, tentando
ajustar-se à situação, pois acham que as ações
resultantes vão fazê-las felizes. Elas não sabem que
dentro do Universo, nenhum tipo de corpo material pode
propiciar uma vida sem misérias. As misérias da vida, a
saber, nascimento, morte, velhice e doenças, estão
presentes em toda parte do mundo material. Mas aquele
que compreende sua verdadeira posição constitucional
como servo eterno do Senhor, e assim conhece a posição
da Suprema Personalidade de Deus, ocupa-se no serviço
transcendental amoroso ao Senhor. Conseqüentemente, ele
se qualifica a entrar nos planetas Vaikhunta, onde não
há vida material miserável,, nem a influência do tempo e
da morte. Conhecer a própria posição constitucional
significa,também conhecer a posição sublime do Senhor.
Deve-se entender que aquele que pensa que a posição da
entidade viva e a posição do Senhor estão no mesmo nível
encontra-se na escuridão e é, portanto, incapaz de
ocupar-se em serviço devocional ao Senhor. Ele mesmo
torna-se um senhor e assim ingressa na estrada de
repetidos nascimentos e morte. Mas aquele que,
compreendendo que está na posição de servo passa a
executar serviços ao Senhor, imediatamente torna-se
candidato a ir a Vaikunthaloka. O serviço em prol do
Senhor chama-se karma-yoga ou buddhi-yoga, ou, em
palavras simples, serviço devocional ao Senhor.
Prabhu Rama Putra começou sua explanação
comentando sobre a última linha do verso, estado em que
a alma começa a viver com todas as misérias, durante
toda a existência do universo. Explicou que a filosofia
já fizera muitas propostas a respeito do problema da
miséria e da felicidade, mas alertou que Prabhupada diz
que, quando a felicidade vem do gozo dos sentidos, é
animalesca.
Comentou, o palestrante, que Aristóteles
já apontava que esse tipo de felicidade é sempre fugaz,
e resulta em frustração, aceitando que a felicidade
derivada do contato dos sentidos com os objetos dos
sentidos não é verdadeira.
Disse, Rama Putra Prabhu, que os
cientistas buscam a resposta para a origem da felicidade
em certos elementos químicos do corpo, mas ressalvou que
isso também depende de fatores externos, e também não
pode ser considerada verdadeira felicidade.

O palestrante explicou que pessoas virtuosas, no modo da
virtude, ou bondade, são de fato mais felizes.
Exemplificando, disse que pessoas que cuidam de
animaizinhos são mais felizes, e que Krishna corrobora
essa constatação ao afirmar que pessoas com felicidade
interna devem cultivar a bondade. Considerou, o
palestrante, que pessoas virtuosas são mais felizes,
como concluíram grandes filósofos, tais quais
Aristóteles e o Senhor Buda.
Porém, explicou que no verso em comento,
Krishna está indo além, fazendo, portanto, menção a uma
felicidade diferenciada. Rama Putra Das explicou que
mesmo a felicidade oriunda da bondade é mesclada com
sofrimento, posto que pode trazer orgulho, cinismo etc.
Disse o palestrante que Aristóteles, em
sua época, já constatara que os atenienses precisavam de
muitos fatores externos para se dizer felizes. Explicou,
Rama Putra, que Diógenes captou a idéia aristotélica, e
iniciou definitivamente a filosofia conhecida como
cinismo (“como cães”).
Prabhu Rama Putra explicou que Krishna
diz que o materialista que busca liberação negando tudo,
e os sidhis que buscam perfeições yogicas são ashantas (intranqüilos),
denotando uma vontade sutil de serem felizes.
O palestrante argumentou que o verdadeiro
sábio é verdadeiramente feliz, interagindo com o mundo
todo com renúncia, numa forma de oferenda a Krishna.
Explicou que quando damos prazer para Krishna, recebemos
prazer ilimitado. Em oposição, relembrou que nesse mundo
cada passo é um perigo oriundo das três misérias.
Disse, de outro lado, que interagimos com
esse mundo com inversão da consciência, se percebemos
que não somos o corpo (e seus elementos materiais como
fogo, águia, terra, éter, mente ,inteligência e ahankara
- falso ego), entendendo, em contrapartida, que nosso
único patrimônio é a consciência, então qualquer lugar
para nós será espiritualizados.
Explicou que Rupa Goswami já dissera para
o Senhor Caitanya que, onde o Ele estivesse, lá estaria
Vrindavana.
Contou o passatempo de como Vrindavana
havia se manifestado fora de Vrindavana (quando, na
época em que Radharari abandonou seu corpo, a principal
esposa de Krishna em Dvaraka teria percebido a tristeza
da separação de Krishna do lugar onde este crescera e
mandou construir em seu castelo uma réplica dos jardins
de Vrindavana, tendo, logo em seguida, incorporado
Radharani toda vez que visitava o lugar).
Contou ainda como os habitantes de
Vrindavana relutaram ao permitir que Krishna fosse a
Dvaraka e, simultaneamente, o palestrante explicou a
posição única ocupada por Vrindavana no universo,
comparando-a à Jerusalém dos cristãos.

Explicou as características de Krishna, e
explicou as quatro qualidades que unicamente são de
Krishna, como o poder de sua flauta, seus passatempos
amorosos, sua beleza etc., além de explicar que das
demais 60 outras qualidades de Krishna descritas no
Upadeshamrta, 55 podem ser alcaçadas até mesmo pela Jiva
(alma). Argumentou, o palestrante, que se a alma
desenvolve compassividade (uma dessas 55 qualidades),
pode trazer todas as energias boas ao seu redor.
Disse que mesmo quando Krishhna libertou
os seus parentes reis da prisão, colocando-se, portanto,
como agente de um feito heróico, ainda assim não ficara
orgulhoso, e com a luminosidade derivada de sua
compaixão, iluminara as celas dos prisioneiros que
haviam sido enclausurados na escuridão total. Explicou
também que, ao ver Bhisma numa cama de flechas, Krishna
esqueceu-se de si próprio, demonstrando mais uma vez sua
infinita compaixão.
Após contar esses passatempos nectários
com detalhes, abriu para perguntas e respostas, que, em
resumo, consistiram em comentários acerca do conceito de
humildade.
Texto: Bhakta Daniel
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