( Por: Gourasundar Dasa BhS )
O que é paz?
Há tempos que se fala em paz, mas será que sabemos o que falamos?
Para muitos, paz significa poder trabalhar e receber o salário todos os meses sem falta, para outros é andar nas ruas da cidade com segurança de não ser assaltado, ou ainda ter uma família, uma casa bonita, roupas, comida, alguma saúde, essas coisas. Resumidamente é ter a ilusória possibilidade de levar a vida de uma forma organizada, cumprindo os ditames da sociedade em que se vive.
Nos últimos meses e anos tem se falado em paz em relação a ataques terroristas praticados por alienados e fanáticos contra uma suposta sociedade pacífica e inocente. Mas tudo não passa de política baixa. Se houve ataques é porque houve motivos, tais como fome, o desespero, a magoa e a revolta contra um sistema injusto e falido, imposto à força. No entanto, esses ataques também não são justificáveis, pois muitas vidas foram tiradas e mais e mais violência foi e será gerada dessa forma. Da mesma forma ataques terroristas como esse pelo mundo existem também dentro de países menores e/ou mais pobres, nesse caso, realizado pelos próprios moradores, ou até mesmo pela polícia ou sistemas políticos de um país, sua situação financeira, pobreza, violência, corrupção, tráficos, etc., tudo isso sempre visando à manutenção pessoal dos padrões do capitalismo, do consumismo exagerado e dos ditames de modas e costumes equivocados e baixos.
Ora, como pensar em paz assim? Isso é ilusão. Na verdade não se está procurando paz, mas uma cessação temporária ou diminuição das misérias humanas e isso nada tem haver com paz. Paz não é ter a possibilidade de a pessoa ir para o trabalho e voltar para casa sã e salva todos os dias, ter muito dinheiro, prazer do jeito que desejar, segurança no portão de casa, etc., isso não é paz, é se manter iludido e mergulhado num mundo de falsidades.
Você pensa que está em paz enquanto a miséria alheia não lhe afeta, isso é hipocrisia, é ser frio e viver como uma máquina, ou uma peça de uma máquina capitalista de uma sociedade que nunca vai obter a paz alguma.
Na certa que não adianta ser comunista ou capitalista, de direita ou de esquerda, de centro ou apolítico, se não houver objetivos superiores, fatores espirituais autênticos, embasados em uma filosofia sagrada fidedigna e explicativa. Enquanto a preocupação for única e somente a matéria, não poderá existir paz.
O famoso filósofo e sociólogo Max Weber tentou mostrar que toda a decadência da sociedade ocidental estava no capitalismo criado pelos protestantes cristãos, que viam no crescimento econômico e material uma dádiva divina. O principal nome na teoria comunista, Karl Marx dizia que a distribuição dos ganhos, o fim da propriedade privada e do lucro, ou seja, a sociedade comunista era a reposta para a felicidade humana. Pior ainda foram teorias como a de John Locke, Adam Smith, e outros que deram origem ao liberalismo e atualmente o neoliberalismo que acredita que o mercado livre e a “natural” desigualdade social é a grande resposta para a paz e felicidade. Porém, todos eles esbarram no mesmo problema: Uma sociedade totalmente voltada para a preocupação material.
Há alguns filósofos ocidentais famosos e respeitados como Kant que tem citações além do material, ou seja, no pleno espiritual. Mais que isso, o conhecido filósofo Schopenhauer tem sua filosofia baseada nos Vedas e desenvolvem idéias muito interessante no que se refere ao ser. Por outro lado há alguns filósofos que tentam justificar a não-preocupação com algo espiritual, tendo como base uma fraca teoria da não existência de Deus. Tais filósofos não passam de especuladores mentais, vagando num infinito mar de jogos de palavras que se desfazem continuamente com suas próprias contradições. Também vale citar autores como Friedrich W. Nietzsche, Sartre, dentre outros, que tentam mostrar que a paz é ser livre de um Deus, haja visto que Esse, segundo as bases cristãs desses filósofos, o castigaria se você O desobedecesse. Mas se falamos em Deus, já estamos no campo do transcendental, do espiritual, do não-material, e será que a paz é material? É algo palpável? Então a paz é algo subjetivo? Bem, aqui poderíamos entrar em fatores especulativos longínquos e que não cabem aqui, então sejamos mais objetivos.
O fato é que não se pode falar em paz se não houver felicidade e a felicidade vem da harmonia e a certeza do quem somos e quais nossos objetivos, isso só é possível com bases concretas. Também não pode haver felicidade sem paz, como Sri Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, segundo os Vedas, afirma no Bhagavad-gita. Como então falar em paz se não acreditamos em algo superior? Como uma sociedade ateísta pode ter paz? Pois se não meditamos em Deus, então meditamos na matéria e a matéria é escassa, vazia de conteúdo e que apenas causa misérias, pois se alguém tem muito é devido à miséria de outros, e não é necessário muita inteligência para saber que um materialista quer sempre mais e mais. O exemplo está ai no atual caos da sociedade moderna.
Concluímos então que somente uma sociedade centralizada em princípios espirituais sérios pode obter paz. O sistema de Varnasrama-dharma de sociedade apresentado pelas milenares escrituras Védicas da Índia da qual se baseia toda uma cultura oriental e é tido como o inicio da História humana, apresenta um mondo de vida onde o objetivo não é o de cada vez obter mais lucro e benefícios materiais, nem tampouco se baseia em teorias falidas de suposta igualdade de bens matérias. De acordo com os Vedas, Deus é a origem e desfrutador de tudo, nós somos Seus servos amorosos e a felicidade está em encontrar essa harmonia em amor á Deus, Krishna. O sistema Vanasrama-dharma está baseado no convívio harmonioso entre todos os seres e desses com a matéria, de forma correta, centralizado num objetivo espiritual, tendo-se harmonia com a natureza humana através de princípios regulativos que rejeita vícios como o consumo de carne, gerando morte e miséria, o consumo de drogas, gerando alienação e violência, o sexo como centro de tudo e gerando luxurias incontroláveis e jogos que só geram frustração, vícios e apegos.
O popularmente conhecido Movimento para a Consciência de Krishna, ou Movimento Hare Krishna propõem essa idéia milenar como a maior das revoluções, a verdadeira revolução, a verdadeira busca pela paz na sociedade moderna. Porque paz significa harmonia, felicidade, sabedoria e a certeza de saber quem de fato somos e realmente e o que estamos fazendo aqui.
Srila Prabhupada, o maior erudito dos últimos tempos e o grande mestre dos ensinamentos da filosofia Védica, e considerado por muitos como o grande santo do século XX, apresentou para o ocidente essa filosofia, afirmando que “não somos esses corpos, somos almas espirituais e temos uma relação eterna com a alma espiritual Superior”, ou seja, Deus, conhecido nos Vedas como Krishna, o nome da Suprema Personalidade de Deus.
Então, voltando ao foco principal, a “paz material” que a sociedade moderna busca só será possível quando a verdadeira paz eterna for alcançada. A paz divina de objetivos superiores, objetivos puros, a paz espiritual, alcançada por uma consciência superior, uma consciência de Deus, ou de Krishna. Já dizia Mahatma Gandhi: “A civilização moderna (...) tem em sua alma o egoísmo e o materialismo (...) e procura aumentar o conforto do corpo”.
A harmonia com a natureza, entre os homens, entre homens e animais só pode ser alcançada através da harmonia com Deus, Krishna. Uma sociedade ateísta só gera miséria, ganância, ódio e frustrações, mas uma sociedade que sabe qual o objetivo real da vida humana, ou seja, o desenvolvimento espiritual, para voltarmos á nossa origem, essa sim pode obter alguma paz, pois paz é espiritual e espiritual é Deus.
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