Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna - ISKCON | Fundador-Acarya: A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

  
 
 

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Aula de Purushatraya Swami na Reinauguração do Adi-Templo em São Paulo
 

Nesse dia tão auspicioso e esperado por todos os devotos de nossa congregação, que foram contemplados com a chegada das nossas queridas deidades à Sua nova casa, tivemos uma aula do Bhagavad-gita Como Ele É ministrada por Sua Santidade Purushatraya Swami.

Foi escolhido o último verso do Bhagavad-gita, Capítulo 18, A Perfeição da Renúncia, verso 78:

yatra - onde; yoga isvarah - o senhor do misticismo; krishnah - o Senhor Krishna; yatra - onde; partah - o filho de Prtha; dhanuh dharah - o portador do arco e flecha; tatra - ali; srih - opulência; vijayah - vitória; bhutih - poder excepcional; dhruva - certo; nitih - moralidade; maih mama - minha opinião.


Tradução: Onde quer que esteja Krishna, o senhor de todos os místicos, e onde quer que esteja Arjuna, o arqueiro supremo, com certeza também haverá opulência, vitória, poder extraordinário e moralidade. Esta é a minha opinião.


Significado: "O Bhagavad-gita começa com uma pergunta formulada por Dhrtarastra. Ele confiava na vitória de seus filhos, auxiliados por grandes guerreiros, como Bhisma, Drona e Karna. Estava esperançoso de que a vitória estaria a seu lado. Porém, depois de descrever a cena no campo de batalha, Sanjaya disse ao rei: "Estás pensando em vitória, mas na minha opinião, onde Krsna e Arjuna estiverem presentes, haverá toda a boa fortuna". Ele confirmou diretamente que Dhrtarastra não podia esperar que a vitória estivesse do seu lado. A vitória na certa ficaria do lado de Arjuna porque Krsna estava ali presente. O fato de Krsna aceitar o cargo de quadrigário de Arjuna foi a manifestação de uma outra opulência. Krsna é pleno de todas as opulências, e a renúncia é uma delas. Há muitos exemplos dessa renúncia, pois Krsna também é o senhor da renúncia.


Na verdade a luta foi travada entre Duryodhana e Yudhisthira. Arjuna estava lutando em prol de seu irmão mais velho, Yudhisthira. Porque Krsna e Arjuna estavam do lado de Yudhisthira, a vitória de Yudhisthira era certa. A batalha definiria quem governaria o mundo, e Sanjaya predisse que o poder seria transferido para Yudhisthira. Também se prediz aqui que Yudhisthira, após obter a vitória nesta batalha, prosperaria cada vez mais, não só porque ele era justo e piedoso, mas também porque era um moralista estrito. Durante sua vida, ele nunca disse uma mentira.

Há muitas pessoas menos inteligentes que aceitam o Bhagavad-gita como uma simples conversa entre dois amigos num campo de batalha. Mas uma espécie de livro assim não pode ser uma escritura. Alguns podem alegar que Krsna incitou Arjuna a lutar, e isso é imoral, mas a realidade da situação está claramente afirmada: o Bhagavad-gita é a suprema instrução sobre o que é moralidade. O Nono capítulo, verso trinta e quatro, declara a suprema instrução sobre moralidade: man-mana bhava mad-bhaktah. É necessário tornar-se um devoto de Krsna, e a essência de toda a religião é render-se a Krsna (sarva-dharman parityajya man ekam saranam vraja). As instruções do Bhagavad-gita constituem o supremo processo da religião e da moralidade. Todos os outros processos podem ser purificantes e podem levar a este processo, mas a última instrução do Gita é a palavra máxima em toda a moralidade e religião: render-se a Krsna. Este é o veredicto do Décimo Oitavo Capítulo.

Através do Bhagavad-gita, podemos compreender que perceber o eu através da especulação filosófica e através da meditação é apenas um processo, mas render-se completamente a Krsna é a perfeição mais elevada. Esta é a essência dos conhecimentos do Bhagavad-gita. O caminho dos princípios reguladores segundo as ordens da vida social e os diferentes métodos de religião talvez seja um caminho confidencial de conhecimento. Mas embora os rituais religiosos sejam confidenciais, a meditação e o conhecimento são ainda mais confidenciais. E render-se a Krsna em serviço devocional em plena consciência de Krsna é a instrução mais confidencial. Esta é a essência do Décimo Oitavo Capítulo.

Outro aspecto do Bhagavad-gita é que a verdade efetiva é a Suprema Personalidade de Deus, Krsna. A Verdade Absoluta é compreendida sob três aspectos - o Brahman impessoal, o Paramatma localizado e, enfim, a Suprema Personalidade de Deus, Krsna. Conhecimento perfeito acerca da Verdade Absoluta quer dizer conhecimento perfeito acerca de Krsna. Se alguém compreende Krsna, então todos os departamentos do conhecimento estão incluídos nesta compreensão. Krsna é transcendental, pois Ele está sempre situado em Sua eterna potência interna. As entidades vivas manifestam-se de Sua energia e dividem-se em duas classes, eternamente condicionadas e eternamente liberadas. Essas entidades vivas são inumeráveis, e são consideradas partes fundamentais de Krsna. A energia material manifesta-se em vinte e quatro divisões. A criação é efetuada pelo tempo eterno, e é produzida e dissolvida pela energia externa. Esta manifestação do mundo cósmico se torna visível e invisível repetidas vezes.

No Bhagavad-gita, comentam-se cinco assuntos principais: a Suprema Personalidade de Deus, a natureza material, as entidades vivas, o tempo eterno e todas as espécies de atividades. Tudo depende da Suprema Personalidade de Deus, Krsna. Todas as concepções sobre a Verdade Absoluta - Brahman impessoal, Paramatma localizado e qualquer outra concepção transcendental - estão incluídas na compreensão acerca da Suprema Personalidade de Deus. Embora superficialmente a Suprema Personalidade de Deus, a entidade viva, a natureza material e o tempo pareçam ser diferentes, nada é diferente do Supremo. Mas o Supremo é sempre diferente de tudo. A filosofia do Senhor Caitanya menciona inconcebivelmente "igualdade e diferença simultâneas". Este sistema de filosofia constitui conhecimento perfeito acerca da Verdade Absoluta.

Em sua posição original, a entidade viva é espírito puro. Ela é exatamente como uma partícula atômica do espírito Supremo. Assim, o Senhor Krsna pode ser comparado ao Sol, e as entidades vivas, ao brilho solar. Porque são energia marginal de Krishna, as entidades vivas têm a tendência de estar em contato com a energia material ou com a energia espiritual. Em outras palavras, a entidade viva está situada entre as duas energias do Senhor, e como ela pertence à energia superior do Senhor, ela tem uma partícula de independência. Pelo uso correto dessa independência, ela aceita ficar sob a ordem direta de Krsna. Assim, ela atinge sua posição normal na potência de onde todo o prazer deriva."


Ao iniciar sua explicação sobre o verso, Maharaj Purushatraya falou-nos que Krishna está presente em todas as qualidades e virtudes, logo devemos sempre procurar praticá-las, pois Krishna está nos derramando Suas bençãos e devemos aproveitá-las.

Maharaj disse que ele, assim como outros devotos, vive na Fazenda de Goura Vrindavana, e lá, quando há chuva, eles podem perceber o quanto as plantas e as árvores agradecem. Dando um exemplo de Srila Prabhupada, disse-nos que a chuva cai em toda parte, porém em algumas, ela é bem aproveitada. Por exemplo: os agricultores calculam o tempo de semear, pois quando chove, as sementes começam a germinar e a vida se manifesta. Entretanto a chuva também cai em outros lugares em que não produz nenhum efeito, como em pedreiras, rochas e mares. Da mesma forma, a misericórdia de Krishna está aí, para todos – uns aproveitam e outros não. Então, devemos ser um terreno fértil, fazendo com que a semente da trepadeira de bhakti germine em nossos corações, mesmo que de um modo geral as pessoas estejam distraídas com muitos entretenimentos, não conseguindo aproveitar a misericórdia de Krishna.

O Swami nos contou um passatempo que aconteceu na época em que se negociava as questões políticas entre os Pândavas e os Kurus, que levou Krishna a intervir, vindo de Dvaraka para negociar e chegar a um consenso; Duryodhana, porém, estava intransigente e em um de seus atos, pegou um alfinete e cravou-o na terra, dizendo que não cederia nem a terra contida na ponta do mesmo. Os Pândavas pediam apenas por uma vila para governar, abrindo mão dos seus direitos, mas mesmo assim, devido à posição de Duryodhana, a guerra tornou-se inevitável.

Explicou-nos Purushatraya Swami que, na época védica, quando havia uma guerra, cada um dos lados opositores saía em busca de aliados em muitos reinos, e fazia alianças. Quando a guerra era iminente Duryodhana dirigiu-se à Dvaraka, para o palácio de Krishna, pois uma vez que era muito político, sabia fazer negociações e conseguir o que queria, mas quando chegou no palácio de Krishna, Ele estava dormindo. Como Duryodhana era parente de Krishna, entrou em Seu palácio, e introduziu-se em Seu quarto. Nesse ínterim chegou Arjuna que, assim como Duryodhana, era parente de Krishna, e também dirigiu-se para o Seu Quarto.

Arjuna entrou no quarto de Krishna e quando Duryodhana o viu, foi logo se impondo, dizendo que havia chegado primeiro. Arjuna ficou no pé da cama, aos pés de Krishna, e Duryodana ficou ao lado de Krishna.

Maharaj, muito descontraído no contar do passatempo, disse que Krishna roncava e dormia tranquilamente, sonhando com Goloka Vrindavana, causando o riso de seus ouvintes.

Krishna acordou e ao abrir Seus olhos, avistou Arjuna, mas Duryodhana, temeroso de não poder falar com Krishna primeiro, disse que havia chegado lá antes.

A Suprema Personalidade de Deus perguntou o que eles queriam, e Duryodhana, dizendo que havia chegado primeiro, pressupôs que havia de ser atendido antes que Arjuna por Krishna. Porém Krishna disse que como havia visto primeiramente Arjuna ao acordar, achava que Arjuna e não Duryodhana deveria ser atendido primeiro.

Oferecendo Sua ajuda à guerra, Krishna disse que Arjuna poderia escolher Seu exército ou Sua presença, sabendo que caso escolhesse a Sua companhia, Ele não lutaria. Então, Duryodhana agitou-se e ficou temeroso de perder para Arjuna o exército de Krishna. Mas Arjuna optou por Krishna, deixando para Duryodhana o que ele queria, o exército de Krishna. Maharaj então nos afirmou o quanto Arjuna era fiel a Krishna, já que abriu mão de Seu exército para poder ter ao seu lado Sua companhia.

Na batalha, o lado dos Kurus estava mais fortalecido, pois possuía uma grande medida militar, com 11 batalhões, sendo que neles havia infantaria, cavalaria, artilharia, elefantaria, camelaria, arqueiros, tudo o que se podia imaginar. Cada batalhão dos Kurus era liderado por um general. Já os pândavas contavam apenas com 7 batalhões, logo, podemos notar a substancial diferença de forças.

O Swami então nos falou de Sanjaya, que era o secretário de Dhrtarastra (o rei cego dos Kurus). Este perguntou a Sanjaya o que estava acontecendo no campo de Kuruksetra e, como Sanjaya tinha poderes místicos, embora estivesse em frente Dhrtarastra, podia mentalizar e perceber o que estava acontecendo no campo de batalha, narrando-o para Dhrtarastra. Sanjaya disse que estavam todos reunidos no campo de Kuruksetra e que Arjuna de repente foi movido pelo sentimento, pois do lado adversário haviam muitas pessoas queridas por ele; então Krishna interveio e passou a tentar de todas as formas erguer a moral de Arjuna, já que ele havia dito que não iria mais participar da luta, pois esta era fratricida, o que havia feito com que ele decidisse tornar-se um renunciado e morar na floresta.

Maharaj nos disse que poderíamos pensar que, como Krishna nos concedeu o bhakti yoga, Ele poderia aprovar a idéia de Arjuna, e Maharaj brincou, dizendo que Krishna poderia estar precisando de um pujari e que cederia este posto a Arjuna. Entretanto, Krishna não teve essa idéia, e sim a desaprovou, dizendo que Arjuna precisava lutar. Explicou-nos o palestrante que Krishna possui "tiradas" inusitadas e, para entendê-Lo, devemos estar preparados a elas.

Krishna desejava que a luta acontecesse, pois os Kurus haviam abusado demais, além de serem muito maliciosos. Krishna queria acabar com aquela situação, então a luta era justa. Arjuna era um guerreiro e portanto seria punido naturalmente se abandonasse a guerra, e mesmo que Arjuna fosse à floresta para tornar-se um renunciante, os outros guerreiros gozariam dele, dizendo que ele fugiu da luta, e isso não seria nada bom.

Krishna dá muitos argumentos de ordem moral, assim como da própria natureza de ordem da pessoa, sendo que no caso de Arjuna, disse que ele deveria lutar, porém lutar sob as ordens Dele, lutando como um serviço devocional, como se fosse o seu dever e não buscando fama, prestígio ou poder, e Arjuna, que era um guerreiro íntegro, não buscava essas coisas. Então Sanjaya descreveu toda esta situação para Dhrtarastra, e no final, na conclusão do Bhagavad Gita, disse ao rei cego dos Kurus que, mesmo este torcendo para seus filhos, ele poderia concluir que onde há Krishna e onde há Arjuna, sempre haverá Sri, a opulência; Vijaya, a vitória; Buthir, o poder excepcional; e Nithir, a moralidade; e essa era a sua opinião.

Sua Santidade nos disse que Sanjaya tinha fé completa em que quem estivesse com Krishna seria o vencedor, e que todos nós devíamos ter a confiança que Sanjaya teve. Logo, devemos estar sempre com Krishna e extrair todas as virtudes que emanam DEle.

Maharaj disse que estávamos em um dia de vitória, pois conseguimos uma nova sede para o Adi-Templo em São Paulo, a despeito de todas as dificuldades que ocorreram no processo de obtenção do novo espaço, que eram de seu conhecimento uma vez que Maharaj acompanhou e participou de reuniões ocorridas para a obtenção da nova casa. Os devotos, com a misericórdia de Krishna, encontraram esta nova casa, que a princípio estava em mau estado, mas mesmo assim, decidiram estabelecer-se nela, já que possuía uma sala grande que possibilitaria fazer grandes reuniões.

Durante os meses de transição, os devotos estavam organizando muito bem o novo espaço para trazer as deidades à Sua nova casa. Então trazê-las neste dia de inauguração é uma vitória, mas a luta continua! E Sua Santidade nos citou Srila Prabhupada, que disse: "Na consciência de Krishna, o devoto aceita os obstáculos, ele não corre e nem os evita, mas trata de sobrepujá-los". Então, este foi o obstáculo a que os devotos de São Paulo se submeteram, disse Maharaj Purushatraya, e agora devemos partir para o próximo obstáculo, desenvolver este projeto em São Paulo, uma cidade tão importante. Mas tudo exige cooperação, boa vontade e sinceridade, pois com esses componentes podemos conseguir muita coisa.

O palestrante nos deu um exemplo de psicologia, a "sinergia", onde mesmo que 1+1+1 seja 3, 1+1+1 pode ser 8, 10, 15, em razão da energia que vai se somando, sendo que a soma pode vir a ser uma progressão geométrica, de modo que pode expandir-se ilimitadamente, sendo que essa é a vitória daqueles que estão com Krishna.

Disse-nos o Swami que temos que enfrentar muitas dificuldades ao longo da vida, porque a energia material é muito perigosa, e por isso ela é chamada de energia ilusória, pois ilude as pessoas, tirando o seu foco. Se nós fizermos uma enquete e perguntarmos às pessoas "Qual é o propósito da vida?", teríamos respostas disparatadas; a maioria nos responderia que nunca pensou sobre isso, outros falariam coisas fúteis, mas os devotos sabem exatamente qual o propósito da vida, eles não têm dúvida, e não estão seguindo sua própria mente. Normalmente quando se faz essa pergunta à pessoas que não têm conhecimento espiritual, elas querem falar alguma coisa, e acabam falando o que vem à cabeça: " Ah, minha opinião é que o propósito da vida é isto, é aquilo...", mas em relação aos devotos que estão no processo de auto-realização, eles não seguem o processo de "ah, a minha opinião", pois de que que vale a nossa opinião? Ela não tem valor.

Purushatraya Swami falou que às vezes pessoas jogam conversa fora até altas horas da madrugada, com assuntos do tipo: "Ah, porque para mim, Deus é isso...", e então, a outra pessoa responde "Ah, eu não concordo".

Maharaj nos contou que em Paraty há um encontro de literatura muito eminente, e lá havia um escritor que é um ativista ateísta que prega o ateísmo e escreve livros que fizeram muito sucesso no mundo, dizendo que Deus não existe. Disse-nos que o sujeito é muito arrogante e atrevido, mas nos questionou, qual o valor da opinião dele? Maharaj afirmou que o que vale é a opinião de Krishna, pois temos uma referência, já que as palavras de Krishna no Bhagavad Gita são a referência do devoto. Dessa maneira, o propósito da vida fica totalmente definido e não muda.

Com os exemplos dados, Maharaj nos explicou que as idéias mudam, e que de tempos em tempos surgem boas idéias, as últimas idéias, mas nossa idéia, a idéia do devoto, tem pelo menos 5 mil anos. A idéia é a opinião de Krishna, e seguimos a opinião Dele, que resolve completamente os problemas da vida. Não temos mais dúvidas, não precisamos buscar em lugar algum. Além de Krishna dizer coisas muito práticas no Bhagavad-gita, que podemos inserir ao nosso dia-a-dia, de forma a ver o mundo sem nos confundir.

Maharaj abordou um tema que agora, devido ao seu acontecimento recente, está sendo noticiado em muitos veículos de comunicação em massa: a morte do cantor Michael Jackson, que causou comoção mundial, tendo até mesmo um funeral filmado em um estádio de futebol, que foi televisionado para o mundo inteiro. O Swami nos explicou que toda essa repercussão é devida à falta de referência na vida das pessoas em geral que, no momento, tiveram como referência de suas vidas a morte do "rei do pop".

Apesar de Michael Jackson ter sido muito talentoso, não se nega isso, uma vez que fazia bem o que se propunha, as pessoas o terem como referência para a suas vidas mostra para Maharaj uma alienação completa da cultura espiritual. Não é uma atitude sã, pessoas que estão desesperadas, chorando pela perda da passagem desta pessoa, não é uma atitude saudável, é completamente neurótico. A Consciência de Krishna é sanidade, é ver as coisas como elas são.

Maharaj prosseguiu, dizendo que às vezes encontra-se nas descrições das escrituras fatos que são completamente realistas. No momento, Purushatraya Swami e os devotos de Goura Vrindavana estão estudando uma parte do Srimad Bhagavatam em que Kapiladeva fala sobre a entidade viva e o seu processo de nascimento neste mundo. Disse-nos que é extremamente realista, e situa-se no Terceiro Canto, Capítulos 28, 29, 30. É tudo explicado sem nenhum sentimentalismo piegas, pois se vê as coisas como elas são.

O devoto não cai no sentimentalismo, pois o nosso sentimento é em relação a Krishna, é devoção a Krishna, sendo que esse é o sentimento puro. O devoto pode expressar esse sentimento com canto, dança, alegria. Então, temos que valorizar tudo o que estamos recebendo, dar o devido valor, pois tudo isso enriquece a vida, já que pequenas coisas enriquecem a vida do devoto, como o relacionamento entre os devotos.

O palestrante explicou-nos que é a devoção a Krishna que realmente proporciona toda a vida e alma do devoto. A dedicação, o serviço devocional que é algo tão livre, é a liberdade total, que proporciona ao devoto nenhum condicionamento material.

Deu-nos um exemplo, dizendo que um devoto contou que, para arrumar a nova casa das Deidades, os devotos precisaram trabalhar duro, tirar todo o entulho, pintar, porém todo o trabalho dava satisfação para a alma. Uma pessoa de fora pode intrigar-se e não entender por que os devotos trabalham e não ganham nada. Todavia, só a pessoa que realiza serviço devocional sabe o que está ganhando, pois esse serviço satisfaz a alma, é diferente, uma coisa mística, sendo essa a mágica do serviço devocional.

A maneira com que os devotos fazem esse serviço, esse esforço para satisfazer Krishna, é a essência da bhakti yoga e, dessa forma, a alma fica feliz, pois não há motivação pessoal, já que o devoto oferece seu serviço a Krishna, sem interrupção e de maneira integral, pois a vida do devoto é o serviço devocional.

Maharaj continuou dizendo que o serviço devocional nos proporciona a felicidade interior, e só quem pratica este serviço, que está com esse espírito, pode comentá-lo. Por exemplo, falou-nos de um belo bolo, bem enfeitado, e por algum motivo começamos a explicá-lo, dizendo como ele é, o seu sabor; porém, a única forma de conhecermos o sabor do bolo é experimentando-o pois, se não o fazemos, não podemos achar nada. Aqueles que estão experimentando e fazendo serviço devocional estão experimentando o néctar. A auto-realização é uma experiência pessoal, sendo que é a pessoa que se beneficia e desenvolve a consciência de Krishna.

Alguém pode questionar o que alguém irá ganhar com o serviço devocional, e o Swami nos respondeu que iremos conhecer Krishna, e o devoto sabe que isso é tudo. Krishna é a fonte de tudo, e Consciência de Krishna significa ver que tudo tem relação com Krishna, tudo está relacionado com Krishna, tudo é energia de Krishna.

Mais uma vez, Maharaj disse que alguém pode perguntar a respeito dos problemas, as coisas ruins da vida, se elas também são energias de Krishna, e explicou-nos que a maioria das coisas ruins que existem são a ausência de Krishna. É como a luz e a escuridão. O que é a escuridão? É nada, é a ausência da luz. Há alguém que possa pensar que na luz, a escuridão é que é uma substância, porém, isso não é verdade. A escuridão não existe, não é nada. No entanto, se a luz é barrada, ela não pode se propagar, então teremos a escuridão, a ausência da luz.

Então muita coisa ruim que existe é a ausência de Krishna, a ausência das virtudes; é como um verso em que Krishna diz que à medida em que a pessoa se rende a Ele, Ele o recompensa proporcionalmente. Mas, alguém pode perguntar, "Como? Até o pessoal do PCC?", mas Purushatraya Swami disse-nos que todos os caminhos são caminhos de Krishna, porém algumas pessoas seguem em direção a Krishna, já outras se afastam de Krishna. Dessa forma, alguns estão indo em direção a Krishna e outros estão dando as costas a Krishna, mas todos são caminhos de Krishna, de modo que na hora em que as pessoas se voltam para Krishna, elas estão no rumo certo.

Finalizando sua aula, Maharaj Purushatraya falou que devemos prosseguir, seguindo na missão de Srila Prabhupada, que já é vencedora, pois a despeito de todas as situações antagônicas que nós enfrentamos, a missão de Prabhupada segue. Muitas vezes, por nossa inexperiência, damos cabeçadas, então aqueles que estão abrigados nas expressões de Srila Prabhupada têm uma misericórdia muito especial.

Maharaj esteve em alguns projetos na Índia, disse-nos que lá os projetos de Srila Prabhupada são um sucesso impressionante, que se desenvolvem cada vez mais, dando muita inspiração para nós, que estamos do lado oposto do planeta, sem a menor cultura védica, mas mesmo assim a missão de Srila Prabhupada aqui também segue, e os devotos estão desenvolvendo a consciência de Krishna, e Krishna está se manifestando aqui, então tudo isso é devido à potência de Srila Prabhupada.

Aberto o espaço para perguntas, um dos presentes indagou “qual a causa de Bhakti para uma entidade viva?”, e Purushatraya Swami respondeu dizendo que Caitanya Mahaprabhu falou sobre esta questão, dizendo que as entidades vivas estão vagando dentro de um universo, tomando diferentes tipos de cosmos, mas se ela é afortunada, recebe a misericórdia de Krishna e do Guru, e assim a semente da trepadeira de bhakti no coração germina. É misericórdia sem causa, e os devotos estão espalhando esta misericórdia de Krishna.

Disse Maharaj que cada devoto tem a sua história, muitos recebem a misericórdia de Krishna em forma de alimentos oferecidos a Ele, a prasada, mas geralmente têm a sua semente de trepadeira de bhakti germinando em seu coração devido à literatura. Srila Prabhupada escreveu esta literatura e podemos distribui-la para outras pessoas, ajudando-as a serem tocadas pelas palavras e terem a sua semente germinada.

Srila Prabhupada Ki, Jaya!

Maharaj Purushatraya Ki, Jaya!


Texto: Bhaktin Carla
Imagem: Arquivo ISKCON
 

 
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