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O Brahmana e o Vaishnava
Todas as glórias a Srila Prabhupada!
Atendendo a pedidos, vamos comentar mais sobre a iniciação e sobre o
processo através do qual uma pessoa se torna um Dvija, ou Brahmana
duas vezes nascido. A iniciação é conhecida tecnicamente como Diksha
e se refere ao processo de obtenção do conhecimento divino,
Divya-jñana. De fato, a característica Divya-jñana de um Brahmana
livra-o da tendência a executar atividades pecaminosas, as quais são
a verdadeira causa do sofrimento. Srila Prabhupada explica que,
depois de se tornar um Dvija, duas-vezes-nascido, com a guia de seu
Guru, o candidato se torna bem versado nos Vedas e alcança um
estágio mais elevado, tornando-se um Vipra, ou um Brahmana
qualificado. Todo o processo consiste no estudante se render a um
Guru e iniciar seus estudos védicos até alcançar a realização de
Brahman, a realização do aspecto absoluto de Deus.
Depois, ele continua avançando na vida espiritual até se tornar um
verdadeiro Vaishnava - o estágio em que ele se torna consciente do
aspecto mais elevado da Verdade Absoluta, Bhagavan ou a Suprema
Personalidade de Deus. Tal estágio se chama consciência de Krishna.
Sabe-se que muitos Brahmanas não atingem a realização de Bhagavan, o
aspecto pessoal de Deus. Por outro lado, pode haver Shudras,
Vaishyas ou Kshatriyas que alcançam este estágio elevado tornando-se
um verdadeiro Vaishnava. Por isso, no caminho de Bhakti, a
verdadeira meta da iniciação Diksha é promover o estudante à posição
de Vaishnava porque, no sentido estrito de verdadeiro conhecimento
(e não de mera erudição), o estágio Vaishnava é o status
pós-graduado de um Brahmana.
Certas vezes percebemos que uma pessoa aceita e compreende Krishna
como a Pessoa Suprema. Mesmo que isto ocorra de forma simples, sem
muita erudição ou características intelectuais, ainda assim esta
pessoa já se tornou um Vaishnava. Talvez ela tenha se tornado um
Vaishnava misto, ainda sob a influência de maus-hábitos e sem uma
conexão tão profunda com Krishna, mas se for sincera Krishna irá
iluminá-la internamente. Na Bhagavad-gita Krishna menciona que
existem quatro classes de pessoas que se aproximam dele: o curioso,
o aflito, o que busca riqueza e o sábio. Mas, dentre eles, o sábio (ou
aquele com características latentes de um Brahmana) é considerado
superior.
Na escritura védica Sara Samgraha existe um verso que afirma que,
assim como o rei aceita os pecados de seus ministros ou o marido
aceita os defeitos de sua esposa, de forma semelhante o mestre
espiritual deve aceitar as reações pecaminosas de seus discípulos.
Depois de se render à idéia de receber a guia qualificada do Guru, é
importante que, no momento certo, o discípulo receba formalmente a
iniciação do Guru, para limpar seu coração e para purificar-se das
tendências pecaminosas. Além disso, a iniciação livra gradualmente o
discípulo dos comprometimentos com o Karma criado pelas atividades
pecaminosas anteriores e se conecta não somente com seu Guru, mas
com o Guru do seu Guru e assim por diante.
Ao receber a iluminação básica de seu Guru, um novo campo de
atividades transcendentais se descortina diante do discípulo,
levando-o, objetivamente, ao início de um novo tipo de vida. Então,
ele deverá continuar recebendo instruções do Guru, enquanto não pára
de se esforçar para avançar espiritualmente. Na verdade, o papel do
Guru é iluminar constantemente o discípulo com o sol do conhecimento
transcendental. O filho é sempre o filho e o pai sempre o pai. Ou
seja, o filho é sempre subordinado ao pai e isto nunca vai mudar.
Pode até ser que o filho tenha conseguido mais sucesso do que seu
pai, mas ele continua sendo filho e deve ser sempre agradecido e
rendido ao pai. Na verdade, qualquer avanço obtido pelo discípulo se
deve à graça e ajuda do Guru.
Nas escrituras encontramos diversas afirmações que dizem que ninguém
poderá chegar à perfeição da vida espiritual e alcançar Krishna-prema,
amor por Deus, sem se manter subordinado ao Guru. É o Guru que
gradativamente vai ajudando o discípulo a se tornar pleno de
consciência de Krishna e vai dissipando a escuridão da ignorância e
a ilusão de Maya. É somente através do Guru que o discípulo consegue
despertar seu eterno relacionamento com Sri Krishna, a Suprema
Personalidade de Deus, coroando sua vida de bem-aventurança e júbilo.
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Prabhupada!
Texto: Chandramukha Swami
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