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No domingo dia 02/12 o Adi – Templo
recebeu um devoto vindo de Campina Grande – PB, prabhu
Vraja Bihari, discípulo de Prabhupada, que ministrou uma
aula do Bhagavad – Gita para os devotos e visitantes lá
presentes. Antes de começar, Vraja Bihari pediu
humildemente as bênçãos dos brahmanas presentes, para
que assim a aula tivesse um bom andamento.
Foi escolhido o Capítulo 5 (Karma–Yoga – Ação em
Consciência de Krishna), versos 8 e 9.
naiva
kiñcit karomit yukto manyeta tattva-vit
pasyañ
srnvan sprsañ jighrann asnan gacchan svapan svasan
pralapan
visrjan grhnann unmisan nimisann api
idriyãnindriyãrthesu
vartanta iti dhãrayan
 Tradução:
Embora ocupado em ver, ouvir,
tocar, cheirar, comer, locomover-se, dormir e respirar,
quem tem consciência divina, sempre sabe dentro de si,
que na verdade não faz absolutamente nada. Porque
enquanto fala, evacua, recebe, ou abre e fecha os olhos,
ele sempre sabe que só os sentidos materiais estão
ocupados com seus objetos ao passo que ele é distinto de
tudo.
SIGNIFICADO:
“Quem
é consciente de Krishna é puro em sua existência e, por
conseguinte, nada tem a ver com nenhum trabalho que
dependa das cinco causas imediatas e remotas: o autor
da ação, o trabalho, a situação, o esforço e a sorte.
Isso se deve ao fato de ele ocupar-se no serviço
transcendental amoroso a Krishna. Embora pareça estar
agindo com seu corpo e sentidos, ele sempre reconhece
que sua verdadeira posição é ocupar-se em atividades
espirituais. Na consciência material, os sentidos estão
ocupados no gozo dos sentidos, mas na consciência de
Krishna os sentidos estão ocupados na satisfação dos
sentidos de Krishna. Portanto, quem está em consciência
de Krishna sempre está livre, embora pareça estar
ocupado em afazeres ligados aos sentidos. Atividades,
tais como ver e ouvir, são ações dos sentidos destinadas
a receber conhecimento, ao passo que mover-se, falar,
evacuar etc., são ações funcionais dos sentidos. O
devoto consciente de Krishna jamais se deixa afetar
pelas ações dos sentidos. Ele só pode executar atos no
serviço do Senhor porque sabe que é um servo eterno do
Senhor.”
O devoto nos explicou que, intelectualmente,
entendemos que somos almas espirituais, mas que na
prática, temos a tendência de não agir conforme esta
compreensão. Citou a filosofia védica, que explica que a
vida condicionada é comparada a um sonho, porque a alma,
que é eterna, nada tem a ver com essa existência, mas
devido à mente, que está ligada aos sentidos e a
interação destes com a matéria, cria-se uma
identificação com as atividades decorrentes e, a partir
destas, se dá o karma, que nos prende a esse mundo, seja
ele bom ou ruim.
O bom karma, proveniente de ações virtuosas, nos
proporciona felicidade, saúde, dinheiro e benefícios
materiais, entre outros. Já o mau karma, decorrente de
ações não virtuosas que são praticadas devido às ilusões
de nossa mente, como rancor, inveja, cobiça, nos dará um
resultado negativo, o sofrimento. Portanto, estando no
mundo material, experimentamos os resultados de nossas
ações positivas e negativas e estamos sujeitos ao karma.
Porém Krishna diz, e no significado Prabhupada
explica, que o devoto não pára com as suas atividades,
mas sim, as faz em relação com Krishna, executando o
Bhakti Yoga, ou seja, o serviço devocional, ocupando os
seus sentidos a serviço do Senhor dos sentidos, uma vez
que Krishna é o Verdadeiro Proprietário dos sentidos.
Vraja Bihari afirmou que, no Bhagavad–Gita, Krishna
diz que não devemos deixar de agir por nenhum momento,
pois mesmo quando estamos imóveis e pensamos que não
estamos agindo, podemos pensar coisas virtuosas ou não,
como planejar fazer algo errado, logo a mente se torna
inquieta e dessa forma acabará gerando karma.
Krishna também nos diz que karma é algo complexo
para se entender (ação e reação), pois ele nem sempre é
imediato. Prabhu Vraja Bihari comparou o karma com o
plantar de uma semente que irá crescer, germinar e só
com o passar do tempo, dará um fruto. Dessa forma, o
karma às vezes requer vidas para a sua reação.
Um devoto em consciência de Krishna ocupa
gradualmente os seus sentidos. Primeiro ele começa
ouvindo (como exemplo a aula do Bhagavad–Gita que a que
estávamos assistindo), depois cantando os santos nomes
de Deus, vendo as Deidades, oferecendo alimento a
Krishna e tomando prasada. Logo as atividades comuns dos
sentidos (ver, ouvir, cheirar...) vão sendo executadas
com relação a Krishna e transcendendo a criação do
karma, que prende a pessoa ao mundo material.
Ações virtuosas são necessárias e algumas religiões
pregam ou enfatizam a caridade, porém estas ações
desvinculadas de Deus, Krishna, ainda estão em um nível
que prendem as pessoas no mundo material.
O conhecimento espiritual possui vários níveis, mas
na Literatura Védica, especialmente no Bhagavad–Gita e
no Srimad Bhagavatam, o serviço devocional é considerado
seu nível mais elevado. Logo, o Bhakti Yoga não é algo
fácil, barato e nem mais uma religião ou filosofia, mas
algo sério, pois estabelece a sua relação com Deus,
direta e pessoal.
O devoto nos disse que, certamente, a maioria das
pessoas não está no nível de se relacionar diretamente
com Krishna, pois ainda não conseguem vê-Lo no coração
de todos ou a tudo como parte Dele. Embora sejamos
espirituais, transcendentais, em um mundo material
condicionamo-nos ao lugar, aos relacionamentos, aos
sentidos e ficamos confusos, iludidos e pensamos que o
que vivemos é a realidade. Mas o verso diz que não, que
a pessoa, embora ocupando os seus sentidos, sabe que é
distinta e que está além desta dita realidade.
Há doutrinas mayavadis que, tendo em vista este
nível de compreensão da espiritualidade, entram na
plataforma da negação dos sentidos. Por exemplo, se
podam de escutar uma boa música, ou de saborear um
alimento, porque tudo o que envolve o desfrute dos
sentidos é maya.
Porém, ficar na plataforma da negação é um
sofrimento, porque a pessoa não pode parar de agir, uma
vez que no corpo material temos compromissos, atividades
e se não agimos, não evoluímos.
Logo, o Bhakti Yoga é justamente esta ocupação dos
sentidos na espiritualidade, onde cada pessoa possui o
seu nível, com sua dificuldades e facilidades,
dependendo de sua bagagem espiritual. Um devoto deve
procurar fazer tudo com relação a Krishna, transcendendo
o karma e purificando-se até chegar a um nível puro de
amor a Deus, onde naturalmente todas as suas atividades
estarão conectadas a Krishna.
Como exemplo de um devoto puro, Vraja Bihari nos
citou Prabhupada, sobre o qual pessoas que tiveram a
misericórdia de conviver com ele dizem o quanto a sua
consciência de Krishna era natural, espontânea e não
artificial, como a de devotos que, às vezes, se esforçam
para poder lembrar de Krishna.
Não devemos pensar que iremos nos comportar como
Prabhupada da noite para o dia, pois o Bhakti-Yoga é um
serviço gradual e constante, porém diferenciando-se de
atividades feitas somente no âmbito material, seus
frutos são eternos. Vraja Bihari nos deu o exemplo de
uma maratona, onde os atletas só ganhariam o prêmio se
chegassem nas primeiras colocações, sendo que se
parassem no meio da corrida, por cansaço ou algum
acontecimento, perderiam tudo. Já no Bhakti – Yoga não
há perda nem diminuição de seu avanço, apenas o
progresso, que nos dará mais oportunidades de elevar-nos cada
vez mais na consciência de Krishna.
Texto: Bhaktin Carla
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