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Este ano Radhastami,
o dia do aparecimento de Srimati Radharani, aconteceu numa
quarta-feira e, mesmo sendo no meio da semana, tivemos muitos
devotos no Adi-Templo no dia, tanto os que chegaram mais cedo para
ajudar a preparar o Festival quanto aqueles que só conseguiram
chegar mais tarde, na hora da festa.
A cozinha esteve
cheia de atividade desde as 14h, quando a prasada para o Festival
começou a ser preparada sob a liderança de mãe Saurasani. Ao longo
do dia várias devotas e devotos se juntaram a ela, como Radha
Govinda Devi Dasi, Kisori Devi Dasi, Rama Shakti Devi Dasi, Taruni
Devi Dasi, Harinath Das e Bhaktins Cristina e Silvia. Mais cedo
ainda chegou o casal Yoga Maya Devi Dasi e Lila Prasada Das, que
preparou o delicioso bolo de aniversário oferecido a Srimati
Radharani mais à noite.




Enquanto a equipe da cozinha trabalhava
incansavelmente para preparar a refeição da festa, Nanda Kumura Das
cuidava das deidades e decorava o altar, com a ajuda de Madhumati
Radhika Devi Dasi e com flores doadas por Harinath Das (que, aliás,
doou as flores de todos os últimos Festivais do Adi-Templo!) e,
simultaneamente, Krsna Venu Devi Dasi e Bhaktin Mayara cozinhavam
para as deidades, que também receberam diversas preparações trazidas
por Mãe Mohini, Govinda Nandini Devi Dasi e Krsna Kanti Devi Dasi.

Por fim, chegou o final da tarde e, enquanto as
pessoas iam chegando do trabalho e o Festival ia começando,
Vaikuntha Murti Das liderava um suave bhajan e dava as boas vindas
aos presentes. Em seguida, foi a vez de Nataji Devi Dasi liderar
docemente o bhajan, o que fez até o momento da aula.

A aula foi
ministrada pelas devotas Gitamrita Devi Dasi e Katyayani Devi Dasi,
que fizeram uma leitura do Sri Caitanya Caritamrita (Adi-Lila 4, 29)
e falaram sobre Srimati Radharani, sua importância para nossa vida
espiritual e sua relação com a figura do mestre espiritual.

Gitamrita Devi Dasi
começou falando que Srimati Radharani é Parama Devata, a Suprema
Deusa, a protetora de todos e a mãe do universo inteiro. Só há uma
referência a Radharani na Bhagavad Gita (na introdução), e no Srimad
Bhagavatam ela só aparece no Canto 10.

Gitamrita explicou
que Radharani é o próprio Krsna e, ao mesmo tempo, diferente dele,
mas que é mais misericordiosa que Krsna, o que lhe confere seu
aspecto materno. Ela é responsável pelo prazer de Krsna e, quando vê
uma alma rendida, a resgata.
Disse que o
Aparecimento de Radharani (Radhastami) é mais importante do que o
Aparecimento do próprio Krsna (Janmastami), pois só através de
Radharani e de seus servo, o mestre espiritual, é que se chega a
Krsna, cujo humor poderia ser traduzido pela afirmação “adore e
sirva os Meus devotos e, se Eu os vir satisfeito, também ficarei
satisfeito”. Desse modo, adorar a Radha é o único caminho para se
chegar a Krsna, e é mais fácil satisfazê-la.
A palestrante
lembrou de uma orientação freqüente de Srila Prabhupada, que nos
aconselhava a não tentar chegar a Krsna diretamente, o que convalida
nosso sistema de sucessão discipular.
Explicou que o Maha
Mantra (Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare / Hare Rama,
Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare) é uma oração a Srimati Radharani, e
deve ser cantado nesse humor. Hare é Hara, a mãe, a energia de Krsna;
Krsna só se satisfaz se Radha é satisfeita; e Rama é aquele que dá
prazer a Radha. Assim, devemos cantar o Maha Mantra como se fosse o
choro de uma criança chamando por sua mãe, e pedindo-lhe que nos
ocupe no serviço amorosa a Krsna.
Gitamrita disse também que Krsna nunca está sozinho;
ele se expande na forma de Radharani, sua via de prazer, e ela se
expande na forma de todos aqueles que servem a Krsna. Assim, nosso
sanatana dharma é lembrar que temos o mesmo humor da Radharani, que
somos servos eternos de Krsna, e que estamos aqui tentando
readquirir o que é nosso.
Nós somos expansões,
filhos, reflexos de Radharani, e satisfazendo a Krsna através de
seus devotos voltaremos a nossa posição natural. Afinal, o nome
Radharani vem de Aradhana, “a mais perfeita em seu serviço de amor”,
e a palavra Aparadha (ofensa contra os devotos, o que destrói nosso
caminho espiritual) é a negação de Radha, a própria Radharani.

A palestrante contou,
como exemplo a dedicação de Radharani a Krsna, o passatempo de Seu
Aparecimento. Seu pai a encontrou numa flor de Lótus no rio Yamuna,
uma bebê sobrenaturalmente linda, mas que acreditava ser cega,
porque não abria os olhos, e a adotou. Duas semanas depois, seus
pais foram visitados pelos pais de Krsna, que acabara de nascer, e
quando Krsna escalou o berço de Radharani ela finalmente abriu os
olhos, de modo que sua primeira visão deste mundo foi Krsna, seu
único interesse. Nós devemos seguir seu exemplo e buscar ver sempre
apenas a Krsna; afinal, as coisas sem Ele não têm sabor.
Por fim, Gitamrita
falou alguns dos diversos nomes de Radharani, e explicou que ela
domina 74 artes, que usa para adorar a Krsna, e as quais nossas
artes são tentativas de imitar.
Depois, Katyayani
Devi Dasi falou sobre como servir a Radha e Krsna, refugiando-nos
nosso mestre espiritual. Há 5.000 anos Krsna deixou este planeta,
mas deixou Seus representantes, e voltou como Caitanya Mahaprabhu
para que pudéssemos continuar a servi-lo. Assim, estamos muito
próximo de servir a Krsna servindo Srila Prabhupada, pois o mestre
espiritual é a potência de Krsna e Srimati Radharani.
Tendo em vista que a
Era de Kali não é própria para a religião, poderíamos nos esquecer
de nossa verdadeira posição, mas tivemos Caitanya, um conforto
nestes tempos difíceis, e estamos conectados com Radharani e com
Krsna através do Maha Mantra, através do qual pedimos a nossa Mãe
que nos permita servir nosso Pai. Assim, devemos pensar em Srimati
Radharani e nos ocupar em serviço devocional ao Guru, a Radha e a
Krsna.
Por fim, Gitamrita
Devi Dasi disse que, como nesse dia especial é permitido mostrar-se
os pés de lótus de Radharani no altar, dando assim sua misericórdia
aos devotos, terminaria a aula com um passatempo de Radharani e
Krsna narrado no Décimo Canto do Srimad Bhagavatam, contando suas
atividades amorosas.
Explicou que Krsna,
em sua infância, teve muitos confrontos com os seres conhecidos como
Rakshasas, uma raça que ajuda a trazer equilíbrio aos pólos positivo
e negativo do universo, e tinha muito prazer com esses confrontos,
que eram uma de suas atividades favoritas.
Ocorre que uma
dessas lutas aconteceu contra Arishtasura, que possuía a forma de um
touro gigantesco que atacou o vilarejo de Vrindavana. Radha e as
vaqueirinhas pediram ajuda a Krsna, que, pegando-o pelos seus
chifres, arremessou-o longe e depois bateu-o no chão até que
desmaiasse.
Krsna então se gaba
para as vaqueirinhas, que ficam horrorizadas porque ele matou um
touro, um pecado imperdoável de acordo com a cultura védica, de modo
que ele só se purificaria se realizasse penitência e visitasse todos
os lugares sagrados do universo.
Krsna então, com
preguiça de visitar todos esses lugares, bate com o calcanhar no
chão, de onde brota água de um rio sagrado dos planetas inferiores,
e convoca os outros rios sagrados do universo, que aparecem na forma
de pessoas, prestam a Ele suas reverências e, a seu pedido, se
mistura com aquela água que brotava do solo, formando o Shyama Kunda,
onde Krsna se banha, purificando-se.
Radharani continua
brava porque, como ela e as vaqueirinhas assistiram a Krsna matar um
touro também devem purificar-se, mas recusa-se a banhar-se no Shyama
Kunda, que estaria contaminado depois do banho de Krsna. Decide
então fazer seu próprio lago, cavando com as vaquerinhas até surgir
água, e enchê-lo com água do Rio Ganges.
Como isso tomaria
muito tempo, os rios sagrados convocados por Krsna pedem a Radharani,
incentivados por Ele, para entrar no lago dEla para poder banhá-lA,
com o que Ela concorda, surgindo assim o Radha Kunda; Krsna declara,
então, que o Radha Kunda não é diferente dEla.

Após essa nectária
aula narrando as glórias de Srimati Radharani, e enquanto Yoga Maya
Devi Dasi realizava o puja das Deidades, Katyayani liderou um
extático kirtan, que aconteceu com as luzes do templo apagadas, a
sala do templo iluminada apenas pelas luzes que decoravam o altar.





Por fim, tivemos a
ajuda de muitos devotos para distribuir a deliciosa prasada
preparada para o Festival, além do saboroso arroz doce trazido por
Madhava Lila Devi Dasi, e os devotos internos do Adi-Templo se
encarregaram de limpar tudo após o término da festa.

Gostaríamos de
agradecer a presença e ajuda de todos os devotos que puderam
comparecer ao Festival, e em especial ao presidente do Adi-Templo,
Nanda Kumara Das, que coordenou todo o Festival, e sem o qual essa
maravilhosa festa não teria acontecido.
Todas as glórias
a Srimati Radharani! Todas as glórias aos devotos reunidos!
Texto:
Ananda-maya Devi Dasi
Fotos: Madhumati Radhika Devi Dasi
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