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Aula do
Bhagavad-Gita ministrada no dia 22/02/09, Domingo,
por Tirthatma Nitai Das
No dia 22 de Fevereiro tivemos, no espaço
da rua Novo Horizonte, uma aula do Bhagavad-Gita
ministrada pelo prabhu Tirthatma Nitai Das, discípulo de
Sua Santidade Jayapataka Swami. Foi lido o Verso 6,
Capítulo 14 do Bhagavad-Gita Como Ele É:

“tatra sattvam nirmalatvat
prakasakam anamayam
sukha-sangena badhnati
jnana-sangena canagha
tatra -
lá; sattvam - o modo da bondade;
nirmalatvat - sendo o mais puro no mundo material;
prakasakam - iluminado; anamayam - sem
nenhuma reação pecaminosa; sukha - com felicidade;
sangena - pela associação; badhnati -
condiciona; jnana - com o conhecimento;
sangena - pela associação; ca - também;
anagha - ó impecável.
Tradução:
Ó pessoa virtuosa, o modo
da bondade, sendo mais puro do que os outros, ilumina,
livrando a pessoa de todas as reações pecaminosas.
Aqueles que estão situados neste modo condicionam-se a
uma sensação de felicidade e conhecimento.
SIGNIFICADO:
As entidades vivas condicionadas à
natureza material são de várias categorias. Alguém pode
ser feliz, outrem, muito ativo, mas há outro que se
sente desamparado. Todos estes tipos de manifestações
psicológicas são a causa da posição condicionada das
entidades na natureza. Nesta seção do Bhagavad-gita,
explica-se como elas se condicionam de maneira diferente.
Primeiramente, tecem-se comentários sobre o modo da
bondade. No mundo material, quem desenvolve o modo da
bondade acaba se tornando mais sábio do que aqueles
condicionados a outras circunstâncias. Um homem no modo
da bondade não é tão afetado pelas misérias materiais, e
ele sente o avanço em conhecimento material. A figura
representativa é o brahmana, que se supõe estar
situado no modo da bondade. Esta sensação de felicidade
deve-se à compreensão de que, no modo da bondade, a
pessoa está mais ou menos livre de reações pecaminosas.
Na verdade, na literatura védica se diz que o modo da
bondade significa maior conhecimento e uma maior
sensação de felicidade.
O problema é que, quando se situa no modo
da bondade, o ser vivo fica induzido a sentir que é
avançado em conhecimento e que é melhor do que os outros.
Dessa maneira ele se condiciona. Os melhores exemplos
são o cientista e o filósofo. Cada qual tem muito
orgulho de seu conhecimento, e porque em geral melhoram
suas condições de vida, eles sentem uma espécie de
felicidade material. Na vida condicionada, esta sensação
de felicidade superior deixa-os atados ao modo da
bondade da natureza material. Nesse caso, eles ficam
atraídos a trabalhar no modo da bondade, e, enquanto
sentem atração para essa espécie de trabalho, eles devem
aceitar algum dos corpos oferecidos pelos modos da
natureza. Assim, não há possibilidade de liberação, ou
de sua transferência para o mundo espiritual. Repetidas
vezes, a pessoa pode tornar-se um filósofo, um cientista,
ou um poeta, e repetidas vezes envolver-se com as mesmas
condições desfavoráveis apresentadas sob a forma de
nascimentos e mortes. Porém, devido à ilusão que a
energia material lhe impõe, o homem pensa que esta
espécie de vida é agradável."
Prabhu Tirthatma disse-nos que muito
dinheiro é gasto em pesquisas científicas e,
conseqüentemente, muito deste é ganho pelos cientistas
que sempre chegam muito perto de suas metas, mesmo que
poucos sejam os casos em que realmente as alcançaram.
Assim sendo, o prestígio desses profissionais é grande,
tal quanto a sua sensação de superioridade.
Citando as palavras de Prabhupada,
Tirthatma explicou-nos que, ao se sentir superior, tal
pessoa acaba nascendo novamente, continuando no ciclo da
natureza material, influenciado pelos modos da natureza
– a bondade, a paixão e a ignorância. Krishna diz que
devemos entender os modos da natureza, assim como a
nossa atual limitação nos modos, e então buscarmos a
transcendência.
Continuando, o prabhu falou-nos que no
modo da bondade há um risco, pois a pessoa que nele se
encontra pode vir a ficar vaidosa de sua situação. Logo,
deve-se tomar cuidado para que tal fato não aconteça,
pois em tal plataforma não haveria avanço e não nos
tornaríamos diferentes das outras pessoas, uma vez que
continuaríamos enredados nos modos da natureza material.
Dessa forma, a Consciência de Krishna deve estar
presente no modo da bondade.
Falou-nos Tirthatma que nos outros modos, a saber, a
paixão e a ignorância, passamos a agir sem pensar,
ocasionando sociedades que tendem apenas a criticar, sem
refletir além do porquê de tal situação e de como
chegamos a ela.
Quem se situa no modo da paixão,
explicou-nos o palestrante, está muito sujeito a cobiça,
sempre indo atrás de seus anseios, porém quase nunca os
satisfazendo. Além do mais, tais pessoas geralmente não
fazem o uso da inteligência, não possuindo calma para
resolver problemas, sempre dando o "veredicto" sem ao
menos raciocinar ou levar em conta outros fatores que,
na ocasião, se chocam com suas idéias.
Quanto ao modo da ignorância, prabhu
Tirtatma deu-nos um exemplo bastante engraçado; uma
pessoa que teve o seu pé pisado, sem querer, por algum
devoto em um Kirtana e ficou muito nervosa, sem
compreender a ocasião, que geralmente conta com muitos
devotos dançando para o prazer de Krishna.
No modo da bondade, explicou-nos o palestrante,
espera-se que tal pessoa, como no caso, um brahmana,
pense no depois, que tenha consciência, planejando sua
vida, raciocinando e fazendo uso de sua inteligência,
pois quem se situa no modo da bondade questiona-se
quanto ao porquê, e graças à misericórdia de Krishna e
Prabhupada podemos obter as respostas nos livros védicos.
Entretanto, Tirthatma disse-nos que
bondade é diferente de inércia, ou seja, não agir não
significa que estamos no modo da bondade, pois para
termos sucesso, precisamos de um pouco de paixão, de
garra, uma vez que perdemos oportunidades com a inércia.
Com um exemplo bem descontraído, contou-nos um caso
fictício de um jovem que mesmo estando com sua casa toda
suja e bagunçada, senta em um cantinho e lá faz um
mínimo de ajuste para poder ler o Bhagavad-gita. Então,
se incomoda com um som alto e repentino que ao averiguar,
constata que foi ligado por sua mãe, para então limpar a
casa. Logo reclama que quer ler, mas que é impedido pela
paixão da mãe, em querer limpar a casa.
Referindo-se ao exemplo dado, o prabhu
explicou-nos que uma pessoa situada no modo da bondade,
que vivenciasse tal caso, deveria fazer o uso da
inteligência e compreender que para que se pudesse
realizar uma boa leitura, seria necessário um ambiente
limpo, pois somente assim ele se tornaria agradável e
favorável para uma boa compreensão da literatura.
Então pudemos entender que quem esta no
modo da bondade e consciente de Krishna busca usar dos
modos para a realização do seu serviço em Consciência de
Krishna.
Como outro exemplo para melhor ilustrar a
explicação, prabhu Tirthatma referiu-se a Prabhupada,
que mesmo sendo um senhor de idade, usou da paixão e da
garra para conseguir trazer a Consciência de Krishna
para o Ocidente, pois mesmo sendo uma alma liberada,
teve compaixão por nós e submeteu-se aos modos. Dessa
forma, o prabhu falou-nos que, com o uso da inteligência,
podemos usar da paixão para conseguirmos o que queremos.
Ressaltou-nos Tirthatma que apenas uma
alma liberada, um Guru fidedigno, pode nos ajudar a
transcender os modos da natureza material, e assim nos
elevar a vida espiritual, pois nossa vida não se resume
a ficarmos atados à natureza material.
Citou-nos a pergunta que Arjuna faz a Krishna,
perguntando-Lhe como ele poderia livrar-se da natureza
material, e Krishna então respondeu-lhe que, a partir do
momento em que nós entendêssemos os modos da natureza
material e não mais estivéssemos apegados a eles,
estaríamos preparados para alcançar a Sua morada eterna.
O palestrante então abriu espaço para
perguntas.
Uma devota questionou se os cientistas
não aproveitam de sua inteligência porque se orgulham de
serem inteligentes e isso não é propício, pois agindo
dessa forma, eles continuam se contaminando.
Tirthatma explicou que os cientistas
podiam usar sua inteligência para Krishna, porém eles a
acabam usando para si e dessa forma enredam-se no ciclo
de nascimentos e mortes.
Uma segunda questão foi levantada por um
devoto que não concordou com a explicação de que um
brahmana deva usar do modo da paixão, uma vez que
este é usado pelos ksatryas.
O palestrante então explicou por meio de
um exemplo, supondo o presidente de um templo, que tenha
de lidar com 30/40 monges residentes internos, no caso
de um Festival de Domingo, onde todos têm de fazer algum
serviço, como preparar a prasada, limpar o templo, logo,
precisam de alguém que saiba comandar, pois se não
houver certa paixão, as coisas não acontecem.
Comentou o caso de grandes empresas, onde
os funcionários têm de cumprir determinadas metas
durante o mês. Se o chefe for por demais gentil, ele não
incentivará seus funcionários e decerto nenhum deles
cumprirá a meta do mês.
Falou-nos também que os guerreiros ksatryas estão
na paixão, mas que um brahmana também precisa de
determinação para fazer certas coisas e que a ação é
importante em Consciência de Krishna.
Finalizando sua aula e com o fim das perguntas, prabhu
Tirthatma explicou que devemos entender que estamos
todos situados nos modos, mas que precisamos
transcendê-los.
Iniciou-se então o Arotik.
Texto: Bhaktin Carla
e Bhakta Pedro
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