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Aula de Purushatraya Swami na Reinauguração do
Adi-Templo em São Paulo
Nesse dia tão auspicioso e esperado por todos os devotos
de nossa congregação, que foram contemplados com a
chegada das nossas queridas deidades à Sua nova casa,
tivemos uma aula do Bhagavad-gita Como Ele É ministrada
por Sua Santidade Purushatraya Swami.
Foi escolhido o último verso do Bhagavad-gita, Capítulo
18, A Perfeição da Renúncia, verso 78:
yatra - onde; yoga isvarah - o senhor do misticismo;
krishnah - o Senhor Krishna; yatra - onde; partah - o
filho de Prtha; dhanuh dharah - o portador do arco e
flecha; tatra - ali; srih - opulência; vijayah - vitória;
bhutih - poder excepcional; dhruva - certo; nitih -
moralidade; maih mama - minha opinião.
Tradução: Onde quer que esteja Krishna, o senhor de
todos os místicos, e onde quer que esteja Arjuna, o
arqueiro supremo, com certeza também haverá opulência,
vitória, poder extraordinário e moralidade. Esta é a
minha opinião.
Significado: "O Bhagavad-gita começa com uma
pergunta formulada por Dhrtarastra. Ele confiava na
vitória de seus filhos, auxiliados por grandes
guerreiros, como Bhisma, Drona e Karna. Estava
esperançoso de que a vitória estaria a seu lado. Porém,
depois de descrever a cena no campo de batalha, Sanjaya
disse ao rei: "Estás pensando em vitória, mas na minha
opinião, onde Krsna e Arjuna estiverem presentes, haverá
toda a boa fortuna". Ele confirmou diretamente que
Dhrtarastra não podia esperar que a vitória estivesse do
seu lado. A vitória na certa ficaria do lado de Arjuna
porque Krsna estava ali presente. O fato de Krsna
aceitar o cargo de quadrigário de Arjuna foi a
manifestação de uma outra opulência. Krsna é pleno de
todas as opulências, e a renúncia é uma delas. Há muitos
exemplos dessa renúncia, pois Krsna também é o senhor da
renúncia.
Na verdade a luta foi travada entre Duryodhana e
Yudhisthira. Arjuna estava lutando em prol de seu irmão
mais velho, Yudhisthira. Porque Krsna e Arjuna estavam
do lado de Yudhisthira, a vitória de Yudhisthira era
certa. A batalha definiria quem governaria o mundo, e
Sanjaya predisse que o poder seria transferido para
Yudhisthira. Também se prediz aqui que Yudhisthira, após
obter a vitória nesta batalha, prosperaria cada vez mais,
não só porque ele era justo e piedoso, mas também porque
era um moralista estrito. Durante sua vida, ele nunca
disse uma mentira.
Há muitas pessoas menos inteligentes que aceitam o
Bhagavad-gita como uma simples conversa entre dois
amigos num campo de batalha. Mas uma espécie de livro
assim não pode ser uma escritura. Alguns podem alegar
que Krsna incitou Arjuna a lutar, e isso é imoral, mas a
realidade da situação está claramente afirmada: o
Bhagavad-gita é a suprema instrução sobre o que é
moralidade. O Nono capítulo, verso trinta e quatro,
declara a suprema instrução sobre moralidade: man-mana
bhava mad-bhaktah. É necessário tornar-se um devoto de
Krsna, e a essência de toda a religião é render-se a
Krsna (sarva-dharman parityajya man ekam saranam vraja).
As instruções do Bhagavad-gita constituem o supremo
processo da religião e da moralidade. Todos os outros
processos podem ser purificantes e podem levar a este
processo, mas a última instrução do Gita é a palavra
máxima em toda a moralidade e religião: render-se a
Krsna. Este é o veredicto do Décimo Oitavo Capítulo.
Através do Bhagavad-gita, podemos compreender que
perceber o eu através da especulação filosófica e
através da meditação é apenas um processo, mas render-se
completamente a Krsna é a perfeição mais elevada. Esta é
a essência dos conhecimentos do Bhagavad-gita. O caminho
dos princípios reguladores segundo as ordens da vida
social e os diferentes métodos de religião talvez seja
um caminho confidencial de conhecimento. Mas embora os
rituais religiosos sejam confidenciais, a meditação e o
conhecimento são ainda mais confidenciais. E render-se a
Krsna em serviço devocional em plena consciência de
Krsna é a instrução mais confidencial. Esta é a essência
do Décimo Oitavo Capítulo.
Outro aspecto do Bhagavad-gita é que a verdade efetiva é
a Suprema Personalidade de Deus, Krsna. A Verdade
Absoluta é compreendida sob três aspectos - o Brahman
impessoal, o Paramatma localizado e, enfim, a Suprema
Personalidade de Deus, Krsna. Conhecimento perfeito
acerca da Verdade Absoluta quer dizer conhecimento
perfeito acerca de Krsna. Se alguém compreende Krsna,
então todos os departamentos do conhecimento estão
incluídos nesta compreensão. Krsna é transcendental,
pois Ele está sempre situado em Sua eterna potência
interna. As entidades vivas manifestam-se de Sua energia
e dividem-se em duas classes, eternamente condicionadas
e eternamente liberadas. Essas entidades vivas são
inumeráveis, e são consideradas partes fundamentais de
Krsna. A energia material manifesta-se em vinte e quatro
divisões. A criação é efetuada pelo tempo eterno, e é
produzida e dissolvida pela energia externa. Esta
manifestação do mundo cósmico se torna visível e
invisível repetidas vezes.
No Bhagavad-gita, comentam-se cinco assuntos principais:
a Suprema Personalidade de Deus, a natureza material, as
entidades vivas, o tempo eterno e todas as espécies de
atividades. Tudo depende da Suprema Personalidade de
Deus, Krsna. Todas as concepções sobre a Verdade
Absoluta - Brahman impessoal, Paramatma localizado e
qualquer outra concepção transcendental - estão
incluídas na compreensão acerca da Suprema Personalidade
de Deus. Embora superficialmente a Suprema Personalidade
de Deus, a entidade viva, a natureza material e o tempo
pareçam ser diferentes, nada é diferente do Supremo. Mas
o Supremo é sempre diferente de tudo. A filosofia do
Senhor Caitanya menciona inconcebivelmente "igualdade e
diferença simultâneas". Este sistema de filosofia
constitui conhecimento perfeito acerca da Verdade
Absoluta.
Em sua posição original, a entidade viva é espírito puro.
Ela é exatamente como uma partícula atômica do espírito
Supremo. Assim, o Senhor Krsna pode ser comparado ao
Sol, e as entidades vivas, ao brilho solar. Porque são
energia marginal de Krishna, as entidades vivas têm a
tendência de estar em contato com a energia material ou
com a energia espiritual. Em outras palavras, a entidade
viva está situada entre as duas energias do Senhor, e
como ela pertence à energia superior do Senhor, ela tem
uma partícula de independência. Pelo uso correto dessa
independência, ela aceita ficar sob a ordem direta de
Krsna. Assim, ela atinge sua posição normal na potência
de onde todo o prazer deriva."
Ao iniciar sua explicação sobre o verso, Maharaj
Purushatraya falou-nos que Krishna está presente em
todas as qualidades e virtudes, logo devemos sempre
procurar praticá-las, pois Krishna está nos derramando
Suas bençãos e devemos aproveitá-las.
Maharaj disse que ele, assim como outros devotos, vive
na Fazenda de Goura Vrindavana, e lá, quando há chuva,
eles podem perceber o quanto as plantas e as árvores
agradecem. Dando um exemplo de Srila Prabhupada,
disse-nos que a chuva cai em toda parte, porém em
algumas, ela é bem aproveitada. Por exemplo: os
agricultores calculam o tempo de semear, pois quando
chove, as sementes começam a germinar e a vida se
manifesta. Entretanto a chuva também cai em outros
lugares em que não produz nenhum efeito, como em
pedreiras, rochas e mares. Da mesma forma, a
misericórdia de Krishna está aí, para todos – uns
aproveitam e outros não. Então, devemos ser um terreno
fértil, fazendo com que a semente da trepadeira de
bhakti germine em nossos corações, mesmo que de um modo
geral as pessoas estejam distraídas com muitos
entretenimentos, não conseguindo aproveitar a
misericórdia de Krishna.
O Swami nos contou um passatempo que aconteceu na época
em que se negociava as questões políticas entre os
Pândavas e os Kurus, que levou Krishna a intervir, vindo
de Dvaraka para negociar e chegar a um consenso;
Duryodhana, porém, estava intransigente e em um de seus
atos, pegou um alfinete e cravou-o na terra, dizendo que
não cederia nem a terra contida na ponta do mesmo. Os
Pândavas pediam apenas por uma vila para governar,
abrindo mão dos seus direitos, mas mesmo assim, devido à
posição de Duryodhana, a guerra tornou-se inevitável.
Explicou-nos Purushatraya Swami que, na época védica,
quando havia uma guerra, cada um dos lados opositores
saía em busca de aliados em muitos reinos, e fazia
alianças. Quando a guerra era iminente Duryodhana
dirigiu-se à Dvaraka, para o palácio de Krishna, pois
uma vez que era muito político, sabia fazer negociações
e conseguir o que queria, mas quando chegou no palácio
de Krishna, Ele estava dormindo. Como Duryodhana era
parente de Krishna, entrou em Seu palácio, e introduziu-se
em Seu quarto. Nesse ínterim chegou Arjuna que, assim
como Duryodhana, era parente de Krishna, e também
dirigiu-se para o Seu Quarto.
Arjuna entrou no quarto de Krishna e quando Duryodhana o
viu, foi logo se impondo, dizendo que havia chegado
primeiro. Arjuna ficou no pé da cama, aos pés de
Krishna, e Duryodana ficou ao lado de Krishna.
Maharaj, muito descontraído no contar do passatempo,
disse que Krishna roncava e dormia tranquilamente,
sonhando com Goloka Vrindavana, causando o riso de seus
ouvintes.
Krishna acordou e ao abrir Seus olhos, avistou Arjuna,
mas Duryodhana, temeroso de não poder falar com Krishna
primeiro, disse que havia chegado lá antes.
A Suprema Personalidade de Deus perguntou o que eles
queriam, e Duryodhana, dizendo que havia chegado
primeiro, pressupôs que havia de ser atendido antes que
Arjuna por Krishna. Porém Krishna disse que como havia
visto primeiramente Arjuna ao acordar, achava que Arjuna
e não Duryodhana deveria ser atendido primeiro.
Oferecendo Sua ajuda à guerra, Krishna disse que Arjuna
poderia escolher Seu exército ou Sua presença, sabendo
que caso escolhesse a Sua companhia, Ele não lutaria.
Então, Duryodhana agitou-se e ficou temeroso de perder
para Arjuna o exército de Krishna. Mas Arjuna optou por
Krishna, deixando para Duryodhana o que ele queria, o
exército de Krishna. Maharaj então nos afirmou o quanto
Arjuna era fiel a Krishna, já que abriu mão de Seu
exército para poder ter ao seu lado Sua companhia.
Na batalha, o lado dos Kurus estava mais fortalecido,
pois possuía uma grande medida militar, com 11 batalhões,
sendo que neles havia infantaria, cavalaria, artilharia,
elefantaria, camelaria, arqueiros, tudo o que se podia
imaginar. Cada batalhão dos Kurus era liderado por um
general. Já os pândavas contavam apenas com 7 batalhões,
logo, podemos notar a substancial diferença de forças.
O Swami então nos falou de Sanjaya, que era o secretário
de Dhrtarastra (o rei cego dos Kurus). Este perguntou a
Sanjaya o que estava acontecendo no campo de Kuruksetra
e, como Sanjaya tinha poderes místicos, embora estivesse
em frente Dhrtarastra, podia mentalizar e perceber o que
estava acontecendo no campo de batalha, narrando-o para
Dhrtarastra. Sanjaya disse que estavam todos reunidos no
campo de Kuruksetra e que Arjuna de repente foi movido
pelo sentimento, pois do lado adversário haviam muitas
pessoas queridas por ele; então Krishna interveio e
passou a tentar de todas as formas erguer a moral de
Arjuna, já que ele havia dito que não iria mais
participar da luta, pois esta era fratricida, o que
havia feito com que ele decidisse tornar-se um
renunciado e morar na floresta.
Maharaj nos disse que poderíamos pensar que, como
Krishna nos concedeu o bhakti yoga, Ele poderia aprovar
a idéia de Arjuna, e Maharaj brincou, dizendo que
Krishna poderia estar precisando de um pujari e que
cederia este posto a Arjuna. Entretanto, Krishna não
teve essa idéia, e sim a desaprovou, dizendo que Arjuna
precisava lutar. Explicou-nos o palestrante que Krishna
possui "tiradas" inusitadas e, para entendê-Lo, devemos
estar preparados a elas.
Krishna desejava que a luta acontecesse, pois os Kurus
haviam abusado demais, além de serem muito maliciosos.
Krishna queria acabar com aquela situação, então a luta
era justa. Arjuna era um guerreiro e portanto seria
punido naturalmente se abandonasse a guerra, e mesmo que
Arjuna fosse à floresta para tornar-se um renunciante,
os outros guerreiros gozariam dele, dizendo que ele
fugiu da luta, e isso não seria nada bom.
Krishna dá muitos argumentos de ordem moral, assim como
da própria natureza de ordem da pessoa, sendo que no
caso de Arjuna, disse que ele deveria lutar, porém lutar
sob as ordens Dele, lutando como um serviço devocional,
como se fosse o seu dever e não buscando fama, prestígio
ou poder, e Arjuna, que era um guerreiro íntegro, não
buscava essas coisas. Então Sanjaya descreveu toda esta
situação para Dhrtarastra, e no final, na conclusão do
Bhagavad Gita, disse ao rei cego dos Kurus que, mesmo
este torcendo para seus filhos, ele poderia concluir que
onde há Krishna e onde há Arjuna, sempre haverá Sri, a
opulência; Vijaya, a vitória; Buthir, o poder
excepcional; e Nithir, a moralidade; e essa era a sua
opinião.
Sua Santidade nos disse que Sanjaya tinha fé completa em
que quem estivesse com Krishna seria o vencedor, e que
todos nós devíamos ter a confiança que Sanjaya teve.
Logo, devemos estar sempre com Krishna e extrair todas
as virtudes que emanam DEle.
Maharaj disse que estávamos em um dia de vitória, pois
conseguimos uma nova sede para o Adi-Templo em São
Paulo, a despeito de todas as dificuldades que ocorreram
no processo de obtenção do novo espaço, que eram de seu
conhecimento uma vez que Maharaj acompanhou e participou
de reuniões ocorridas para a obtenção da nova casa. Os
devotos, com a misericórdia de Krishna, encontraram esta
nova casa, que a princípio estava em mau estado, mas
mesmo assim, decidiram estabelecer-se nela, já que
possuía uma sala grande que possibilitaria fazer grandes
reuniões.
Durante os meses de transição, os devotos estavam
organizando muito bem o novo espaço para trazer as
deidades à Sua nova casa. Então trazê-las neste dia de
inauguração é uma vitória, mas a luta continua! E Sua
Santidade nos citou Srila Prabhupada, que disse: "Na
consciência de Krishna, o devoto aceita os obstáculos,
ele não corre e nem os evita, mas trata de sobrepujá-los".
Então, este foi o obstáculo a que os devotos de São
Paulo se submeteram, disse Maharaj Purushatraya, e agora
devemos partir para o próximo obstáculo, desenvolver
este projeto em São Paulo, uma cidade tão importante.
Mas tudo exige cooperação, boa vontade e sinceridade,
pois com esses componentes podemos conseguir muita coisa.
O palestrante nos deu um exemplo de psicologia, a "sinergia",
onde mesmo que 1+1+1 seja 3, 1+1+1 pode ser 8, 10, 15,
em razão da energia que vai se somando, sendo que a soma
pode vir a ser uma progressão geométrica, de modo que
pode expandir-se ilimitadamente, sendo que essa é a
vitória daqueles que estão com Krishna.
Disse-nos o Swami que temos que enfrentar muitas
dificuldades ao longo da vida, porque a energia material
é muito perigosa, e por isso ela é chamada de energia
ilusória, pois ilude as pessoas, tirando o seu foco. Se
nós fizermos uma enquete e perguntarmos às pessoas "Qual
é o propósito da vida?", teríamos respostas disparatadas;
a maioria nos responderia que nunca pensou sobre isso,
outros falariam coisas fúteis, mas os devotos sabem
exatamente qual o propósito da vida, eles não têm dúvida,
e não estão seguindo sua própria mente. Normalmente
quando se faz essa pergunta à pessoas que não têm
conhecimento espiritual, elas querem falar alguma coisa,
e acabam falando o que vem à cabeça: " Ah, minha opinião
é que o propósito da vida é isto, é aquilo...", mas em
relação aos devotos que estão no processo de auto-realização,
eles não seguem o processo de "ah, a minha opinião",
pois de que que vale a nossa opinião? Ela não tem valor.
Purushatraya Swami falou que às vezes pessoas jogam
conversa fora até altas horas da madrugada, com assuntos
do tipo: "Ah, porque para mim, Deus é isso...", e então,
a outra pessoa responde "Ah, eu não concordo".
Maharaj nos contou que em Paraty há um encontro de
literatura muito eminente, e lá havia um escritor que é
um ativista ateísta que prega o ateísmo e escreve livros
que fizeram muito sucesso no mundo, dizendo que Deus não
existe. Disse-nos que o sujeito é muito arrogante e
atrevido, mas nos questionou, qual o valor da opinião
dele? Maharaj afirmou que o que vale é a opinião de
Krishna, pois temos uma referência, já que as palavras
de Krishna no Bhagavad Gita são a referência do devoto.
Dessa maneira, o propósito da vida fica totalmente
definido e não muda.
Com os exemplos dados, Maharaj nos explicou que as
idéias mudam, e que de tempos em tempos surgem boas
idéias, as últimas idéias, mas nossa idéia, a idéia do
devoto, tem pelo menos 5 mil anos. A idéia é a opinião
de Krishna, e seguimos a opinião Dele, que resolve
completamente os problemas da vida. Não temos mais
dúvidas, não precisamos buscar em lugar algum. Além de
Krishna dizer coisas muito práticas no Bhagavad-gita,
que podemos inserir ao nosso dia-a-dia, de forma a ver o
mundo sem nos confundir.
Maharaj abordou um tema que agora, devido ao seu
acontecimento recente, está sendo noticiado em muitos
veículos de comunicação em massa: a morte do cantor
Michael Jackson, que causou comoção mundial, tendo até
mesmo um funeral filmado em um estádio de futebol, que
foi televisionado para o mundo inteiro. O Swami nos
explicou que toda essa repercussão é devida à falta de
referência na vida das pessoas em geral que, no momento,
tiveram como referência de suas vidas a morte do "rei do
pop".
Apesar de Michael Jackson ter sido muito talentoso, não
se nega isso, uma vez que fazia bem o que se propunha,
as pessoas o terem como referência para a suas vidas
mostra para Maharaj uma alienação completa da cultura
espiritual. Não é uma atitude sã, pessoas que estão
desesperadas, chorando pela perda da passagem desta
pessoa, não é uma atitude saudável, é completamente
neurótico. A Consciência de Krishna é sanidade, é ver as
coisas como elas são.
Maharaj prosseguiu, dizendo que às vezes encontra-se nas
descrições das escrituras fatos que são completamente
realistas. No momento, Purushatraya Swami e os devotos
de Goura Vrindavana estão estudando uma parte do Srimad
Bhagavatam em que Kapiladeva fala sobre a entidade viva
e o seu processo de nascimento neste mundo. Disse-nos
que é extremamente realista, e situa-se no Terceiro
Canto, Capítulos 28, 29, 30. É tudo explicado sem nenhum
sentimentalismo piegas, pois se vê as coisas como elas
são.
O devoto não cai no sentimentalismo, pois o nosso
sentimento é em relação a Krishna, é devoção a Krishna,
sendo que esse é o sentimento puro. O devoto pode
expressar esse sentimento com canto, dança, alegria.
Então, temos que valorizar tudo o que estamos recebendo,
dar o devido valor, pois tudo isso enriquece a vida, já
que pequenas coisas enriquecem a vida do devoto, como o
relacionamento entre os devotos.
O palestrante explicou-nos que é a devoção a Krishna que
realmente proporciona toda a vida e alma do devoto. A
dedicação, o serviço devocional que é algo tão livre, é
a liberdade total, que proporciona ao devoto nenhum
condicionamento material.
Deu-nos um exemplo, dizendo que um devoto contou que,
para arrumar a nova casa das Deidades, os devotos
precisaram trabalhar duro, tirar todo o entulho, pintar,
porém todo o trabalho dava satisfação para a alma. Uma
pessoa de fora pode intrigar-se e não entender por que
os devotos trabalham e não ganham nada. Todavia, só a
pessoa que realiza serviço devocional sabe o que está
ganhando, pois esse serviço satisfaz a alma, é diferente,
uma coisa mística, sendo essa a mágica do serviço
devocional.
A maneira com que os devotos fazem esse serviço, esse
esforço para satisfazer Krishna, é a essência da bhakti
yoga e, dessa forma, a alma fica feliz, pois não há
motivação pessoal, já que o devoto oferece seu serviço a
Krishna, sem interrupção e de maneira integral, pois a
vida do devoto é o serviço devocional.
Maharaj continuou dizendo que o serviço devocional nos
proporciona a felicidade interior, e só quem pratica
este serviço, que está com esse espírito, pode comentá-lo.
Por exemplo, falou-nos de um belo bolo, bem enfeitado, e
por algum motivo começamos a explicá-lo, dizendo como
ele é, o seu sabor; porém, a única forma de conhecermos
o sabor do bolo é experimentando-o pois, se não o
fazemos, não podemos achar nada. Aqueles que estão
experimentando e fazendo serviço devocional estão
experimentando o néctar. A auto-realização é uma
experiência pessoal, sendo que é a pessoa que se
beneficia e desenvolve a consciência de Krishna.
Alguém pode questionar o que alguém irá ganhar com o
serviço devocional, e o Swami nos respondeu que iremos
conhecer Krishna, e o devoto sabe que isso é tudo.
Krishna é a fonte de tudo, e Consciência de Krishna
significa ver que tudo tem relação com Krishna, tudo
está relacionado com Krishna, tudo é energia de Krishna.
Mais uma vez, Maharaj disse que alguém pode perguntar a
respeito dos problemas, as coisas ruins da vida, se elas
também são energias de Krishna, e explicou-nos que a
maioria das coisas ruins que existem são a ausência de
Krishna. É como a luz e a escuridão. O que é a escuridão?
É nada, é a ausência da luz. Há alguém que possa pensar
que na luz, a escuridão é que é uma substância, porém,
isso não é verdade. A escuridão não existe, não é nada.
No entanto, se a luz é barrada, ela não pode se propagar,
então teremos a escuridão, a ausência da luz.
Então muita coisa ruim que existe é a ausência de
Krishna, a ausência das virtudes; é como um verso em que
Krishna diz que à medida em que a pessoa se rende a Ele,
Ele o recompensa proporcionalmente. Mas, alguém pode
perguntar, "Como? Até o pessoal do PCC?", mas
Purushatraya Swami disse-nos que todos os caminhos são
caminhos de Krishna, porém algumas pessoas seguem em
direção a Krishna, já outras se afastam de Krishna.
Dessa forma, alguns estão indo em direção a Krishna e
outros estão dando as costas a Krishna, mas todos são
caminhos de Krishna, de modo que na hora em que as
pessoas se voltam para Krishna, elas estão no rumo certo.
Finalizando sua aula, Maharaj Purushatraya falou que
devemos prosseguir, seguindo na missão de Srila
Prabhupada, que já é vencedora, pois a despeito de todas
as situações antagônicas que nós enfrentamos, a missão
de Prabhupada segue. Muitas vezes, por nossa
inexperiência, damos cabeçadas, então aqueles que estão
abrigados nas expressões de Srila Prabhupada têm uma
misericórdia muito especial.
Maharaj esteve em alguns projetos na Índia, disse-nos
que lá os projetos de Srila Prabhupada são um sucesso
impressionante, que se desenvolvem cada vez mais, dando
muita inspiração para nós, que estamos do lado oposto do
planeta, sem a menor cultura védica, mas mesmo assim a
missão de Srila Prabhupada aqui também segue, e os
devotos estão desenvolvendo a consciência de Krishna, e
Krishna está se manifestando aqui, então tudo isso é
devido à potência de Srila Prabhupada.
Aberto o espaço para perguntas, um dos presentes indagou
“qual a causa de Bhakti para uma entidade viva?”, e
Purushatraya Swami respondeu dizendo que Caitanya
Mahaprabhu falou sobre esta questão, dizendo que as
entidades vivas estão vagando dentro de um universo,
tomando diferentes tipos de cosmos, mas se ela é
afortunada, recebe a misericórdia de Krishna e do Guru,
e assim a semente da trepadeira de bhakti no coração
germina. É misericórdia sem causa, e os devotos estão
espalhando esta misericórdia de Krishna.
Disse Maharaj que cada devoto tem a sua história, muitos
recebem a misericórdia de Krishna em forma de alimentos
oferecidos a Ele, a prasada, mas geralmente têm a sua
semente de trepadeira de bhakti germinando em seu
coração devido à literatura. Srila Prabhupada escreveu
esta literatura e podemos distribui-la para outras
pessoas, ajudando-as a serem tocadas pelas palavras e
terem a sua semente germinada.
Srila Prabhupada Ki, Jaya!
Maharaj Purushatraya Ki, Jaya!
Texto: Bhaktin Carla
Imagem: Arquivo ISKCON
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