ABV - Associação Bhaktivedanta Vaishnava. Fundador-Acarya: A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

  
 
 

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Festival de Radhastami 2007

Este ano Radhastami, o dia do aparecimento de Srimati Radharani, aconteceu numa quarta-feira e, mesmo sendo no meio da semana, tivemos muitos devotos no Adi-Templo no dia, tanto os que chegaram mais cedo para ajudar a preparar o Festival quanto aqueles que só conseguiram chegar mais tarde, na hora da festa.

A cozinha esteve cheia de atividade desde as 14h, quando a prasada para o Festival começou a ser preparada sob a liderança de mãe Saurasani. Ao longo do dia várias devotas e devotos se juntaram a ela, como Radha Govinda Devi Dasi, Kisori Devi Dasi, Rama Shakti Devi Dasi, Taruni Devi Dasi, Harinath Das e Bhaktins Cristina e Silvia. Mais cedo ainda chegou o casal Yoga Maya Devi Dasi e Lila Prasada Das, que preparou o delicioso bolo de aniversário oferecido a Srimati Radharani mais à noite.

    

    

Enquanto a equipe da cozinha trabalhava incansavelmente para preparar a refeição da festa, Nanda Kumura Das cuidava das deidades e decorava o altar, com a ajuda de Madhumati Radhika Devi Dasi e com flores doadas por Harinath Das (que, aliás, doou as flores de todos os últimos Festivais do Adi-Templo!) e, simultaneamente, Krsna Venu Devi Dasi e Bhaktin Mayara cozinhavam para as deidades, que também receberam diversas preparações trazidas por Mãe Mohini, Govinda Nandini Devi Dasi e Krsna Kanti Devi Dasi.

Por fim, chegou o final da tarde e, enquanto as pessoas iam chegando do trabalho e o Festival ia começando, Vaikuntha Murti Das liderava um suave bhajan e dava as boas vindas aos presentes. Em seguida, foi a vez de Nataji Devi Dasi liderar docemente o bhajan, o que fez até o momento da aula.

A aula foi ministrada pelas devotas Gitamrita Devi Dasi e Katyayani Devi Dasi, que fizeram uma leitura do Sri Caitanya Caritamrita (Adi-Lila 4, 29) e falaram sobre Srimati Radharani, sua importância para nossa vida espiritual e sua relação com a figura do mestre espiritual.

Gitamrita Devi Dasi começou falando que Srimati Radharani é Parama Devata, a Suprema Deusa, a protetora de todos e a mãe do universo inteiro. Só há uma referência a Radharani na Bhagavad Gita (na introdução), e no Srimad Bhagavatam ela só aparece no Canto 10.

  

Gitamrita explicou que Radharani é o próprio Krsna e, ao mesmo tempo, diferente dele, mas que é mais misericordiosa que Krsna, o que lhe confere seu aspecto materno. Ela é responsável pelo prazer de Krsna e, quando vê uma alma rendida, a resgata.

Disse que o Aparecimento de Radharani (Radhastami) é mais importante do que o Aparecimento do próprio Krsna (Janmastami), pois só através de Radharani e de seus servo, o mestre espiritual, é que se chega a Krsna, cujo humor poderia ser traduzido pela afirmação “adore e sirva os Meus devotos e, se Eu os vir satisfeito, também ficarei satisfeito”. Desse modo, adorar a Radha é o único caminho para se chegar a Krsna, e é mais fácil satisfazê-la.

A palestrante lembrou de uma orientação freqüente de Srila Prabhupada, que nos aconselhava a não tentar chegar a Krsna diretamente, o que convalida nosso sistema de sucessão discipular.

Explicou que o Maha Mantra (Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare) é uma oração a Srimati Radharani, e deve ser cantado nesse humor. Hare é Hara, a mãe, a energia de Krsna; Krsna só se satisfaz se Radha é satisfeita; e Rama é aquele que dá prazer a Radha. Assim, devemos cantar o Maha Mantra como se fosse o choro de uma criança chamando por sua mãe, e pedindo-lhe que nos ocupe no serviço amorosa a Krsna.

Gitamrita disse também que Krsna nunca está sozinho; ele se expande na forma de Radharani, sua via de prazer, e ela se expande na forma de todos aqueles que servem a Krsna. Assim, nosso sanatana dharma é lembrar que temos o mesmo humor da Radharani, que somos servos eternos de Krsna, e que estamos aqui tentando readquirir o que é nosso.

Nós somos expansões, filhos, reflexos de Radharani, e satisfazendo a Krsna através de seus devotos voltaremos a nossa posição natural. Afinal, o nome Radharani vem de Aradhana, “a mais perfeita em seu serviço de amor”, e a palavra Aparadha (ofensa contra os devotos, o que destrói nosso caminho espiritual) é a negação de Radha, a própria Radharani.

A palestrante contou, como exemplo a dedicação de Radharani a Krsna, o passatempo de Seu Aparecimento. Seu pai a encontrou numa flor de Lótus no rio Yamuna, uma bebê sobrenaturalmente linda, mas que acreditava ser cega, porque não abria os olhos, e a adotou. Duas semanas depois, seus pais foram visitados pelos pais de Krsna, que acabara de nascer, e quando Krsna escalou o berço de Radharani ela finalmente abriu os olhos, de modo que sua primeira visão deste mundo foi Krsna, seu único interesse. Nós devemos seguir seu exemplo e buscar ver sempre apenas a Krsna; afinal, as coisas sem Ele não têm sabor.

Por fim, Gitamrita falou alguns dos diversos nomes de Radharani, e explicou que ela domina 74 artes, que usa para adorar a Krsna, e as quais nossas artes são tentativas de imitar.

Depois, Katyayani Devi Dasi falou sobre como servir a Radha e Krsna, refugiando-nos nosso mestre espiritual. Há 5.000 anos Krsna deixou este planeta, mas deixou Seus representantes, e voltou como Caitanya Mahaprabhu para que pudéssemos continuar a servi-lo. Assim, estamos muito próximo de servir a Krsna servindo Srila Prabhupada, pois o mestre espiritual é a potência de Krsna e Srimati Radharani.

Tendo em vista que a Era de Kali não é própria para a religião, poderíamos nos esquecer de nossa verdadeira posição, mas tivemos Caitanya, um conforto nestes tempos difíceis, e estamos conectados com Radharani e com Krsna através do Maha Mantra, através do qual pedimos a nossa Mãe que nos permita servir nosso Pai. Assim, devemos pensar em Srimati Radharani e nos ocupar em serviço devocional ao Guru, a Radha e a Krsna.

Por fim, Gitamrita Devi Dasi disse que, como nesse dia especial é permitido mostrar-se os pés de lótus de Radharani no altar, dando assim sua misericórdia aos devotos, terminaria a aula com um passatempo de Radharani e Krsna narrado no Décimo Canto do Srimad Bhagavatam, contando suas atividades amorosas.

Explicou que Krsna, em sua infância, teve muitos confrontos com os seres conhecidos como Rakshasas, uma raça que ajuda a trazer equilíbrio aos pólos positivo e negativo do universo, e tinha muito prazer com esses confrontos, que eram uma de suas atividades favoritas.

Ocorre que uma dessas lutas aconteceu contra Arishtasura, que possuía a forma de um touro gigantesco que atacou o vilarejo de Vrindavana. Radha e as vaqueirinhas pediram ajuda a Krsna, que, pegando-o pelos seus chifres, arremessou-o longe e depois bateu-o no chão até que desmaiasse.

Krsna então se gaba para as vaqueirinhas, que ficam horrorizadas porque ele matou um touro, um pecado imperdoável de acordo com a cultura védica, de modo que ele só se purificaria se realizasse penitência e visitasse todos os lugares sagrados do universo.

Krsna então, com preguiça de visitar todos esses lugares, bate com o calcanhar no chão, de onde brota água de um rio sagrado dos planetas inferiores, e convoca os outros rios sagrados do universo, que aparecem na forma de pessoas, prestam a Ele suas reverências e, a seu pedido, se mistura com aquela água que brotava do solo, formando o Shyama Kunda, onde Krsna se banha, purificando-se.

Radharani continua brava porque, como ela e as vaqueirinhas assistiram a Krsna matar um touro também devem purificar-se, mas recusa-se a banhar-se no Shyama Kunda, que estaria contaminado depois do banho de Krsna. Decide então fazer seu próprio lago, cavando com as vaquerinhas até surgir água, e enchê-lo com água do Rio Ganges.

Como isso tomaria muito tempo, os rios sagrados convocados por Krsna pedem a Radharani, incentivados por Ele, para entrar no lago dEla para poder banhá-lA, com o que Ela concorda, surgindo assim o Radha Kunda; Krsna declara, então, que o Radha Kunda não é diferente dEla.

Após essa nectária aula narrando as glórias de Srimati Radharani, e enquanto Yoga Maya Devi Dasi realizava o puja das Deidades, Katyayani liderou um extático kirtan, que aconteceu com as luzes do templo apagadas, a sala do templo iluminada apenas pelas luzes que decoravam o altar.

   

   

Por fim, tivemos a ajuda de muitos devotos para distribuir a deliciosa prasada preparada para o Festival, além do saboroso arroz doce trazido por Madhava Lila Devi Dasi, e os devotos internos do Adi-Templo se encarregaram de limpar tudo após o término da festa.

Gostaríamos de agradecer a presença e ajuda de todos os devotos que puderam comparecer ao Festival, e em especial ao presidente do Adi-Templo, Nanda Kumara Das, que coordenou todo o Festival, e sem o qual essa maravilhosa festa não teria acontecido.

 Todas as glórias a Srimati Radharani! Todas as glórias aos devotos reunidos!

Texto: Ananda-maya Devi Dasi
Fotos: Madhumati Radhika Devi Dasi

 

 
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